Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e termos de uso.
Aceito
Vivente AndanteVivente AndanteVivente Andante
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Font ResizerAa
Vivente AndanteVivente Andante
Font ResizerAa
Buscar
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Hugh Jackman em "As Ovelhas Detetives"- Divulgação Sony Pictures
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘As Ovelhas Detetives’ – um filme bem além do infantil

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 1 de maio de 2026
5 Min Leitura
Share
Hugh Jackman em "As Ovelhas Detetives"- Divulgação Sony Pictures
SHARE

Dirigido por Kyle Balda, As Ovelhas Detetives prova como coração e ideias bem resolvidas conseguem elevar qualquer narrativa.

Recentemente, ouvi uma analogia que não saiu da minha cabeça: “os filmes adultos estão ficando mais infantilizados, enquanto os filmes infantis estão ficando mais profundos”. Basta comparar produções como Gato de Botas: O Último Pedido (2023, Joel Crawford), com parte do catálogo do MCU, muitas vezes sustentado por humor raso e espetáculo visual, para perceber que essa inversão não é tão absurda. As Ovelhas Detetives leva essa discussão ainda mais longe.

À primeira vista, o projeto não inspira grande confiança. Balda vem de uma trajetória associada a sucessos comerciais como Meu Malvado Favorito e os filmes dos Minions, produções populares, mas raramente elogiadas por sua profundidade dramática. No roteiro, Craig Mazin apresenta uma carreira igualmente irregular, alternando entre comédias frágeis e obras mais densas como Chernobyl e The Last of Us. Ainda assim, logo nos primeiros minutos fica claro que há algo diferente aqui.

O que se apresenta inicialmente como um simples mistério à la Agatha Christie rapidamente revela uma camada emocional muito mais densa. O filme surpreende ao construir uma reflexão honesta sobre luto, memória e perda, temas que, curiosamente, e sabiamente, nunca foram sugeridos pelo marketing.

Ovelhas em cena de "As Ovelhas Detetives"- Divulgação Sony Pictures

Ovelhas em cena de “As Ovelhas Detetives”- Divulgação Sony Pictures

A premissa central é tão simples quanto poderosa: as ovelhas possuem a capacidade de esquecer constantemente o que acontece ao seu redor. Esse esquecimento as protege da dor, mas também as impede de compreender a morte. A ideia funciona como metáfora direta sobre o modo como lidamos com a perda: até que ponto lembrar é necessário, e até que ponto esquecer é uma forma de sobrevivência?

É nesse ponto que As Ovelhas Detetives encontra sua maior força. Assim como em obras da Pixar como Viva: A Vida é uma Festa (2017, Adrian Molina, Lee Unkrich), há uma confiança rara em abordar temas complexos sem subestimar o público. As Ovelhas Detetives não simplifica suas questões, pelo contrário, as apresenta com sensibilidade e respeito, tanto para crianças quanto para adultos.

As relações entre as ovelhas, apoiadas em arquétipos clássicos como a heroína, o solitário e o amigo fiel, a jovem curiosa e o cordeiro do inverno criança, criam uma base emocional sólida. Há empatia genuína nessas interações, o que fortalece tanto o mistério quanto os momentos mais introspectivos. Em paralelo, o filme ainda encontra espaço para discutir preconceito e pertencimento, ampliando seu alcance temático sem parecer excessivo.

Visualmente e tonamente, a obra também se arrisca. Em alguns momentos, flerta com o horror de maneira surpreendente, evocando a tensão de A Fuga das Galinhas (2000, Nick Park, Peter Lord) ao contrastar criaturas fofas com a ameaça constante ao seu redor. Esse equilíbrio entre leveza e inquietação reforça a maturidade da narrativa.

Ovelhas em cena de "As Ovelhas Detetives"- Divulgação Sony Pictures

Ovelhas em cena de “As Ovelhas Detetives”- Divulgação Sony Pictures

Nem tudo funciona com a mesma força. O núcleo humano, apesar de contar com nomes como Emma Thompson e Nicholas Braun, carece do mesmo dinamismo presente entre as ovelhas. Seus diálogos são menos inspirados, e a trama sofre com pequenas quedas de ritmo. Ainda assim, o terceiro ato recupera parte dessa energia, especialmente com a resolução do mistério.

No fim, As Ovelhas Detetives se destaca por algo cada vez mais raro: confiança em sua própria história. Sem abrir mão do entretenimento, o filme entrega uma experiência sensível, reflexiva e surpreendentemente madura. É uma animação que entende seu público, e ainda mais importante, não tem medo dele.

Distribuído pela Sony Pictures, As Ovelhas Detetives estreia em 07 de abril.

Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!

Leia mais

  • Crítica: ‘Exit 8’ transforma repetição em terror
  • Crítica: ‘O Diabo Veste Prada 2’ é um glamoroso e eficiente Déjà vu
  • Crítica: ‘Nino de Sexta a Segunda’ reflete sobre os apoios invisíveis que encontramos
Tags:animação 2026animação com animais protagonistasanimação com mensagem profundaanimação infantil profundaanimação sobre lutoanimações estilo pixaranimações madurasas ovelhas detetivesas ovelhas detetives críticaas ovelhas detetives reviewCinemacomparação pixar e dreamworkscraig mazin roteirocrítica as ovelhas detetives filmecrítica de animaçãocrítica filmes hollywood atuaiscrítica filmes infantisDestaque no Viventefilme as ovelhas detetives estreiafilmes de animação 2026filmes de mistério animaçãofilmes estilo agatha christie animaçãofilmes infantis reflexivosfilmes infantis vs filmes adultosfilmes parecidos com coco pixarfilmes parecidos com divertidamentefilmes sobre memória e perdakyle balda direçãomelhores animações recenteswhodunit animação
Compartilhe este artigo
Facebook Copie o Link Print
PorAndré Quental Sanchez
Me Siga!
André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

Vem Conhecer o Vivente!

1.7KSeguidoresMe Siga!

Leia Também no Vivente

Harry Potter ganha nova versão na TV: veja quem vai viver Neville e Duda
CulturaSéries

Harry Potter na HBO: gravações começam e elenco surpreende

Redação
2 Min Leitura
Unidas pela esperança
Cinema e StreamingCríticaNotícias

Crítica | Unidas Pela Esperança

Carolina Caldas
3 Min Leitura
Grazi Massafera, André Luiz Miranda e David Júnior em imagem de divulgação de Dona Beja- Divulgação HBO MAX
Cinema e StreamingCrítica

Primeiras Impressões: Linda e ousada, ‘Dona Beja’ foca na centralidade das mulheres

André Quental Sanchez
6 Min Leitura
logo
Todos os Direitos Reservados a Vivente Andante.
  • Política de Privacidade
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?