Dirigido por Kristoffer Borgli, O Drama se apresenta inicialmente como uma história tradicional, mas muito mais intrigante do que aparenta.
Quando dizemos que alguém está sendo dramático, geralmente nos referimos a um exagero, uma reação desproporcional a algo que, para os outros, parece pequeno. No entanto, para quem vivencia o drama, aquela situação ganha proporções imensas. À medida que amadurecemos, espera-se que aprendamos a lidar melhor com essas emoções. Ainda assim, vemos diariamente como pequenos gatilhos podem despertar reações intensas, quase instintivas, de “lutar ou fugir”. É exatamente nesse território que O Drama se estabelece.
Com um elenco estrelado por Robert Pattinson, Charlie, e Zendaya, Emma, o marketing aposta, de forma acertada, na química do casal, algo que de fato se sustenta ao longo do filme. No entanto, o direcionamento dos trailers pode ter sido um pouco enganoso. Ao sugerir um grande segredo capaz de destruir um casamento iminente, a divulgação aponta para um drama romântico convencional. O que encontramos, porém, é uma abordagem muito mais cômica, ácida e farsesca.

Zendaya em cena de “O Drama”- Divulgação Diamond Pictures
O segredo em si é apenas o ponto de partida. Seu verdadeiro peso está nas consequências que desencadeia. A narrativa utiliza os votos de casamento como estrutura para revisitar momentos felizes do casal, contrastando com a crescente paranoia de Charlie. Uma revelação do passado de Emma, distante no tempo, passa a corroer a estabilidade emocional do relacionamento. Pattinson entrega uma performance precisa, marcada por tiques e uma inquietação constante, transmitindo com eficácia a espiral de dúvida que consome seu personagem.
Assim como em Procura-Se Amy (1997, Kevin Smith), o filme explora uma ideia central de forma direta: amar alguém implica aceitar seu passado, caso contrário, esse passado se torna destrutivo. O Drama desenvolve essa premissa com humor despretensioso e situações que oscilam entre o absurdo e o desconforto.
Ao longo de quase duas horas, o casal se envolve em uma sucessão de conflitos cada vez mais caóticos. Como espectadores, somos colocados na posição de observadores fascinados pelo colapso, acompanhando reviravoltas, intrigas, rompimentos, situações que não sabemos se realmente aconteceu ou se é paranoia de Charlie, e situações constrangedoras das quais é difícil desviar o olhar. Há, inclusive, uma crítica implícita ao nosso próprio interesse por esse tipo de espetáculo.
Visualmente, o filme mantém uma fotografia limpa e marcante, alinhada ao estilo frequentemente associado às produções da A24. Mas sua força está no roteiro, que conduz a narrativa com ritmo ágil e nos leva por uma verdadeira montanha-russa emocional. A trilha sonora reforça essa intensidade, contribuindo para a construção de uma atmosfera que alterna entre tensão, humor e estranhamento.

Robert Pattinson e Zendaya em cena de “O Drama”- Divulgação Diamond Pictures
Mais do que um romance, O Drama é uma reflexão sobre relacionamentos e sobre nossa capacidade, ou incapacidade, de lidar com o passado. Afinal, até que ponto conhecemos quem amamos? E, diante de uma revelação perturbadora, seríamos capazes de superar?
O filme não oferece respostas fáceis. Em vez disso, mergulha no caos: discussões, mal-entendidos, traições e exageros que flertam com o melodrama, mas são conduzidos com um humor afiado e eficiente.
Pode até ser uma produção de escala modesta, mas O Drama se destaca pela sua potência, e pela forma como transforma insegurança e paranoia em espetáculo para toda uma audiência ansiosa por mais e mais drama.
Distribuído pela Diamond Pictures, O Drama estreia nos cinemas no dia 09 de Abril de 2026, com sessões antecipadas a partir do dia 02.
Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!



