Crítica
El Camino – Crítica
Publicado
4 anos atrásem
Por
Michel Gutwilen
Para além da primeira camada de”El Camino”, o filme de Gilligan não deixa de ser um grande limbo que o protagonista precisa passar. Atormentado pelos fantasmas do passado, Jesse Pinkman só conseguirá seguir em frente uma vez que enfrentá-los. O longa-metragem da netflix é continuação direta de uma das maiores séries de todos os tempos, “Breaking Bad”.
Por isso, é muito interessante notar como os flashbacks funcionam. Apesar de pertencerem a um tempo passado, há essa tensão invisível que leva quase a uma autoconsciência dos personagens sobre o peso de suas conversas. É essa atemporalidade dos diálogos que levam o filme para uma dimensão metafísica. Jesse está, de uma vez por todas, fechando seu ciclo com Mike, Walter e Jane.
É um filme que passa toda essa ideia de caminhada, algo que está presente desde o título do longa até na localização das cenas finais e iniciais. Quando conversa com Mike, o grande rio em movimento é enfatizado, retomando esta ideia de fluxo. No mesmo sentido, também há o encontro com Jane no meio de uma estrada deserta que se perde em um horizonte.
O adeus de Jesse Pinkman
Ou seja, mais do que um simples fan-service, os flashbacks acabam funcionando como o adeus de Jesse Pinkman ao seu passado. Aliás, é também um acerto de contas, pois muitas pendências foram deixadas. E isso é algo até que se reflete na aventura do presente. Praticamente um protagonista solitário de um filme de Western com seu “cavalo” (o carro), ele tem até o típico duelo com a figura que representa seu antigo eu: um viciado em drogas.
Por fim, “El Camino” acaba sendo uma grande digressão saudosista de Gilligan. Todos os flashbacks possuem esse ar contemplativo não só porque Pinkman visita os amigos pela última vez, mas a audiência também. Eles são como aqueles fantasmas que vagam pela Terra e só irão ao céu quando cumprirem sua missão. No caso: libertar Jesse.
Acredito que o Cinema não é ciência, mas sentimento. Logo, o meu cinema não é o seu cinema, e vice-versa. Minha missão paradoxal é a de expressar objetivamente a minha relação subjetiva com o filme. Se quiser me conhecer, assista Two Lovers e I Killed My Mother.

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Crítica
Crítica | One Piece, a série, primeira temporada na Netflix
Fidelidade e diversão
Publicado
6 horas atrásem
21 de setembro de 2023Por
MelissaPinto
“One Piece, a série” da Netflix é um live-action baseado no mangá de Eiichiro Oda, o qual é publicado desde julho de 1997 e segue até os dias de hoje com mais de 100 volumes. A obra original tem tradução para vários idiomas, além de ter uma adaptação de anime, vários filmes (como esse que vi e fiz a crítica), jogos e muito produtos como brinquedos, acessórios e muito mais.
A série da Netflix teve a difícil tarefa de tentar adaptar o primeiro grande arco desse mangá, East Blue, que compõe aproximadamente 12 volumes e algo em torno de 44 episódios e um pouco mais. Todos estavam preocupados em como seria feito o live action, pois “One Piece” não é somente um mangá de “luta”, nele há muita comédia onde seu criador não tem medo de fazer personagens bem típicos de cartoon, localizações incríveis ou malucas, onde tudo é uma grande aventura, cheia de descoberta e diversão.
Contudo, a série abraça lindamente toda essa “maluquice” que o mangá tem e proporciona, toda essa identidade de “One Piece”. Personagens com “cabelos de anime”, formas de lutas que não fazem sentido, mas que são “legais”. Tentando fazer um certo balanço entre live action e anime, mas sem nunca perder a identidade da obra.
One Piece: Ligações Perigosas
Uma coisa bem interessante da obra são as ligações no enredo. Para quem acompanha o anime e o mangá, como eu, sabe que Eiichiro Oda com o tempo fez vários retcons (continuidade retroativa, a alteração de fatos previamente estabelecidos na continuidade de uma obra ficcional). Não falo isso com se fosse um demérito, pois o autor sempre trabalhou duro para que tudo sempre pareça que foi pensado desde o início. Porém, o live action tem a vantagem de a obra original já ter mais de mil capítulos, ou seja, as ligações na obra tem a chance de serem melhor trabalhadas.
A qualidade do CGI não ser perfeita não é algo que incomoda, e nem é realmente algo negativo. Se você se abrir para toda a maluquice gostosa e aventura vibrante que “One Piece” tem para lhe oferecer, tudo acaba se encaixando e sendo gostoso de acompanhar.
A caracterização pode ser algo que causa um certo estranhamento num primeiro momento, mas quando esses personagens começam a interagir entre si, não causa nenhuma estranheza. O problema vem quando eles ficam em volta de ‘personagens normais”, como uma população, por exemplo. Isso acaba fazendo eles se destacarem como “uma pessoa fantasiada” e acaba, em alguns momentos, tirando você desse mundo imagético. O que me faz pensar se não era possível colocar, mesmo de fundo, um pouco mais de caracterização “anime” para não ficar tão gritante as diferenças de roupas que às vezes acabam tirando um pouco daquele mundo.
Fidelidade excessiva?
O que mais incomoda são as recriações as vezes fiéis até demais ao mangá. Não digo que isso seja ruim em si, mas poderia ser mais interessante em alguns momentos ver os personagens lutando de outras maneiras. A luta final do Luffy, por exemplo, acaba ficando mais cansativa e sinto que um pouco sem propósito de como acontece porque precisa terminar e ser o mais fiel possível ao mangá. Às vezes eles acertam, como em lutas do Zoro, mas em outras essa “cópia” do mangá acaba atrapalhando um pouco.
Além disso, fico feliz de ver que a série parece querer mostrar tudo o que a obra tem para falar. Questões como racismo, liberdade, governo corrupto, tudo isso e muito mais já começa a se mostrar desde o início da série. Coisa que o mangá só começa a trabalhar mais a fundo, por vezes, muitos arcos depois. “One Piece” é uma obra que tem muito a nos dizer, principalmente sobre preconceito, e, embora ainda tímido nessa primeira temporada, pelo menos já pudemos ter um vislumbre.
Em suma, “One Piece, a série” da Netflix se mostra muito interessante e bem divertida. Prova que é possível sim fazer uma boa adaptação de mangá/anime e como tudo fica bem melhor quando abraçamos a linguagem e a forma de contar história daquele outro país. Não tenha vergonha do “ridículo”, ridículo é tentar transformar tudo numa única forma de narrativa e caracterização. Quando abraçamos o outro, podemos tentar criar aventuras divertidas e gostosas de se acompanhar. Já estou curiosa para ver como vão adaptar a segunda temporada que foi confirmada.
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