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Glen Powell e Colman Domingo em cena de "O Sobrevivente"- Divulgação Paramount Pictures
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘O Sobrevivente’ traz Edgar Wright no piloto automático

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 15 de novembro de 2025
6 Min Leitura
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Glen Powell e Colman Domingo em cena de "O Sobrevivente"- Divulgação Paramount Pictures
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Dirigido por Edgar Wright, O Sobrevivente adapta de forma fiel o livro de Stephen King, mas se revela apenas um blockbuster eficiente, quando poderia ser algo muito maior.

O ano de 2025 tem sido um dos mais generosos para os fãs de adaptações literárias de Stephen King. De A Vida de Chuck (Mike Flanagan) à It: Bem-vindos a Derry (Andy e Barbara Muschietti), passando por grandes diretores como Francis Lawrence, foram seis produções inspiradas no autor, todas comandadas por cineastas experientes e com identidade própria. Como cereja deste banquete, Edgar Wright encerra a maratona com O Sobrevivente.

Curiosamente, basta observar os comentários no YouTube, no Letterboxd ou entre o público em geral para perceber que o filme não se destaca pelo protagonismo de Glen Powell, tampouco por ser um remake do longa de 1987 estrelado por Arnold Schwarzenegger, ou mesmo por sua fidelidade ao texto original de King. O nome mais comentado é o do próprio Wright, cuja presença na direção é ao mesmo tempo a maior força e a maior fraqueza do projeto.

O Sobrevivente

Lee Pace em cena de “O Sobrevivente”- Divulgação Paramount Pictures

O diretor britânico já provou inúmeras vezes sua capacidade de cativar o público. Seja com o humor e a sátira da trilogia Cornetto, o caos estilizado de Scott Pilgrim contra o Mundo (2010) ou a precisão coreográfica de Em Ritmo de Fuga (2017), Wright consolidou um estilo inconfundível: montagem acelerada e criativa, trilha sonora integrada à narrativa, humor afiado e um senso estético que transborda energia pop, sendo o nome ideal para adaptar uma das histórias mais distópicas de Stephen King.

Entretanto, o brilho característico de Wright se dilui em uma produção excessivamente carregada. Ao atualizar a obra para um contexto contemporâneo, o diretor parece preocupado demais em incluir todos os elementos do livro, e seus paralelos com a atualidade, neste processo, sacrificando parte de sua personalidade autoral e levando a um filme que impressiona pela forma, mas carece de alma.

O Ben Richards interpretado por Glen Powell é retratado como um herói carismático e empático, bem diferente da figura amarga e desesperada do romance, tornando o personagem mais acessível, mas reduzindo o impacto de sua jornada. Wright transforma Richards em um homem disposto a tudo para reencontrar a família, que acaba se tornando símbolo de uma revolução quase por acidente. A ideia é interessante, mas esvazia o arco dramático, especialmente quando comparado ao filme de 1987, que, mesmo com suas liberdades, transmitia melhor a transformação de Richards de homem egoísta à revolucionário.

Apesar de alguns planos-sequência engenhosos e de um elenco competente que inclui um excelente Colman Domingo, O Sobrevivente soa artificial. O uso ostensivo de cenários digitais compromete a imersão, e a narrativa, embora clara nas regras do jogo, carece de fluidez emocional e mesmo os abusos visuais característicos do diretor como gráficos, animações e inserções didáticas, parecem somente ilustrar ao invés de envolver o espectador.

Colman Domingo em cena de "O Sobrevivente"- Divulgação Paramount Pictures

Colman Domingo em cena de “O Sobrevivente”- Divulgação Paramount Pictures

O filme também oscila de tom: ora crítica social direta, ora ação futurista, ora comédia irônica. Essa indecisão tonal torna a experiência confusa. A crítica à sociedade do espetáculo e à manipulação midiática é pertinente e atual, mas é ofuscada por um ritmo irregular e uma preocupação excessiva em “explicar”, faltando o frescor narrativo que transformaria a adaptação em algo memorável.

O fato de alterar o final do livro, é a menor das questões, inclusive O Sobrevivente de Wright se encaixa em um tom bem mais anárquico do que o livro de King, porém, se torna uma crítica potente e ao mesmo tempo vazia, não trazendo nenhuma novidade a um universo distópico que já foi explorado em demasia por diversas mídias.

Ao fim, O Sobrevivente não sabe exatamente o que quer ser, entregando um espetáculo visual eficiente, mas sem o impacto emocional ou a ousadia formal que marcaram os melhores trabalhos do diretor, se acomodando demais nas convenções do gênero e tornando um produto bem-feito, porém distante da inventividade que o nome Edgar Wright costuma prometer.

Distribuído pela Paramount Pictures, O Sobrevivente estreia nos cinemas no feriado de 20 de novembro.

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Tags:Cinemacríticaedgar wrightglen powello sobreviventethe running man
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
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