Dirigido por Pierre Perifel, Os Caras Malvados 2 continua a história do primeiro filme, crescendo em: grandeza, apostas, comédia, ação e possibilidades da animação
A DreamWorks sempre foi uma caixinha de surpresas, produzindo filmes de diferentes gêneros e estilos, alguns com dramas extremamente bem construídos, como Kung Fu Panda (2008, Mark Osborne, John Stevenson) e Shrek (2001, Andrew Adamson, Vicky Jenson), e outros cujo foco está na comédia, no caos, nos personagens memoráveis, na estética marcante e, sobretudo, no carisma presente nas interações existentes como um todo. Produções como Madagascar (2005, Tom McGrath, Eric Darnell) e Os Caras Malvados (2022, Pierre Perifel) são exemplos perfeitos desse segundo grupo.
Assim como Gato de Botas 2: O Último Pedido (2022, Joel Crawford), Os Caras Malvados 2 ofusca seu antecessor em vários aspectos. Seguindo diretamente de onde o primeiro filme se encerrou, a continuação avança sem as barreiras tradicionais de exposição, permitindo que a narrativa abrace o caos e a diversão desde os primeiros minutos. O resultado é um dos filmes mais visualmente interessantes e dinamicamente animados já produzidos pela DreamWorks, que prefere ampliar as apostas ao invés de simplesmente repetir a fórmula anterior, um dos principais erros de Kung Fu Panda 4 (2024, Mike Mitchell).
A trama acompanha novamente o grupo dos Caras Malvados — Lobo, Cobra, Tubarão, Piranha e Tarântula — enquanto tentam se adaptar à vida de bons cidadãos. Porém, com uma fama maior do que conseguem controlar, acabam sendo chantageados por um novo grupo: as Garotas Malvadas. Isso os força o retorno à vida do crime e leva Lobo a questionar se a vida honesta realmente é mais confortável que a de vilão.

Cena de Os Caras Malvados 2- Divulgação DreamWorks Animation LLC. All Rights Reserved.
Seguindo algumas regras clássicas das sequências de animação, e Blockbusters, como a aliança com o antagonista do primeiro filme, o retorno do vilão original, em uma forma que remeta O Silêncio dos Inocentes (1991, Jonathan Demme), algo já visto desde Como Cães e Gatos 2: A Vingança de Kitty Galore (2010, Brad Peyton), até Deu A Louca na Chapeuzinho 2 (2011, Mike Disa), além de um inevitável gancho para um terceiro filme, Os Caras Malvados 2 acerta o tom em quase todos os momentos.
Diferente do primeiro longa, que tinha um segundo ato morno e um final bizarro e anticlimático, a produção entrega diversas cenas memoráveis, se utilizando de uma maior organicidade como um todo, sem porquinhos da índia zumbis, e uma conclusão verdadeiramente grandiosa, sendo possivelmente uma das melhores sequências finais da DreamWorks desde Shrek 2 (2004, Andrew Adamson, Conrad Vernon, Kelly Asbury), levando o grupo literalmente para o espaço.
O grande trunfo continua sendo o carisma do elenco e a química entre os personagens. Do charme despreocupado de Lobo até os puns incontroláveis de Piranha, uma piada que se estende talvez um pouco além da conta, mas que acaba desempenhando um papel narrativo no desfecho, o filme se apoia no humor e na ação, fazendo isso com segurança. Embora o foco não esteja em um arco dramático profundo, ainda que mais eficiente que o do primeiro filme, a produção acerta em cheio na proposta de entreter, e servir como um excelente, e bonito, passatempo pipoca.

Cena de Os Caras Malvados 2- Divulgação DreamWorks Animation LLC. All Rights Reserved.
Visualmente, a animação é um alívio criativo. Com uma estética que dificilmente existiria sem a influência de Homem-Aranha no Aranhaverso (2018, Peter Ramsey, Bob Persichetti, Rodney Rothman), Os Caras Malvados 2 apresenta uma fluidez de movimento que é essencial para as sequências de ação, que incluem corridas de carro, quedas vertiginosas, foguetes, luta livre e muito mais, levando a cenas que certamente vão fascinar crianças e adultos.
Os Caras Malvados 2 é distribuído pela Universal Pictures e chega aos cinemas no dia 14 de agosto, também em versões acessíveis.
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