O Rei do Rock – O Musical resume a história de um dos maiores nomes de música mundial. A princípio, não é fácil, seja num filme ou espetáculo, resumir uma vida tão rica e polêmica. Entretanto, Beto Sargentelli realmente consegue. Idealização, texto e dramaturgia são dele. O capricho é perceptível.
Beto não esquece das polêmicas e as coloca com sutileza. O racismo da época, como Elvis bebeu nas fontes afro-americanas e a idade de Priscila, por exemplo. Com inteligência, o dramaturgo homenageia B.B. King e Sister Rosetta Tharpe, figuras que sozinhas já merecem musicais. Danilo Moura e Anastácia Lia são um show à parte como esses grandes nomes da música. Bem como Stella Maria Rodrigues, vivendo a mãe de Elvis, Gladys. É uma chuva de carisma e graça, emocionante.

O Rei do Rock – O Musical surpreende e entrega uma produção de altíssimo nível, digna da fama de Elvis Presley. Há uma direção inspirada de João Fonseca, sem falhas, usando bem o cenário, os talentos, as músicas e mantendo um dinamismo que não cansa o espectador ao longo das mais de duas horas do show.
O espetáculo consegue combinar precisão técnica e emoção genuína, conduzindo o público sob a direção musical de Thiago Gimenes e Leonardo Córdoba, que garante o impacto sonoro de cada fase da carreira do rei. Os grandes clássicos se fazem presentes nos momentos certos.
Além disso, a coreógrafa Keila Bueno e seu assistente Tiago Weber traduzem a energia dos anos dourados em movimentos envolventes, realçados pelos figurinos exuberantes de Fábio Namatame e pela cenografia elegante de Giorgia Massetani. A luz de Paulo Cesar Medeiros, o som de Tocko Michelazzo e o visagismo preciso de Marcos Padilha completam um conjunto técnico impecável. Cada número é um espetáculo à parte. Dessa forma, a equipe talentosa e afinada transforma nostalgia em uma bela celebração.
No dia em que vi o espetáculo, a convite da Gpress Comunicação, Stepan Nercessian não pôde comparecer e Rafael De Castro viveu o Coronel Tom Parker segurando a responsabilidade sem vacilar. Todavia, a falta de Stepan levanta ainda mais o protagonismo da entrega de Beto como Elvis. Ele brilha cantando, dançando – e beijando muito. A plateia participa, se diverte, e pede bis. Quando estive por lá havia uma espectadora vendo o espetáculo pela décima quarta vez, outra vira doze.
No fim das contas, O Rei do Rock é um dos melhores musicas que já vi. Simples assim.
O espetáculo finaliza temporada no RJ e vai para Minas Gerais, de 14 a 16 de novembro no Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046, Belo Horizonte).
Serviço – O Rei do Rock – O Musical
Local: Teatro Claro Rio – Rua Siqueira Campos, 143, 2º piso, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ
Temporada: até 9 de novembro de 2024
Sessões: sextas, às 20h | sábados, às 16h e 20h | domingos, às 15h e 19h
Ingressos: de R$ 20 a R$ 280, à venda no site Uhuu e na bilheteria do teatro
Duração: 160 minutos
Classificação: 12 anos



