Dirigido por Brent Dawes e Phil Cunningham, Davi: Nasce Um Rei adapta a clássica história bíblica utilizando com eficiência elementos que consagraram o cinema de animação ocidental.
Em pré-estreia realizada na última terça-feira, 6 de janeiro, o cinema UCI do Shopping Anália Franco apresentou uma fila que se estendia para fora do complexo, refletindo a grande expectativa do público em conferir, em primeira mão, Davi: Nasce Um Rei, evidenciando a força que uma produção audiovisual pode exercer sobre seu público quando dialoga diretamente com suas crenças, afetos e referências culturais.
Distribuído internacionalmente pela Angel Studios, responsável por O Rei dos Reis (2025, Jang Seong-ho) e pelas primeiras temporadas da série The Chosen (2017–, Dallas Jenkins e Ryan Swanson), o longa se baseia nos livros de 1 e 2 Samuel para retratar a jornada do jovem pastor de ovelhas que enfrenta desafios físicos, políticos e psicológicos até se tornar rei de Israel.

Cena de “Davi: Nasce um Rei”- Divulgação Angel Studios
Visualmente, a animação se mostra consideravelmente mais madura do que O Rei dos Reis. O 3D apresenta identidade própria, especialmente nas composições que exploram a luz com grande sensibilidade. Há planos gerais que reforçam a pequenez de Davi diante de cenários grandiosos, principalmente logo antes de enfrentar Golias, e um cuidado estético evidente na dicotomia cromática entre azul e vermelho, com cada detalhe sendo minuciosamente trabalhado: até o reflexo da espada se mostra limpo, preciso e carregado de peso narrativo.
No roteiro, Davi: Nasce Um Rei encontra seu maior trunfo. A obra brilha especialmente para quem já possui familiaridade com a história, mas sem perder de vista seu público-alvo principal: o infantil e juvenil. Para isso, opta por suavizar ou ocultar episódios mais pesados do texto original e por excluir personagens como Mical, filha de Saul, que, embora relevantes no contexto bíblico, desviaria o foco da narrativa. Por consequência, a produção se fortalece na relação entre Davi e Jônatas, filho de Saul, e nos conflitos políticos e da fé que Davi enfrenta.
Em vez de tentar reinventar a história, o filme escolhe uma abordagem clássica, pouco inovando narrativamente em relação à Bíblia. O foco recai sobre estruturas tradicionais do cinema de aventura: alívios cômicos, números musicais (por vezes exagerados, mas eficazes) e momentos de grandiosidade emocional, enquanto as canções cumprem papel fundamental ao reforçar Davi como músico e poeta, aspecto frequentemente negligenciado em outras adaptações do personagem.

Cena de “Davi: Nasce um Rei”- Divulgação Angel Studios
Diversos enquadramentos remetem diretamente à O Rei Leão (1994, Rob Minkoff e Roger Allers), enquanto outras sequências evocam a franquia O Senhor dos Anéis (2001-2003, Peter Jackson) por conta de seu retrato de batalhas grandiosas, mas acima de tudo, a produção se apropria de regras clássicas do cinema de animação em si, principalmente da Disney, para construir uma obra que conquista pelo cuidado técnico e pela sinceridade de sua proposta.
História simples, personagens carismáticos, a música como motor narrativo, regras claras entre bem e mal, uma mensagem final esperançosa, todas estas questões e muito mais estão presentes nas produções que marcaram nossa infância, afinal, são regras do cinema clássico que se mostram eficientes, e aprimoram todo tipo de produção, incluindo Davi: Nasce um Rei.
Apesar de apresentar uma leve queda de ritmo entre o segundo e o terceiro ato, e não apresentar tantas abordagens inovadoras quanto tinha ao seu alcance, Davi: Nasce um Rei possui força suficiente para manter o público engajado até o fim. Ao mesmo tempo em que introduz um dos maiores reis da Bíblia a uma nova geração, a obra respeita a trajetória de um personagem profundamente significativo para milhões de pessoas que acreditam e se inspiram em sua história, que até mesmo gritaram em sua homenagem durante a sessão da pré estreia, e isto com certeza conta a favor do filme.
Distribuído no Brasil pela Heaven Content, Davi: Nasce Um Rei estreia nos cinemas no dia 15 de janeiro.
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