“O Grito” transformou Edvard Munch em um ícone global, mas também ofuscou a vastidão de uma obra que ultrapassa 28 mil peças e permanece, para muitos, cercada por mistério. Essa lacuna começa a ser reparada com o lançamento de “Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras”, documentário italiano dirigido por Michele Mally que estreia em dezembro no Brasil, com distribuição da Autoral Filmes. A produção apresenta um retrato íntimo, poético e inquietante do pintor norueguês, ampliando a compreensão sobre sua vida, sua técnica e sua relação com temas espirituais.
O filme parte de uma premissa simples e poderosa: nenhum artista foi tão celebrado e tão desconhecido ao mesmo tempo. Enquanto “O Grito” virou símbolo de ansiedade moderna, guerras e traumas coletivos, grande parte do universo de Munch permaneceu às sombras. Agora, com o novo museu MUNCH em Oslo, um arranha-céu inaugurado em 2021 para abrigar o gigantesco acervo deixado pelo artista, o mundo volta a olhar para seu trabalho com profundidade.
“Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras” visita esses lugares de memória, mas também os espaços internos do pintor, guiando o espectador pela voz da atriz norueguesa Ingrid Bolsø Berdal, que abre a narrativa em uma cena quase mística, entre lareira, neve e contos do folclore nórdico. A partir daí, o filme constrói uma ponte entre o visível e o invisível, explorando o interesse do artista por espíritos, repetições, símbolos e pela noção de tempo como entidade fluida, um conceito que atravessa toda sua obra.

Especialistas como Jon-Ove Steihaug, Giulia Bartrum, Frode Sandvik e Elio Grazioli ampliam o olhar sobre o pintor ao analisar suas obsessões, seus experimentos com fotografia e cinema e a estranha fragilidade física das obras, consequência das técnicas arriscadas que adotou ao longo da vida.
O documentário percorre os locais que moldaram sua sensibilidade: as praias de Åsgårdstrand, as montanhas de Vågå, o litoral alemão e Ekely, onde viveu seus últimos anos cercado por animais, silêncio e uma espécie de repetição ritualística de imagens. Seus autorretratos tardios, muitos deles repletos de dor, vibração espiritual e solidão, revelam a marca de um século turbulento.
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A obra responde a uma pergunta que acompanha Munch há mais de cem anos: o que existe por trás do mito? Ao revisitar fantasmas pessoais e espirituais, o filme apresenta um homem frágil, inquieto e profundamente moderno, cuja arte continua dialogando com tempos de crise, medo e reinvenção.
Serviço
Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras
Estreia nos cinemas brasileiros: 11 de dezembro de 2025
País: Itália
Gênero: Documentário biográfico
Duração: 90 min
Verifique a classificação indicativa
Distribuição: Autoral Filmes
Mais informações: @autoral_filmes



