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Um Conto de Pescadores
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Um Conto de Pescadores’ resgata o sombrio no folclore mexicano

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 6 de setembro de 2025
5 Min Leitura
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Ruby Vizcarra em cena de Um Conto de Pescadores- Divulgação Oficial
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Dirigido por Edgar Nito, Um Conto de Pescadores mergulha no folclore mexicano para construir uma história de horror marcada por culpa, desejo e medo

Em 2019, A Maldição da Chorona (Michael Chaves) prometia resgatar um dos mitos mais fortes do México e fortalecer ainda mais a franquia Invocação do Mal, porém, após o lançamento percebeu que ele soava excessivamente americano, e por consequência, vazio. A adaptação de uma lenda tão íntima e profunda dentro do folclore mexicano e sua distorção pelo olhar externo, resultou em um fracasso. Cinco anos depois, Edgar Nito apresenta um filme que corrige esses erros, reafirmando a força do cinema de horror latino e seu poder aterrorizador de cativar o público.

A escolha aqui é por uma lenda menos conhecida: A Miringua, uma mulher que habita um lago e pune os pecadores que apresentam pecados. É em torno dela que Um Conto de Pescadores se desenvolve em quatro histórias:

  1. Um pescador apaixonado por uma misteriosa mulher;
  2. Uma jovem em busca de vingança pela morte do irmão;
  3. Um homem que aterroriza o vilarejo com previsões apocalípticas;
  4. E, a mais instigante de todas, sendo a única com um arco narrativo, começo, meio e fim, realmente claro: um forte triângulo amoroso entre três jovens.
Um Conto de Pescadores

Jorge A. Jimenez em cena de Um Conto de Pescadores- Divulgação CineFantasy

A força de Um Conto de Pescadores está no sentimento latino que perpassa cada cena, sendo uma homenagem às lendas, às pessoas e à cultura mexicana que é tão forte, e tão frequentemente sufocada por leituras Hollywoodianas de qualidade duvidosa. Diferente de uma luta contra o monstro, aqui o terror nasce das próprias escolhas humanas: somos os agentes de nossa ruína, a raiva, a vingança e a inveja nos leva ao nosso fim, e a Miringua apenas acelera esse processo na vontade de se alimentar.

A fotografia reforça essa sensação, optando por enquadramentos fechados e claustrofóbicos, raramente abrindo para planos gerais, usados quase sempre para sugerir mistério, maravilhamento visual ou ameaça. O lago, sombrio e nebuloso, é ao mesmo tempo sustento e maldição, apresentando algumas das sequências mais aterrorizantes da produção na medida que existe sempre um temor constante que algo está prestes a acontecer, enquanto a trilha sonora, ancorada nas raízes mexicanas, acompanha festas e rituais e intensifica a tensão, ao mesmo tempo que em momentos mais de alegria, constrói uma bela homenagem à música latina como um todo.

Um Conto de Pescadores

Cena de Um Conto de Pescadores- Divulgação CineFantasy

Apesar de algumas histórias se destacarem mais que outras, especialmente a do pescador e a do triângulo amoroso, que sozinha sustentaria um longa, Um Conto de Pescadores mantém um clima constante de agonia por conta da Miringua que paira como ameaça a todo momento, sem atacar, porém, sempre observando e esperando com um riso agonizante: ela é menos criatura a ser vencida e mais símbolo de uma força inevitável, próxima e aterrorizante, quase como uma força do destino que é imbatível, e como visto ao final da produção, é aquela que ninguém escapa.

Exibido no festival CineFantasy que ocorre no CCSP entre os dias 02 a 14 de setembro, Um Conto de Pescadores confirma Edgar Nito como um dos nomes mais promissores do terror contemporâneo latino-americano, um cineasta capaz de olhar para suas próprias raízes e, delas, extrair o horror mais genuíno de uma maneira singela e autoral.

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Tags:A ChoronaA MiringuaCinemacríticaCrítica Um Conto de PescadoresMéxicoUm Conto de Pescadores
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