Dirigido por Simon Curtis, Downton Abbey: O Grande Final chega como um derradeiro presente aos fãs, reunindo homenagens e momentos capazes de aquecer o coração de quem acompanhou a família Crawley
Poucas séries conseguem sustentar um legado tão duradouro quanto uma novela de uma família aristocrata que se mantém relevante mesmo após 15 anos de seu lançamento. Ao longo de seis temporadas, quinze prêmios Emmy e duas adaptações para o cinema, Downton Abbey se consolidou como um fenômeno de qualidade e emoção, e o seu mais recente lançamento não entrega nada menos do que isso.
Ainda que cada desfecho anterior já parecesse definitivo, Julian Fellowes insiste em nos dar mais um reencontro. Desta vez, acompanhamos Mary envolvida em novo escândalo, algo que sempre marcou sua trajetória desde a primeira temporada com o caso de Kemal Pamuk, porém, agora as consequências de seu divórcio com Henry Tabolt, ameaçam a estabilidade familiar e social de Downton como um todo.

Phyllis Logan, Dominic West, Lesley Nicol, Arty Froushan, Jim Carter, Rob James-Collier, Sophie McShera em cena de Downton Abbey: O Grande Final- Copyright 2025 FOCUS FEATURES LLC. ALL RIGHTS RESERVED
O filme assume um tom de passagem de bastão: de Mrs. Patmore para Daisy, de Carson para Alfred, de Robert para Mary. São símbolos de uma nova geração que enfrentará os anos 1930 segundo novos mandamentos pessoais, em uma época que a aristocracia já não ostenta a mesma pompa de 1912. Essa mudança histórica traz uma melancolia inevitável para este último capítulo, contrastando com a vitalidade de Uma Nova Era (2022), ainda o ponto alto da trilogia cinematográfica, porém, Downton Abbey: O Grande Final indica a todo momento que este é realmente a última dança dos Crawley, com um fechamento inicial de cortina, e o título aparecendo ao som de uma plateia inteira aplaudindo.
Tecnicamente, o longa mantém o padrão da série, mas com uma escala mais grandiosa no cinema: planos abertos belíssimos, figurinos deslumbrantes e direção de arte impecável. Não há grandes catarse ou reviravoltas dramáticas, afinal, Downton Abbey sempre foi mais próxima de Jane Austen do que de narrativas explosivas, com o foco ainda sendo em seus personagens e sua humanidade, algo marcante desde o começo da produção, e tratado com muito respeito até em personagens mais recentes, e já queridos, como o carismático Guy Dexter.
Fellowes continua fiel às marcas registradas de cada figura, ao mesmo tempo permitindo evolução de cada uma delas, em algo que inicialmente nenhum deles acreditava que seria possível. Molesley ganha o amor próprio que buscou por tanto tempo, Thomas finalmente encontra paz, Tom conclui o seu arco para um capitalista nato, algo exemplificado inclusive verbalmente, e Edith mostra a força que lhe faltou por tantos anos. Até Harold, interpretado por um Paul Giamatti que anteriormente era um coadjuvante esquecido, e agora atua como peça-chave na trama financeira de Downton.

Laura Carmichael, Michelle Dockery em cena de Downton Abbey: O Grande Final- Copyright 2025 FOCUS FEATURES LLC. ALL RIGHTS RESERVED
Como despedida, o filme pode não ser o mais forte da franquia, mas cumpre o papel de encerrar arcos importantes, inclusive dando nova profundidade ao passado de Bates, que finalmente deixa implícito uma grande teoria dos fãs sobre o seu acidente. E, acima de tudo, mantém viva a memória da inesquecível Violet Crawley, constantemente evocada como sombra e inspiração de Mary, a verdadeira protagonista dessa longa jornada e a herdeira de todo o legado, desde o primeiro episódio, até este glorioso final.
Downton Abbey: O Grande Final não reinventa a série, nem acrescenta nada de novo a uma narrativa tão tradicional, mas oferece um adeus digno e afetuoso. Um fechamento que, mesmo melancólico, reafirma por que esses personagens se tornaram parte da nossa família, e que de uma forma ou outra, sentiremos muita falta.
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