Segundo a parcial consolidada do Votalhada, Maxiane aparece como a mais votada para deixar o BBB26, com 55,26% na média proporcional, superando Milena, que soma 42,56%, enquanto Chaiany surge praticamente fora de risco, com apenas 2,19%. Com mais de 4,7 milhões de votos computados no levantamento, o cenário indica uma disputa concentrada entre Maxiane e Milena, mas, neste momento, a eliminação da primeira desponta como a tendência mais forte nas enquetes.

É estranho na minha concepção, pois, Maxiane é uma participante pouco combativa e sem carisma, enquanto Milena é uma das que mais movimentam o jogo. Tia Milena não deixa a casa virar um resort, um tédio. Além disso, não se esconde e não foge dos embates, bem diferente de Maxiane. Chaiany ficou como coadjuvante no Paredão, mas segue se queimando após largar a mão de Ana Paula e seguir os conselhos de Babu.
O BBB 26 entrou numa fase bastante reveladora. E, como sempre acontece nas edições mais interessantes, o jogo deixou de ser apenas sobre votos e passou a ser sobre caráter, estratégia e contradições expostas em tempo real. O centro desse turbilhão tem nomes claros: Ana Paula, Milena, Babu, Juliano e Cowboy.
Começando por um episódio que ultrapassa limite: Babu insinuar que Milena teria uma paixão platônica por Ana Paula pelo simples fato de dormir com uma camiseta dela e mexer em seu cabelo. A insinuação de que isso configuraria desejo romântico, com tom malicioso, é grave. É reducionista, é preconceituosa e é podre. Não há outra palavra.
Quando Babu diz que Milena tem um “amor platônico” pela “chefona”, ele ativa um recurso antigo e baixo: usar sexualidade como forma de deslegitimar afeto, amizade ou lealdade feminina. Isso, vindo de alguém que já foi vítima de rótulos dentro do próprio BBB no passado, é ainda mais contraditório.
E aqui entra o paralelo inevitável com Matheus. No início da temporada, Matheus protagonizou falas homofóbicas e preconceituosas, tentou se justificar dizendo que “foi mal interpretado”, que o problema não era o que ele pensava, mas a forma como falou. Babu, naquela ocasião, fez uma leitura curiosa: relativizou o conteúdo e focou na expressão. Agora, ele mesmo escorrega numa insinuação de mesma natureza. A diferença é que, desta vez, ele não pode alegar desconhecimento.
Babu começou essa edição muito bem. Tinha leitura afiada, se posicionava com segurança e parecia estrategicamente lúcido. Seu primeiro grande enredo nem envolvia diretamente Ana Paula; ele protegia Juliano nas discussões com Gabi, Jonas e Sol. Era coerente: seu aliado direto estava sob ataque.
Juliano, por sua vez, protegia Milena e Ana Paula. No caso de Jonas, por exemplo, Babu foi duro num momento em que a história pessoal de Jonas já era conhecida por todos. Acusou, pressionou, elevou o tom, chamou de “playboy”. O mesmo Babu que depois condenaria suposta “intimidação” na cozinha. O mesmo que, no episódio das sandálias, foi grosseiro com Samira de forma gratuita. Se fosse Cowboy ou Jonas agindo assim, provavelmente ele condenaria.
Enquanto isso, ele alimenta, nos bastidores, a narrativa de que a amizade de Ana Paula com minorias não é genuína. Que Tia Milena é subserviente. Que há dependência emocional. Só que, na frente, aceita o pacto de votos.
O ponto de virada foi a eliminação de Marcelinho. Ali, Babu fez um cálculo político. Pensou: “Se eu era próximo dele e ele saiu, posso estar queimado.” E, na análise superficial da casa, Marcelinho caiu após conflito envolvendo Maxiane. Logo, na mente de Babu, Maxiane estava forte. Se Maxiane é forte, Ana Paula — seu embate — está fraca. Então, para reposicionar sua imagem, ele precisava se afastar de Ana Paula.
Erro de leitura.
Marcelinho saiu, em grande parte, por enfrentamento com a torcida de Ana Paula. O público sabe. Juliano sabe. Babu não percebeu. E decidiu tentar adivinhar o desejo do público, em vez de sustentar sua própria verdade.
Daí agora ele não vai contra o Cowboy, o qual entrou no BBB 26 com objetivo claro: limpar a imagem de vilão do BBB7, como revelou sua esposa à coluna Play, do jornal O Globo. Ele quer redenção. Quer sair amado. E Babu, por trás, ao defendê-lo dizendo que não houve exagero nas falas sobre o pai de Ana Paula, se queima ainda mais.
Só que há um detalhe: a força de Ana Paula não está na perfeição. Está na humanidade.
Ela erra. Ela provoca. Ela flerta. Ela ri. Ela se contradiz. Mas não constrói personagem. Não tenta ser santa. É anti-heroína clássica. Aponta fragilidades alheias e não esconde as próprias. Isso irrita. Isso incomoda. Mas também gera identificação.
Juliano entendeu isso melhor do que ninguém. Enquanto Babu tenta manipular peças — puxando Chai e Solange — Juliano mantém coerência. Não se deixa conduzir. Cresce no jogo justamente por não abandonar sua leitura original. Ele protegeu Milena e Ana Paula quando achou justo e continua sustentando sua visão.
Milena, aliás, é a melhor pipoca desde que a divisão Camarote x Pipoca começou. Entrega muito. É um dos grandes acertos do BBB.
Destemida, afrontosa, sem filtro. Não se curva. E isso explica por que tentam enquadrá-la.
No paredão entre Milena, Maxiane e Chaiany, a saída de Maxiane representaria um choque necessário num grupo que anda convicto demais da própria popularidade. A arrogância estratégica é sempre perigosa.
Babu, que já foi símbolo de injustiça em outra edição, hoje parece se perder nas próprias manobras. Ao insinuar sexualidade de Milena para atingir Ana Paula, ele não apenas comete um erro moral — ele revela descontrole, ranço. Quer muito diminuir Milena e Ana Paula.
E BBB é jogo de resistência narrativa. Quem sustenta coerência cresce. Quem tenta jogar com base em suposição de público costuma cair.
Ana Paula segue nadando nas narrativas. Babu escolheu o caminho mais arriscado: abandonar convicção para tentar adivinhar o que o sofá quer.
Historicamente, o sofá prefere autenticidade…
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