Dirigido por Catherine Hardwicke, Crepúsculo retorna aos cinemas e prova que, mesmo com problemas, ainda mantém um forte vínculo com o público.
Durante anos, nunca tive interesse em assistir Crepúsculo. Apesar de gostar de histórias de vampiros, a trajetória de Edward e Bella nunca despertou meu interesse. Muito disso se deve ao tom pejorativo com que o filme foi discutido ao longo do tempo. Ainda assim, seu impacto cultural era inegável. Eu conhecia cenas, falas e momentos importantes, mesmo sem nunca ter dado uma chance real à obra.
Assistir ao filme em uma sala cheia mudou completamente a experiência. O envolvimento do público, reagindo a cada aparição de personagens e a cada cena marcante, evidencia o quanto Crepúsculo ainda é capaz de mobilizar emoções. Não se trata apenas de nostalgia, mas de um vínculo genuíno que continua se renovando.

Robert Pattinson e Kristen Stewart em cena de “Crepúsculo”- Copyright Summit Entertainment
Lançado em 2008, o filme é um retrato evidente de sua época. A estética carrega excessos, com escolhas de câmera que muitas vezes parecem deslocadas, além de um tom que abraça o brega sem pudor. Ainda assim, há coerência dentro da proposta. A obra nunca tenta ser mais do que é: uma história romântica fantástica sobre um amor impossível.
As atuações são irregulares, e aclamadas por isso. Kristen Stewart apresenta uma interpretação contida a ponto de soar apática em diversos momentos, enquanto Robert Pattinson constrói um Edward introspectivo, mas por vezes pouco expressivo. No entanto, essas fragilidades não anulam o principal motor do filme: a tensão entre os protagonistas.
A relação entre Edward e Bella é construída sobre desejo e repressão. Existe uma carga sensual constante, mesmo sem nunca se concretizar plenamente. O filme aposta em olhares, silêncios e diálogos carregados de subtexto. Essa escolha dialoga diretamente com o público adolescente, especialmente por refletir um período marcado por descobertas e conflitos internos, a famosa puberdade. O tempo que o filme leva para desenvolver um simples beijo é sintomático dessa abordagem, e quando finalmente acontece, o público vai à loucura.
Narrativamente, Crepúsculo prioriza o romance. A ação existe, mas ocupa um espaço secundário e limitado aos minutos finais. O foco está na construção desse amor proibido, que conversa com instintos básicos e universais. Ainda que muitos diálogos soem exagerados ou datados, há uma sinceridade emocional que sustenta o envolvimento do espectador.

Robert Pattinson e Kristen Stewart em cena de “Crepúsculo”- Copyright Summit Entertainment
As cenas mais icônicas continuam eficazes. O primeiro encontro entre os protagonistas, o salvamento no estacionamento, a revelação na floresta e o jogo de baseball permanecem marcantes. Parte dessa força vem da forma como o público reage a esses momentos, transformando a exibição em uma experiência coletiva.
Do ponto de vista técnico, as limitações são evidentes, e ainda mais perceptíveis com o passar do tempo. No entanto, o valor de Crepúsculo nunca esteve em sua sofisticação formal. Seu impacto está na capacidade de criar identificação e gerar engajamento.
Pessoalmente, o filme ainda não me agrada. Seu tom exagerado e algumas escolhas narrativas o tornam difícil de levar a sério, e talvez já tenha passado a época da produção realmente me marcar. Ainda assim, ignorar sua importância é impossível. Crepúsculo se consolidou como um fenômeno cultural que ultrapassa a qualidade técnica e se sustenta na força de sua recepção.
Com quase duas décadas desde seu lançamento, revisitar o filme exige considerar esse contexto. Mais do que uma simples história de vampiros, ele representa um momento específico do cinema e da cultura pop. Seu legado está justamente nessa capacidade de provocar reações, sejam elas positivas ou negativas
No fim, Crepúsculo permanece relevante por um motivo simples: ele faz o público sentir algo. Raiva, alegria, tristeza, desejo, qualquer uma destas emoções e muito mais. E, no cinema, isso é o que mais importa.
Distribuído pela Paris Filmes, Crepúsculo estreia nos cinemas no dia 19 de Março, com o relançamento de Lua Nova (2009, Chris Weitz) já com previsão de estreia para 16 de Abril de 2026.
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