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D.R.I. e Ratos de Porão amassam o Circo Voador
Música

D.R.I. e Ratos de Porão amassam o Circo Voador

Por Cadu Costa
Última Atualização 23 de março de 2026
5 Min Leitura
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Foto: Carlos Carvalho
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A sexta-feira (20) na Lapa foi desenhada para quem gosta de voltar para casa com o pescoço doendo e a alma lavada. Quando duas instituições mundiais do som pesado como Ratos de Porão e D.R.I. dividem o palco do Circo Voador, o resultado só pode ser um massacre sonoro. Foi um encontro visceral entre gerações e atitudes, provando que o crossover thrash não envelhece — ele apenas acumula ódio, técnica e cabelos brancos.

A nova escola e o recado dado

Antes da tempestade principal, as meninas da Minissaia tiveram a missão de recepcionar o público que ia tomando a lona. Trazendo canções curtas de viés feminista, a banda novata foi calorosamente abraçada. Ainda que estejam pavimentando seu espaço na cena e buscando uma sonoridade mais madura e inovadora, mostraram atitude e fecharam o set com um cover empolgante de Brackish, do Kittie.

Em seguida, o Pavio não pediu licença. Com um hardcore incisivo, o grupo entregou uma apresentação extremamente coesa, descarregando críticas viscerais aos governos de extrema-direita. O grande momento de comunhão foi o coro absoluto e necessário entoado junto à plateia: “Ei, racista, você não é bem-vindo aqui”. Um aquecimento de peso e urgência.

O rolo compressor do Ratos

Quando os ícones do Ratos de Porão assumiram os instrumentos, o nível de agressividade escalou sem cerimônias. Mesmo com a ausência sentida do lendário guitarrista Jão — afastado dos palcos por questões de saúde após machucar a mão —, o Ratos não tirou o pé do acelerador. João Gordo e companhia entregaram a potência monstruosa e o carisma carregado de acidez que os consagraram.

Apesar de ter sido uma apresentação surpreendentemente curta, mal batendo a marca de uma hora, foi um desfile denso de fúria e crítica social. A metralhadora de hinos atemporais não deu respiro, jogando na cara do público clássicos como Aids, Pop, Repressão, Farsa Nacionalista, Beber Até Morrer e a sempre apoteótica Crucificados Pelo Sistema. Foi um set pesado, rápido e direto na jugular, como o Ratos sempre faz.

João Gordo ainda quebra tudo com seu Ratos de Porão – Foto: Carlos Carvalho

Os texanos e a fonte da juventude

Mas a grande massa ali presente aguardava sedenta pelo D.R.I. (Dirty Rotten Imbeciles). E os veteranos formados no Texas não decepcionaram, colocando o público carioca na palma da mão desde os primeiros acordes.

Comandados pelo inconfundível vocalista Kurt Brecht e pela guitarra afiada de Spike Cassidy — os pilares originais que fundaram a banda em 1982 —, o grupo deu uma verdadeira aula. Foi fascinante observar o reflexo da banda na plateia: muitos cabelos e barbas brancas, coroas que transformaram a pista do Circo Voador em sua roda de pogo particular, dividindo cotoveladas e abraços com a mesma intensidade.

Com um repertório insano de mais de 30 músicas, o D.R.I. tocou com uma velocidade de execução e uma precisão cirúrgica que em nada denunciavam estarmos diante de uma banda com mais de quatro décadas de estrada. Despejando petardos como I’d Rather Be Sleeping, Violent Pacification, Thrashard, I Don’t Need Society e Beneath the Wheel, os caras esmagaram qualquer dúvida sobre seu vigor.

Ao fim da noite, a sensação era de que o tempo simplesmente não passa dentro de um mosh pit. A idade pode até chegar, mas a energia ali era de adolescentes revoltados no auge dos anos 80. O crossover thrash provou ser a verdadeira fonte da juventude — só que banhada a suor, cerveja quente e guitarras distorcidas. Impressionante.

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Coroas do D.R.I. tocaram mais de 30 petardos – Foto: Carlos Carvalho

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Tags:circo voadorcríticaDestaque no Viventehardcorehardcore nacionalmúsicapunkpunk brasileiropunk rockshows
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PorCadu Costa
Cadu Costa era um camisa 10 campeão do Vasco da Gama nos anos 80 até ser picado por uma aranha radioativa e assumir o manto do Homem-Aranha. Pra manter sua identidade secreta, resolveu ser um astro do rock e rodar o mundo. Hoje prefere ser somente um jornalista bêbado amante de animais que ouve Paulinho da Viola e chora pelos amores vividos. Até porque está ficando velho e esse mundo nem merece mais ser salvo.

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