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Gerard Butler, Morena Baccarin e Roman Griffin Davis em cena de "Destruição Final 2"- Divulgação Diamond Pictures
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Destruição Final 2’ prova que nem todo filme de desastre sobrevive a uma sequência

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 1 de fevereiro de 2026
5 Min Leitura
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Gerard Butler, Morena Baccarin e Roman Griffin Davis em cena de "Destruição Final 2"- Divulgação Diamond Pictures
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Dirigido por Ric Roman Waugh, Destruição Final 2 continua a saga de sobrevivência da família Garrity, deixando para trás a diversão e a inteligência do primeiro filme.

Do mesmo modo que filmes de monstros, produções distópicas e pós-apocalípticas sempre são um chamariz para blockbusters que variam dos genéricos aos mais interessantes. No caso de Destruição Final: O Último Refúgio (2020, Ric Roman Waugh), o público se mantém entretido por conta da narrativa que opta por focar neste pai que moveria montanhas para proteger a família. Entre catástrofes naturais e a própria humanidade em colapso, o longa entrega um filme de desastre promissor, e que não precisava de sequência, embora, inevitavelmente, ela tenha vindo.

Destruição Final 2 se passa cinco anos após o desfecho do primeiro filme e volta a acompanhar os Garrity em uma jornada até um suposto Éden. Assim, enfrentam mais uma vez as consequências da queda do meteoro Clarke e a violência motivada pela instinto de sobrevivência humana. O problema é que, apesar de tão semelhante ao original, a sequência perde força, tensão e empatia, elementos tão presentes no primeiro filme, entregando um roteiro conveniente demais a favor da família, o que limita a tensão em praticamente todos os momentos.

Gerard Butler em cena de "Destruição Final 2"- Divulgação Diamond Pictures

Gerard Butler em cena de “Destruição Final 2”- Divulgação Diamond Pictures

Há personagens que simplesmente desaparecem e não voltam mais; possibilidades de arco jamais exploradas; mortes que ocorrem de forma aleatória, sem peso ou consequências. E, acima de tudo, há decisões que esvaziam figuras importantes, como Allison, que, ao matar pela primeira vez, não provoca qualquer impacto real na narrativa, sem traumas ou consequências dramáticas, algo impensável no primeiro longa, que conduzia organicamente tudo para um objetivo claro: o reencontro da família.

Como na sequência a família permanece reunida, “se amando” o tempo todo, o filme abre espaço para momentos introspectivos, reflexivos e até semi-poéticos, em uma tentativa de profundidade sobre como se manter otimista em um mundo tão traumático. No fim, porém, isso pouco acrescenta, soando mais como breguice e fragilidade do que como desenvolvimento real. Enquanto no original essa união tinha solidez, aqui ela vira um atalho emocional.

O foco sempre foi a família e sua união, isso é inevitável. Mas o apagamento, o desprezo e o sumiço dos demais personagens incomodam: às vezes, um grupo de dezenas de pessoas simplesmente some para, na cena seguinte, sobrar apenas os que “realmente importam”. Isso me lembra uma fala de Bob Esponja: Um Herói Fora D’Água (2015, Paul Tibbitt, Mike Mitchell), quando um dos peixes diz: “Ok, todos os coadjuvantes comigo”. Aqui, qualquer personagem fora do núcleo principal ou morre, ou desaparece, sem impacto narrativo.

Gerard Butler, Morena Baccarin e Roman Griffin Davis em cena de "Destruição Final 2"- Divulgação Diamond Pictures

Gerard Butler como John Garrity, Morena Baccarin como Allison Garrity e Roman Griffin Davis como Nathan Garrity em cena de Destruição Final 2. Photo Credit: Courtesy of Lionsgate

Quando Destruição Final 2 se apoia em decisões fáceis, e às vezes inverossímeis dentro do mundo que apresenta, ele perde justamente o que tornava o primeiro filme potente: o retrato e a dor das decisões difíceis impostas pela sobrevivência. Em troca, entrega uma produção vazia, com efeitos especiais que deixam a desejar, incoerências e retcons, apesar de um arco ainda centrado em John, sendo melancólico, sim, mas simples e confortável demais para gerar tensão ou preocupação genuína.

Com ritmo mais lento, uma paleta apagada em tons de cinza, branco e bege, que drena a vida das cenas, e situações perigosas resolvidas de forma fácil, direta e até incongruente, Destruição Final 2 deixa a desejar em muitos aspectos. Um dos poucos alívios é que, após duas jornadas, tudo indica que este será, enfim, o fim desta narrativa.

Distribuído pela Diamond Films Brasil, Destruição Final 2 estreia nos cinemas em 05 de fevereiro de 2026.

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Tags:Cinemacríticacrítica destruição final 2destruição finaldestruição final 2Diamond Pictures
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
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