Tuesday, September 21, 2021

Crítica | ‘Tempo’ de M. Night Shyamalan

O cineasta M. Night Shyamalan vem com sua nova obra: “Tempo” (Old). Tem dois filmes desse homem que gosto muito. “O Sexto Sentido”, de 1999, que lhe deu fama; e “Corpo Fechado”, de 2000, que muitos subestimam, mas que é ótimo. “O Sexto Sentido” marcou época com um final surpreendente e o diretor segue procurando manter essa linha. Dessa vez, ele foca em um novo thriller misterioso sobre uma família em um feriado. Acabam indo para uma praia isolada onde percebem que o tempo ali passa diferente, ou seja, mais rápido, de forma que as pessoas envelhecem com muita velocidade. Sendo assim, uma vida inteira corre em um único dia.

Shyamalan é chamado de visionário pelos marqueteiros de plantão. Aqui ele se baseia na HQ “Castelos de Areia” de Pierre-Oscar Levy. Aliás, essa obra ganhou relançamento no Brasil pela editora Tordesilhas. O filme, assim como a HQ, traz em seu subtexto o distanciamento familiar e a questão climática, além de outras surpresas.

Há críticas importantes, como o homem branco, médico, bem sucedido, que culpa um outro, negro, por tudo, mesmo que não o conheça. Aliás, esse mesmo que já estava na praia, o rapper Mid-Sized Sedan, acaba participando de pelo menos dois furos inexplicáveis no roteiro.

Bobo ou profundo?

O filme consegue oscilar entre querer ser profundo e ser bobo. Os diálogos, em sua maioria, são realmente bem ruins. A questão do envelhecimento rápido faz com que os personagens repensem a forma como escolheram viver e suas escolhas, mas fica tudo muito na superfície.

Por outro lado, o elenco é de respeito, bem internacional e diverso, com o vencedor do Globo de Ouro, Gael García Bernal (Mozart in the Jungle), Vicky Krieps (Trama Fantasma), Rufus Sewell (The Man in the High Castle ), Ken Leung (Star Wars: Episódio VII— O Despertar da Força), Nikki Amuka-Bird (O Destino de Júpiter), Abbey Lee (Lovecraft Country), Aaron Pierre (Krypton), Alex Wolff (Hereditário), Embeth Davidtz (Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres), Eliza Scanlen (Adoráveis Mulheres), Emun Elliott (Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força), Kathleen Chalfant (The Affair da Showtime) e Thomasin McKenzie (Jojo Rabbit).

Contudo, não foram as atuações que mais chamaram atenção. Pelo contrário é um elo fraco do filme e decepciona muitas vezes. Mas se o elenco é bom, porque ninguém atua bem como esperado? Acredito que foi o caminho escolhido pelo diretor. Tudo soa muito artificial.

É difícil se conectar com os personagens. Shyamalan ainda brinca consigo mesmo e com metalinguagem e o filme acaba fornecendo alguns momentos divertidos, os quais não parecem propositais. A obra namora com o bizarro. Entretanto, a localidade é linda, apesar dos exageros nos planos abertos. Tem jeito de filme B. Também lembrei da série “Lost” pela forma como o mistério caminha e o mote de estarem presos ali. Talvez até a ideia do filme funcionasse melhor como uma série.

Por fim, M. Night Shyamalan cria expectativas com “Tempo”, mas não preenche. O conceito do filme é ótimo e me pegou de cara, despertando minha curiosidade. O início não é ruim, porém já mostra logo o problema dos diálogos, o qual já citei. O final causa alguma surpresa, mas nada de tanto impacto quanto poderia ser.

Afinal, confira o trailer:

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