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Corra Que A Polícia Vem Aí
Cinema e StreamingCrítica

Crítica | ‘Corra Que A Polícia Vem Aí’ homenageia o passado com o pé na porta do presente

Por Cadu Costa
Última Atualização 13 de agosto de 2025
5 Min Leitura
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Foto: Divulgação
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Em uma era de reboots e continuações que raramente fazem jus aos seus legados, a simples ideia de um novo “Corra Que A Polícia Vem Aí” já soava como um crime. E escalar Liam Neeson, o ícone dos heróis de ação durões e implacáveis, para o papel que foi de Leslie Nielsen? Parecia loucura. Mas, como aprendemos com o Tenente Frank Drebin, às vezes a loucura funciona. Estreando amanhã, 14 de agosto, o novo filme não só entende a essência da anarquia original, como a atualiza para os dias de hoje com uma inteligência surpreendente.

Liam Neeson é a piada de ‘Corra Que A Polícia Vem Aí’

O grande trunfo, e a principal piada do filme, é a presença de Liam Neeson como Frank Drebin Jr. Desde “Busca Implacável” (2008), o ator construiu uma persona cinematográfica muito específica: o homem sério, de poucas palavras e muitas habilidades letais. O diretor Akiva Schaffer usa essa bagagem de mais de uma década não como um obstáculo, mas como a principal ferramenta cômica. Cada tropeção, cada fala sem noção, cada desastre causado por Drebin Jr. é potencializado pelo fato de ser Liam Neeson em cena. A graça não está apenas no que ele faz, mas na desconstrução hilária de tudo o que esperamos dele.

O roteiro de ‘Corra Que A Polícia Vem Aí‘ acerta em cheio ao misturar o clássico com o contemporâneo. A trama traz todos os personagens como filhos dos originais, e uma cena em particular define o tom do filme: enquanto Drebin Jr. e o filho de Ed Hocken (interpretado por Paul Walter Hauser) olham com carinho para as fotos de seus pais, o filho de Nordberg faz uma careta de desconforto ao ver a foto de O.J. Simpson. É uma piada de humor ácido, que só funciona para quem entende a referência externa, mostrando que o filme tem a coragem de ser tão relevante para 2025 quanto o original foi para os anos 80.

Como vilão, temos o sempre ótimo Danny Huston (o Stryker de “X-Men Origens: Wolverine”) como um magnata da tecnologia claramente inspirado em Elon Musk, com um plano megalomaníaco que satiriza a elite bilionária atual. Ele entrega o que o papel pede e visivelmente se diverte com a galhofa. A trama serve como uma desculpa funcional para uma metralhadora de piadas que, na maior parte do tempo, acertam o alvo.

Liam Neeson se diverte em ‘Corra Que A Polícia Vem Aí’ – Foto: Divulgação

Novo ‘Corra Que A Polícia Vem Aí’ é inferior aos originais

Contudo, é preciso dizer: ‘Corra Que A Polícia Vem Aí‘ é engraçado, mas seguramente inferior aos originais. O ritmo frenético nem sempre se sustenta e o embate final, embora tenha seus momentos, não é memorável. Além disso, a cópia exibida para a imprensa foi a dublada. Embora a dublagem brasileira seja excelente – e até inclua piadas localizadas sobre Atlético e Palmeiras –, é inegável que muito do humor se perde sem a entrega original e o tom mortalmente sério de Neeson, que é a base da piada.

No fim, ‘Corra Que A Polícia Vem Aí‘ é uma homenagem divertida e uma modernização bem-sucedida. E para provar que entende a indústria atual, o filme se entrega à sátira com três cenas pós-créditos, incluindo uma quebra da quarta parede e o retorno triunfal de um ícone da franquia, “Weird Al” Yankovic, selando a obra como um grande piscar de olhos para os fãs. É uma comédia que, mesmo sem o brilho do clássico, consegue arrancar boas risadas e justificar sua existência.

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Tags:CinemacomédiaCorra que a Polícia Vem AíCrítica Corra que a Polícia Vem AíDanny HustonDestaque no Viventeliam neesonPamela Anderson
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PorCadu Costa
Cadu Costa era um camisa 10 campeão do Vasco da Gama nos anos 80 até ser picado por uma aranha radioativa e assumir o manto do Homem-Aranha. Pra manter sua identidade secreta, resolveu ser um astro do rock e rodar o mundo. Hoje prefere ser somente um jornalista bêbado amante de animais que ouve Paulinho da Viola e chora pelos amores vividos. Até porque está ficando velho e esse mundo nem merece mais ser salvo.
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