O Rio de Janeiro aparece na 41ª posição entre os 92 municípios do estado no ranking de qualidade de vida e desenvolvimento sustentável de 2026. No recorte nacional, a capital fluminense ocupa o 2.827º lugar entre 5.570 cidades, com 51,26 pontos no Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR).
A pontuação coloca o Rio na faixa considerada média de desenvolvimento sustentável. O resultado chama atenção porque a capital é uma das cidades mais conhecidas e economicamente relevantes do país, mas apresenta desempenho bastante desigual entre os diferentes objetivos avaliados pelo índice.
O levantamento considera 100 indicadores públicos, distribuídos entre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A metodologia avalia áreas como saúde, educação, renda, saneamento, mobilidade, desigualdade, meio ambiente, infraestrutura e condições urbanas.
No caso do Rio, os números mostram uma cidade com desempenhos muito fortes em alguns setores, mas também com dificuldades significativas em áreas estruturais.
Entre os 17 objetivos avaliados, o melhor resultado da capital fluminense aparece em Energia limpa e acessível (ODS 7), com expressivos 97,1 pontos.
O segundo melhor desempenho está em Água limpa e saneamento (ODS 6), que alcançou 81,4 pontos.
Esses dois resultados estão na faixa considerada muito alta, entre 80 e 100 pontos.
A capital também apresenta números relativamente positivos em Saúde e bem-estar, com 65,4 pontos, Vida na água, com 66,2, e Ação contra a mudança global do clima, com 68,1.
Esses resultados mostram que o desempenho do Rio não pode ser resumido apenas à posição geral no ranking. O índice revela uma cidade com avanços importantes em determinados indicadores, enquanto outras áreas puxam a média para baixo.
Infraestrutura é o principal ponto de atenção no Rio de Janeiro
O pior resultado do Rio de Janeiro entre os 17 ODS aparece em Indústria, inovação e infraestrutura (ODS 9).
A capital alcançou apenas 17,1 pontos, colocando esse objetivo na faixa de desenvolvimento muito baixo.
Outro resultado bastante baixo aparece em Cidades e comunidades sustentáveis (ODS 11), com 17,5 pontos.
A situação também é desafiadora em Redução das desigualdades (31,7) e Parcerias e meios de implementação (32,5).
O desempenho em Fome zero e agricultura sustentável ficou em 35,2 pontos, enquanto Igualdade de gênero registrou 39,3.
Esses números ajudam a explicar por que uma cidade pode apresentar excelentes resultados em saneamento e energia e, ainda assim, permanecer apenas na faixa média quando todos os objetivos são considerados conjuntamente.
Como o Rio de Janeiro se saiu nos 17 ODS
| Objetivo | Pontuação |
|---|---|
| ODS 1 – Erradicação da pobreza | 55,5 |
| ODS 2 – Fome zero e agricultura sustentável | 35,2 |
| ODS 3 – Saúde e bem-estar | 65,4 |
| ODS 4 – Educação de qualidade | 56,8 |
| ODS 5 – Igualdade de gênero | 39,3 |
| ODS 6 – Água limpa e saneamento | 81,4 |
| ODS 7 – Energia limpa e acessível | 97,1 |
| ODS 8 – Trabalho decente e crescimento econômico | 57,0 |
| ODS 9 – Indústria, inovação e infraestrutura | 17,1 |
| ODS 10 – Redução das desigualdades | 31,7 |
| ODS 11 – Cidades e comunidades sustentáveis | 17,5 |
| ODS 12 – Consumo e produção responsáveis | 57,4 |
| ODS 13 – Ação contra a mudança global do clima | 68,1 |
| ODS 14 – Vida na água | 66,2 |
| ODS 15 – Proteger a vida terrestre | 45,1 |
| ODS 16 – Paz, justiça e instituições eficazes | 48,0 |
| ODS 17 – Parcerias e meios de implementação | 32,5 |
O desempenho do Rio de Janeiro também pode ser entendido quando comparado às cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes.
Nesse recorte, Brasília lidera o ranking, com 61,71 pontos. Curitiba aparece em segundo, com 58,15, e São Paulo ocupa a terceira posição, com 58,01.
Ribeirão Preto, Londrina, São José dos Campos, Contagem, Florianópolis, Uberlândia e Sorocaba completam as dez primeiras posições.
A capital fluminense, portanto, não aparece entre as dez cidades grandes com melhor desempenho no IDSC-BR 2026.
Brasília foi a única cidade desse recorte a entrar na faixa de desenvolvimento considerada alta, entre 60 e 79,99 pontos.
O Rio de Janeiro, com 51,26, permanece na faixa média, que vai de 50 a 59,99.

Apesar dos desafios, o levantamento de 2026 registra uma mudança positiva quando considerados todos os municípios brasileiros.
Pela primeira vez desde o início do monitoramento, em 2015, a média dos 5.570 municípios ultrapassou 50 pontos, chegando a 51,22.
O índice também aponta que sete em cada dez municípios melhoraram sua pontuação.
Ainda assim, a parcela de cidades que atingiu o nível considerado alto continua pequena. Apenas 271 municípios, onde vivem aproximadamente 7,8 milhões de pessoas, chegaram a essa faixa.
O resultado reforça a diferença entre simplesmente melhorar indicadores e alcançar um nível elevado de desenvolvimento sustentável em todas as áreas avaliadas.
O que o ranking realmente mede?
O IDSC-BR não funciona como uma avaliação baseada exclusivamente em renda, infraestrutura turística ou percepção dos moradores.
A metodologia reúne 100 indicadores públicos relacionados aos 17 ODS estabelecidos pela Agenda 2030.
Entre as fontes utilizadas estão bases públicas e oficiais como IBGE, DataSUS e Inep. A metodologia foi elaborada pela Sustainable Development Solutions Network (SDSN), rede criada sob os auspícios da ONU.
No Brasil, o índice é realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis, em parceria com a SDSN e com consultoria do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).
Por isso, a posição do Rio de Janeiro precisa ser interpretada dentro desse conjunto de indicadores. A capital apresenta resultados muito altos em energia e saneamento, mas os desempenhos baixos em infraestrutura, cidades sustentáveis, desigualdade e outros objetivos reduzem sua pontuação geral.
Outro dado importante é a quantidade de indicadores individuais em cada faixa. Dos 100 indicadores analisados para o Rio, 30 aparecem como metas alcançadas, enquanto 27 são classificados como desafios remanescentes, 15 como desafios significativos e 28 como desafios muito significativos.
Na prática, o retrato produzido pelo ranking é menos uma classificação sobre qual cidade é simplesmente “melhor” ou “pior” para viver e mais um diagnóstico sobre os diferentes aspectos que determinam o desenvolvimento sustentável dos municípios.
No caso do Rio de Janeiro, o resultado mostra uma capital com 51,26 pontos, desempenho médio e contrastes bastante acentuados: enquanto energia e saneamento aparecem entre os grandes destaques, infraestrutura urbana e desenvolvimento de cidades sustentáveis estão entre os principais pontos que precisam avançar.
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