O nomadismo digital se consolida como um dos principais desdobramentos do trabalho remoto e já reúne cerca de 40 milhões de profissionais em todo o mundo. O crescimento desse modelo leva mais de 40 países a criarem vistos específicos para trabalhadores que exercem suas atividades de forma remota, segundo dados do Global Digital Nomad Report.
Os Estados Unidos lideram o fluxo global, concentrando cerca de 44% dos nômades digitais mapeados. Na sequência aparecem Reino Unido, Canadá, Alemanha, França, Brasil, Austrália, Holanda e Espanha, que juntos somam aproximadamente 26% do total, de acordo com a plataforma Nomad List.
No Brasil, o interesse pelo tema também avança. As buscas pelo termo “nômade digital” crescem 41% entre janeiro e junho de 2025, conforme o Google Trends. Ao mesmo tempo, o país passa a ser visto como destino para profissionais estrangeiros. Brasília é apontada pela InsureMyTrip como uma das cidades mais atrativas do mundo para nômades digitais, e a Embratur lança a campanha “Brasil, seu escritório dos sonhos” para atrair trabalhadores remotos internacionais.

Espanha e Portugal lideram a preferência de brasileiros
Na Europa, Espanha e Portugal concentram a maior demanda de brasileiros interessados em vistos para nômades digitais. Levantamento da consultoria internacional HAYMAN-WOODWARD aponta os dois países como os destinos mais equilibrados quando se consideram exigências de renda, prazos de aprovação e regimes fiscais.
Na Espanha, o visto de nômade digital exige renda mínima de € 2.368 por mês e tem prazo médio de análise de cerca de 30 dias. A autorização permite residência por até cinco anos e abre caminho para solicitação de cidadania após dois anos de residência legal contínua.
Portugal exige renda mínima mensal de € 3.480 para o visto D8, que concede residência temporária com possibilidade de permanência definitiva após cinco anos. Até março de 2023, o país já emite cerca de 550 vistos para nômades digitais, com Estados Unidos, Reino Unido e Brasil entre as principais nacionalidades.

“O nomadismo digital deixa de ser um movimento marginal e passa a influenciar políticas migratórias e decisões econômicas. Espanha e Portugal se destacam por oferecer marcos regulatórios claros e custos ainda competitivos em relação a outros destinos europeus”, afirma Leonardo Freitas, CEO da HAYMAN-WOODWARD.
Outros países ampliam programas
Além de Espanha e Portugal, países como Estônia, Croácia, Malta e Grécia também ampliam programas voltados a trabalhadores remotos.
A Estônia exige renda mínima de € 4.500 mensais, com prazo de processamento entre 15 e 30 dias. A Croácia permite aplicação totalmente online e exige renda de cerca de € 2.360 por mês. Malta requer renda mínima de € 3.500 mensais e concede isenção de impostos sobre rendimentos obtidos fora do país.
Especialistas avaliam que a tendência se intensifica nos próximos anos, à medida que governos disputam profissionais qualificados e trabalhadores buscam mobilidade internacional sem romper vínculos de carreira. Para 2026, a expectativa é de ampliação dos programas e ajustes regulatórios em diferentes regiões.
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