Uma mulher de 94 anos decide reescrever a própria história — e acaba sendo engolida por ela. É com essa premissa delicada e provocadora que A Incrível Eleanor (Eleanor The Great) chega aos cinemas do Rio de Janeiro e São Paulo nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, marcando a estreia de Scarlett Johansson como diretora de longa-metragem.
Protagonizado por June Squibb, indicada ao Oscar por Nebraska, o filme estreou mundialmente no Festival de Cannes 2025, na seção “Un Certain Regard”, e também integrou a programação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Na trama, Eleanor Morgenstein sempre foi uma mulher ativa e conectada às pessoas ao seu redor. Após uma perda devastadora, ela deixa a Flórida e se muda para Nova York para morar com a filha e o neto, tentando reconstruir laços familiares.
O que deveria ser um recomeço se transforma em um sentimento ainda maior de invisibilidade. Deslocada na nova rotina, Eleanor acaba entrando, por acaso, em um grupo de apoio. Ali, compartilha uma história que rapidamente desperta interesse inesperado.
O relato chama a atenção de uma jovem estudante de jornalismo, que se aproxima movida pela curiosidade e, pouco a pouco, desenvolve uma amizade com a protagonista. Mas, conforme a narrativa de Eleanor ganha proporções públicas, as consequências começam a surgir — e a verdade se torna inevitável.
A Incrível Eleanor tem memória, identidade e segundas chances
Em seu primeiro trabalho atrás das câmeras, Scarlett Johansson constrói um retrato sensível sobre envelhecimento, pertencimento e as complexidades da memória. O filme aborda o impacto das histórias que contamos — e das que escolhemos omitir.
June Squibb sustenta a narrativa com uma interpretação que equilibra ironia, fragilidade e força, dando vida a uma personagem que questiona o que significa envelhecer em uma sociedade que frequentemente marginaliza seus idosos.
Mas A Incrível Eleanor é bom?
A Incrível Eleanor é um drama sensível que combina uma narrativa aparentemente simples com camadas emocionais profundas. Eleanor (June Squibb), revisita memórias e conta histórias com boas intenções, mas pequenas mentiras acabam ganhando proporções inesperadas, levando-a a confrontar a importância da honestidade e da responsabilidade. A obra também aborda diferentes perspectivas sobre um mesmo acontecimento e traz reflexões delicadas, incluindo menções ao Holocausto.
A direção de Scarlett Johansson se destaca pelo olhar intimista e pela valorização do silêncio e da solidão, criando uma atmosfera realista e contemplativa. Com enquadramentos que fazem o público enxergar Nova York pelos olhos da protagonista, o filme evita grandiosidade e aposta na simplicidade para construir autenticidade. Ao colocar uma mulher idosa no centro da narrativa, a história oferece uma perspectiva rara no cinema, explorando não apenas sabedoria, mas também fragilidades, sonhos e desejos. Estreia nesta quinta-feira (26) nos cinemas.
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