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John Magaro e Britt Lower em cena de Conselhos de Um Serial Killer Aposentado- Divulgação Festival do Rio
Cinema e StreamingCrítica

Crítica Festival do Rio: ‘Conselhos de Um Serial Killer Aposentado’ é um estouro de humor ácido

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 5 de outubro de 2025
6 Min Leitura
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John Magaro e Britt Lower em cena de Conselhos de Um Serial Killer Aposentado- Divulgação Festival do Rio
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Dirigido por Tolga Karaçelik, Conselhos de Um Serial Killer Aposentado traz absurdos como gatilho humorístico em um universo particular nova iorquino

Apesar de nunca ter sido considerado um galã, e sempre ter demonstrado preferência por personagens esquisitos e marginalizados, é inquestionável que Steve Buscemi já provou inúmeras vezes sua habilidade não apenas como ator, mas também como uma figura genuinamente amada e pé no chão. Brilhando desde pequenas participações em comédias como Um Maluco no Golfe 2 (2025, Kyle Newacheck) até papéis marcantes em produções de Tarantino e dos Irmãos Coen, o simples anúncio de seu nome já desperta curiosidade e expectativa. Assim, quando seu rosto surge no pôster de Conselhos de Um Serial Killer Aposentado, de certa forma já sabemos o que esperar, mas entramos despreparados para as surpresas do filme.

Em sua primeira produção em língua inglesa, Tolga Karaçelik faz uma das comédias de humor ácido mais afiadas dos últimos anos. Demonstrando total compreensão das habilidades de seu trio de protagonistas, Buscemi, John Magaro e Britt Lower, permitindo que cada um explore ao máximo suas particularidades e resultando em uma química natural, onde as interações fluem com precisão e atuam de forma orgânica.

John Magaro e Steve Buscemi em cena de Conselhos de Um Serial Killer Aposentado- Divulgação Festival do Rio

John Magaro e Steve Buscemi em cena de Conselhos de Um Serial Killer Aposentado- Divulgação Festival do Rio

Ambientado em uma Nova Iorque noturna e inquietante, a trama gira em torno de Keane (Magaro), um escritor em crise criativa e conjugal, que busca inspiração para seu próximo livro ao se submeter a um tratamento nada convencional com Kollmick (Buscemi), um serial killer aposentado que sonha em ser mentor de um de seus autores favoritos. Na medida que as situações desandam, a produção evoca o caos urbano de Depois de Horas (1985, Martin Scorsese), conduzindo o espectador por momentos que ocorrem de maneiras imprevisíveis, sendo esta sensação de que “qualquer coisa, pode acontecer, a qualquer momento”, um dos grandes prazeres da obra

A estética contribui decisivamente para isso. A fotografia escura e quase onírica transforma a cidade em um palco sombrio e vazio, permitindo que o público aceite o absurdo e o humor negro sem resistência, tornando Conselhos de Um Serial Killer Aposentado uma fábula urbana, reminiscente tanto das histórias de máfia de Scorsese quanto do humor nonsense dos Coen, mas criando um mundo próprio, em que uma perseguição noturna pode culminar em corpos sequestrados e um taxista que, em vez de agir, prefere comentar a cena, um microcosmo perfeito da insanidade nova-iorquina.

A dinâmica entre Keane e Kollmick sustenta o centro emocional e cômico do filme. Keane é o Yang para o Yin de Buscemi: enquanto um é neurótico e nervoso, o outro irradia um mistério cínico, entregando cada fala com entonações marcantes que transitam entre o perigo e o riso, explorando com inteligência o imaginário prévio que o público apresenta de personagens de Buscim, ecoando figuras como Garland Greene, de Con Air (1997), e Carl Showalter, de Fargo (1996), e transformando em combustível para a comédia.

Mesmo com a presença de um ator tão potente, é Britt Lower quem rouba a cena, variando de momentos hilários aos perturbadores, cortando cebolas até chorar, somente porque gosta do som, anunciando friamente um pedido de divórcio enquanto empunha uma faca, ou ansiosa pois acredita que seu marido irá matá-la. Lower domina a tela com uma poker face irresistível, entregando no terceiro ato uma performance que leva o público do riso ao espanto, consolidando-se como o grande trunfo do filme.

Steve Buscemi em cena de Conselhos de Um Serial Killer Aposentado- Divulgação Festival do Rio

Steve Buscemi em cena de Conselhos de Um Serial Killer Aposentado- Divulgação Festival do Rio

Por fim, escalonando como um trem fora de controle, Conselhos de um Serial Killer Aposentado encontra graça na insanidade. O roteiro de Karaçelik utiliza diálogos afiados e trocas ácidas para refletir sobre temas como casamento, morte, lhamas e até Yes Sir, I Can Boogie (1977, Baccara). Nada em seu universo é para ser enxergado como realista, sendo tudo parte da estranha fábula nova-iorquina que só poderia terminar com alguém apontando uma arma para outra pessoa, com o público ansiando e sendo presenteado com isto, mas não do modo como originalmente esperava.

Com previsão de estreia nos cinemas brasileiros em 16 de outubro e distribuição da Synapse Distribution, Conselhos de Um Serial Killer Aposentado é um daqueles filmes que devem ser vistos com o maior número de pessoas possíveis, para assim realmente desfrutar todo o caos.

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Tags:Britt LowerCinemacríticaCrítica Conselhos de Um Serial Killer AposentadoDestaque no ViventeFábula Nova Iorquinafestival do rioNova IorqueSteve Buscemi
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
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