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Desenhos
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: Filme ‘Desenhos’ é fantasia nostálgica com coração de anos 80

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 27 de agosto de 2025
5 Min Leitura
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Cena de Desenhos- Divulgação Angel Studios
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Dirigido por Seth Worley, Desenhos traz monstros, fantasia e emoção em uma aventura que mistura nostalgia dos anos 80 com temas de luto e superação

Desde os primórdios do cinema, monstros povoam as telas, de Georges Méliès a produções cult como O Ataque dos Tomates Assassinos (1978, John De Bello). Esse imaginário consolidou convenções: experimentos que dão errado, ameaças vindas do espaço, ou crianças se unindo para enfrentar perigos, como em Stranger Things (2016, Matt e Ross Duffer), levou o público a uma consciência e uma previsão do que vai acontecer, antes mesmo de acontecer, assim, hoje o desafio dos diretores é surpreender o público com novas abordagens ou subverter essas fórmulas. É exatamente o que faz a mais nova produção de Seth Worley: Desenhos.

A produção se apresenta como um clássico filme de monstros: som inspirado em produções de monstros dirigidas por Roger Corman, closes dramáticos da protagonista e criaturas monstruosas que precisam ser derrotadas. Com orçamento modesto (menos de 5 milhões, segundo IMDb e Box Office Mojo), impressiona por sua narrativa eficiente que apesar de se inspirar em uma fórmula já desgastada no cinema, é criativa em seu arco dramático e eficiente nos efeitos, superando produções dez vezes mais caras do que este modesto e independente filme.

Desenhos

Cena de Desenhos- Divulgação Angel Studios

Com atmosfera oitentista, o longa dialoga com diversas produções fantásticas da época como E.T. O Extraterrestre (1982, Steven Spielber) e Labirinto – A Magia do Tempo (1986, Jim Henson), entre outras marcaram gerações, apostando em uma aventura simples, divertida e emotiva. A trama acompanha Amber, uma menina solitária cujo caderno cai em um lago mágico, dando vida a seus desenhos, assim, para derrotar as criaturas, ela se une ao irmão, a um colega de escola, ao pai e à tia. A premissa infantil revela-se profunda, explorando luto, perdão e superação de forma acessível tanto a crianças quanto a adultos, lembrando os melhores momentos de uma Pixar anterior à compra oficial pela Disney.

Worley conduz a narrativa de forma ágil, apresentando os personagens rapidamente e guardando revelações emocionais para o terceiro ato, quando o peso da perda familiar vem à tona. Entre frases de efeito e humor visual reforçado pela diversidade de monstros, e algumas analogias óbvias como as cores no rosto que remetem diretamente à sangue, ou as “armas” dos monstros ser em forma de cor e glitter, o filme equilibra drama e leveza, chegando a momentos de genuína comoção que não ocorre somente uma vez, porém, em diversos momentos, e sempre de modo eficaz.

As criaturas, fruto da imaginação de uma criança de 10 anos, não seguem lógica realista: são falhas, caricatas, gigantes, feias e coloridas. Mas é justamente essa ingenuidade que torna os efeitos críveis dentro do tom lúdico, sendo auxiliado por um design exagerado das cores e a estética que mistura inocência infantil e referências do horror criam uma experiência única, mágica e divertida.

Desenhos

CenTony Hale e D’Arcy Carden em cena de Desenhos- Divulgação Angel Studios

Dividido entre o núcleo infantil e o adulto, Desenhos mantém ritmo ágil e atmosfera encantadora, transformando lápis e tinta em metáforas visuais de dor, memória e esperança, entregando ao seu final bem mais do que inicialmente promete: diversão, reflexão e conforto, tudo o que podemos esperar de uma produção de fantasia para a família toda.

Distribuído pela Paris Filmes, Desenhos estreia em 4 de setembro nos cinemas.

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Tags:anos 80Crítica DesenhosDesenhosFANTASIAFilme de FantasiahorrorLUTOnostalgiaSeth Worleysteven spielberg
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