Dirigido por Kevin Williamson, Pânico 7 constrói uma história sobre trauma e amadurecimento para homenagear a própria franquia que aparenta já ter ultrapassado seu tempo ideal.
Existem poucas franquias de horror tão amadas quanto Pânico. Iniciada em 1996, sob direção de Wes Craven, a produção não era apenas mais um slasher. Com humor e metalinguagem, discutia a própria estrutura do gênero, que atravessava um período de desgaste após diversas sequências fracassadas. Rapidamente, a franquia e o Ghostface se tornaram referência não apenas para o horror, mas também para a comédia e a paródia. No entanto, à medida que a saga idealizada por Kevin Williamson mergulhou cada vez mais na autorreferência, alguns tropeços tornaram-se inevitáveis.
A trilogia original consolidou Sidney Prescott como uma das maiores final girls do cinema. Anos depois, Pânico 4 (2011, Wes Craven) tentou revitalizar a marca com o retorno do trio principal. Em seguida, os dois filmes dirigidos pela dupla Radio Silence buscaram apresentar uma nova geração. Mesmo com qualidades discutíveis em certos momentos, era evidente a tentativa de renovar uma fórmula já desgastada. A ideia original para Pânico 7 parecia apontar para um novo ápice, com Sam Carpenter assumindo definitivamente sua herança sombria. Porém, conflitos de bastidores redirecionaram a produção, que optou por retornar às próprias raízes.
Este é um dos filmes mais autorreferenciais da franquia. Ele menciona a trilogia original, os livros, a fama de Sidney explorada no quarto filme e até a duologia mais recente. Ainda assim, vai além da simples nostalgia. Narrativamente, o longa adota um tom mais maduro ao discutir como o trauma impactou seus sobreviventes, especialmente Sidney e Gale. Sendo este terreno emocional que um novo Ghostface encontra espaço para agir.

Neve Campbell em cena de “Pânico 7”- Divulgação Paramount Pictures
A estrutura repete elementos clássicos da saga, começando por uma sequência inicial de assassinato que não alcança o impacto icônico da abertura com Drew Barrymore nem o fôlego inesperado da participação de Samara Weaving no sexto filme, mas cumpre duas funções claras: reafirmar a franquia como ícone do horror e sugerir um possível legado do primeiro Ghostface. O retorno de Stu Macher surge de forma inesperada, e forçada, mas funciona como um chamariz eficiente para atrair o público.
Ao longo do filme, percebe-se que a direção prioriza o drama familiar mais do que o horror. Isso não é um problema. As marcas registradas da franquia continuam presentes: mortes criativas, humor autorreferencial, discussões sobre o universo de filmes de horror, críticas à indústria e personagens que acompanhamos há três décadas. Porém, o maior foco não se encontra no horror e sim no peso emocional carregado por cada um dos participantes do filme.
O maior inimigo da franquia, assim como dentro da própria narrativa, são os ideais e expectativas dos fãs. Após sete filmes, exigir algo sempre maior e mais original pode ser uma armadilha, basta observar o desgaste recente de grandes universos compartilhados do cinema. Em certos momentos, desacelerar é necessário. Optar por uma abordagem mais intimista, centrada na relação entre mãe e filha, torna-se uma escolha coerente com o momento da saga.

Isabel May em cena de “Pânico 7”- Divulgação Paramount Pictures
Algumas decisões de roteiro se destacam menos pelas mortes ou reviravoltas e mais pelos conflitos internos, e pequenos momentos que nos permitem ver as “marionetes da narrativa”, deixando claro para onde ela está se direcionando com base em pequenas informações exploradas ao longo da produção. O simbolismo envolvendo o nome de Tatum, a escolha de Sidney em se afastar do sobrenome Prescott e uma fala breve de Gale sobre sobreviver ao trauma são momentos que revelam maturidade emocional. Aqui, o Ghostface deixa de ser o centro absoluto e passa a ser consequência de algo maior.
A revelação do assassino, tradicionalmente aguardada pelo público, mantém o estilo clássico da franquia. Diferente de vilões como Michael Myers ou Jason Voorhees, o Ghostface é sempre uma persona assumida por alguém novo, com motivações distintas. Neste capítulo, a justificativa pode parecer previsível e até anticlimática, mas dialoga com os temas centrais do filme: fama, trauma e fuga das próprias marcas do passado.
Pânico 7 é o melhor da franquia? Não. Ainda há resoluções fáceis, furos de roteiro, conveniências que insultam a inteligência do público e soluções simplificadas demais. Contudo, para uma sétima tentativa dentro da mesma estrutura narrativa, o filme mantém a saga viva ao priorizar o drama interno de seus protagonistas. Ao devolver o protagonismo a Sidney, ausente no capítulo anterior, a discussão inevitavelmente se torna mais íntima, reflexiva e divisiva para grande parte dos fãs da franquia de horror.
No fim, talvez não seja justo esperar um novo salto de grandeza após quase trinta anos. Pânico 7 não reinventa a roda, mas também não trai sua essência. Ele oferece o suficiente para manter os fãs interessados, e isso, neste ponto da trajetória, já é uma vitória.
Distribuído pela Paramount Pictures, Pânico 7 estreia nos cinemas no dia 26 de Fevereiro.
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