Tuesday, October 27, 2020

El Camino – Crítica

Para além da primeira camada de”El Camino”, o filme de Gilligan não deixa de ser um grande limbo que o protagonista precisa passar. Atormentado pelos fantasmas do passado, Jesse Pinkman só conseguirá seguir em frente uma vez que enfrentá-los. O longa-metragem da netflix é continuação direta de uma das maiores séries de todos os tempos, “Breaking Bad”.

Por isso, é muito interessante notar como os flashbacks funcionam. Apesar de pertencerem a um tempo passado, há essa tensão invisível que leva quase a uma autoconsciência dos personagens sobre o peso de suas conversas. É essa atemporalidade dos diálogos que levam o filme para uma dimensão metafísica. Jesse está, de uma vez por todas, fechando seu ciclo com Mike, Walter e Jane.

É um filme que passa toda essa ideia de caminhada, algo que está presente desde o título do longa até na localização das cenas finais e iniciais. Quando conversa com Mike, o grande rio em movimento é enfatizado, retomando esta ideia de fluxo. No mesmo sentido, também há o encontro com Jane no meio de uma estrada deserta que se perde em um horizonte.

O adeus de Jesse Pinkman

Ou seja, mais do que um simples fan-service, os flashbacks acabam funcionando como o adeus de Jesse Pinkman ao seu passado. Aliás, é também um acerto de contas, pois muitas pendências foram deixadas. E isso é algo até que se reflete na aventura do presente. Praticamente um protagonista solitário de um filme de Western com seu “cavalo” (o carro), ele tem até o típico duelo com a figura que representa seu antigo eu: um viciado em drogas.

Por fim, “El Camino” acaba sendo uma grande digressão saudosista de Gilligan. Todos os flashbacks possuem esse ar contemplativo não só porque Pinkman visita os amigos pela última vez, mas a audiência também. Eles são como aqueles fantasmas que vagam pela Terra e só irão ao céu quando cumprirem sua missão. No caso: libertar Jesse.

@universocritico

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