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Finn Wolfhard, Noah Schnapp, Caleb McLaughlin e Gaten Matarazzo em cena de Stranger Things- Divulgação Netflix
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: Após 10 anos, qual será o legado de Stranger Things?

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 4 de janeiro de 2026
8 Min Leitura
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Finn Wolfhard, Noah Schnapp, Caleb McLaughlin e Gaten Matarazzo em cena de Stranger Things- Divulgação Netflix
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Criada por Matt e Ross Duffer, Stranger Things encerra sua jornada principal quase dez anos após sua estreia, deixando marcas profundas, positivas e negativas, tanto na cultura pop quanto na própria lógica de funcionamento do streaming contemporâneo.

Apesar de não ter sido a primeira série original da Netflix, é inegável que Stranger Things foi responsável por consolidar o serviço de streaming como uma potência global do audiovisual. Seu impacto extrapolou o mercado norte-americano e ajudou a redefinir o que se entendia por “evento televisivo” na época da tv sobre demanda. Essa percepção, sentida rapidamente pelos executivos da plataforma, transformou uma pequena minissérie de uma única temporada, originalmente intitulada Montauk, em uma das propriedades intelectuais mais cultuadas da atualidade, reunindo fãs de diferentes idades e que finalmente chega ao seu inevitável fim.

Muito desse sucesso se explica pela habilidade da série em dialogar com públicos variados: millennials, geração Z, fãs de cultura pop e, principalmente, nostálgicos dos anos 80. A ambientação e as constantes homenagens à década não apenas construíram identidade, como também geraram impactos reais fora da tela, sendo um dos casos mais emblemáticos o ressurgimento de Kate Bush, que viu Running Up That Hill (1985) atingir novos patamares de popularidade após seu uso marcante na quarta temporada.

Stranger Things deixa, assim, um legado como uma das séries mais populares e amadas do século XXI, abrindo caminho para spin-offs que a Netflix certamente explorará até o limite. Afinal, o serviço ainda não possui uma produção capaz de preencher o vácuo deixado por Hawkins. Mas o que, afinal, fez dessa série um fenômeno tão avassalador?

Millie Bobby Brown em cena de Stranger Things- Divulgação NETFLIX

Millie Bobby Brown em cena de Stranger Things- Divulgação NETFLIX

A resposta é mais simples do que parece. Stranger Things se apoia em múltiplos pilares de sucesso, cada um digno de análise própria. No entanto, quatro fatores se destacam acima de todos: personagens carismáticos, o uso intenso da nostalgia, a atmosfera constante de mistério e tensão e, talvez o mais importante, o fato de a série ter sido moldada a partir do algoritmo da Netflix. Baseada em dados de audiência e preferências do público, a produção foi gradualmente ajustada para entregar exatamente aquilo que o espectador queria ver, levando a um processo que, em muitos momentos, comprometeu a liberdade criativa e gerou decisões narrativas questionáveis.

É divertido ouvir Here Comes Your Man (1989, The Pixies) enquanto somos imersos em uma estética cuidadosamente construída, especialmente na terceira temporada, a mais vibrante e “anos 80” da série. Reconhecer referências diretas a clássicos como Jurassic Park (1993, Steven Spielberg), ou ver nomes como Robert Englund e Linda Hamilton no elenco, reforçando o carinho da produção pela história do cinema de terror e ficção científica.

No entanto, à medida que a série avança, ficava cada vez mais evidente que sua identidade original se diluiu. Seja por limitações criativas dos irmãos Duffer ou por fatores externos que afetaram a produção, Stranger Things se tornou menos uma obra autoral e mais uma colagem bem executada de referências consagradas e personagens arquetípicos amados por todos.

Essa sensação se intensifica quando pensamos no futuro da franquia. Daqui a dez anos, com prováveis três ou quatro spin-offs em circulação, o público retornará a esse universo por apego genuíno ou apenas por nostalgia? O destino será semelhante ao de Game of Thrones (2011, David Benioff, D.B. Weiss), cujo final afastou parte significativa de sua base de fãs?

Em comparação com produções recentes como Welcome to Derry (2025, Andy Muschietti), fica claro que Stranger Things optou por uma abordagem muito mais segura, formulática e confortável, evitando riscos narrativos reais. O resultado é um desfecho agridoce que, ao evitar o choque, falha em criar uma catarse duradoura.

Millie Bobby Brown e Sadie Sink em cena de Stranger Things- Divulgação NETFLIX

Millie Bobby Brown e Sadie Sink em cena de Stranger Things- Divulgação NETFLIX

O sucesso imediato é inegável. Basta observar a lotação da Parada Sinistra em São Paulo ou os mais de 15 milhões de dólares arrecadados pela rede AMC com a exibição do episódio final. No entanto, esses números refletem o auge do encerramento, não necessariamente a força de seu legado a longo prazo.

Em entrevistas, Maya Hawke revelou que sua personagem, Robin, foi inicialmente pensada como interesse romântico de Steve Harrington, mas acabou se tornando a primeira personagem abertamente LGBT+ da série após conversas com os Duffer. A questão que fica é: essa escolha, tão bem recebida na terceira temporada, foi fruto de planejamento ou improviso? E por que a mesma organicidade não se repetiu na construção do arco de Will? A sensação é de que muitas decisões foram tomadas “no caminho”, resultando em furos de roteiro, arcos incompletos, personagens importantes que não foram mais mencionados, e justificativas frágeis para escolhas narrativas equivocadas.

Essa falta de planejamento também se reflete na evolução estética da série. A primeira temporada apresentava uma paleta mais pastel e sombria, fortemente ligada ao terror. A terceira abraçou o exagero colorido dos anos 80, enquanto a última tenta retornar a um tom mais obscuro, porém de maneira muito mais plástica e artificial. Embora a proposta seja acompanhar o amadurecimento dos personagens rumo a uma grande batalha final, essa progressão raramente se sustenta quando analisada como um arco narrativo contínuo.

Winona Ryder em cena de Stranger Things- Divulgação NETFLIX

Winona Ryder em cena de Stranger Things- Divulgação NETFLIX

Ao optar por um final confortável, sem mortes significativas ou reviravoltas impactantes, Stranger Things entrega exatamente o que se esperava de seu final, mas pouco do que realmente surpreende. Muitos arcos permanecem mal resolvidos, o vasto elenco carece de funções narrativas relevantes, e o epílogo excessivamente longo não oferece a recompensa emocional que almeja.

Independentemente da leitura, o legado de Stranger Things é claro: uma fórmula de sucesso e alegria baseada em nostalgia, estímulos calculados e crescimento conjunto entre personagens diversos e facilmente adorados, e o seu respectivo público. Uma fórmula poderosa e que com certeza tentará ser repetida por diversos criadores, mas que, sem um planejamento sólido, e acima de tudo coragem para tomar decisões difíceis, não irá se sustentar a longo prazo.

Stranger Things está disponível no serviço de streaming da Netflix.

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Tags:CinemacríticaMillie Bobby BrownMontauknetflixnostalgiastranger thingsstreaming
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