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Marjorie Estiano em cena de "Ângela Diniz- Assassinada e Condenada"- Divulgação Festival do Rio
Cinema e StreamingCrítica

Primeira Impressão Festival do Rio: ‘Ângela Diniz: Assassinada e Condenada’ é retrato de uma mulher livre

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 15 de outubro de 2025
5 Min Leitura
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Marjorie Estiano em cena de "Ângela Diniz- Assassinada e Condenada"- Divulgação Festival do Rio
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Dirigido por Andrucha Waddington, Ângela Diniz: Assassinada e Condenada revisita um dos crimes mais brutais do Brasil, sob a interpretação brilhante de Marjorie Estiano.

(Baseado no primeiro episódio, exibido em sessão especial do 27º Festival do Rio, em 11/10/2025.)

De acordo com o Mapa da Violência de Gênero, divulgado em 11 de junho de 2025, quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil, muitas vezes em crimes motivados por ciúmes ou relações passionais. Mas a violência contra mulheres está longe de ser um fenômeno recente, ao olharmos para o passado, vemos histórias interrompidas cedo demais, como as de Marielle Franco, Daniella Perez, Mônica Granuzzo e uma das mais marcantes que foi Ângela Diniz.

Coincidentemente, ou não, o 27º Festival do Rio apresentou duas produções que dialogam com crimes reais: Tremembé (2025, Daniel Lieff e Vera Egito) e Ângela Diniz: Assassinada e Condenada. Enquanto a primeira se apropria da linguagem do true crime para narrar histórias pelo olhar dos criminosos, Ângela Diniz faz o caminho oposto, dando voz à vítima, tanto em sua vida, quanto após a sua morte. A série se inicia em meio ao julgamento do Doca Street, interpretado por Emílio Dantas, que tenta justificar o crime pela controversa “defesa da honra”, difamando a imagem da mulher livre, bela e transgressora que foi Ângela Diniz.

Marjorie Estiano em cena de "Ângela Diniz- Assassinada e Condenada"- Divulgação Festival do Rio

Marjorie Estiano em cena de “Ângela Diniz- Assassinada e Condenada”- Divulgação Festival do Rio

A partir daí, a narrativa retorna no tempo para apresentar Ângela, uma mulher que Marjorie Estiano transforma em pura luz e potência. Logo no início, vemos suas desavenças com a mãe, que tenta controlar sua vida e a impede de deixar o marido, e percebemos a força que a mulher apresenta. A série explora todas as facetas da personagem, desde seus casos de adultério, até seu lado como uma mãe afetuosa, amiga inspiradora e mulher complexa, falha, mas profundamente humana e inspiradora.

Ângela foi condenada por ser livre, e nos anos 1970, não havia nada mais perigoso do que isso. Até chegar no fatídico dia 30 de dezembro de 1976, a série se propõe a explorar suas diversas facetas, aventuras e subversões, não por acaso, o episódio termina ao som de Carcará (1982, Chico Buarque e João do Vale), canção que fala sobre sobrevivência e liberdade, um hino que resume a essência dessa e de tantas mulheres, seja da realidade ou da ficção.

Um grande exemplo é Helena Ignez em A Mulher de Todos (Rogério Sganzerla), interpretando Ângela Carne e Osso, uma “devoradora de homens”, símbolo do Cinema Novo, livre, carismática e condenada por seus próprios desejos. O espelho entre ambos estas Ângelas é nítido, sendo ambas mulheres julgadas não só por suas escolhas, mas por ousarem serem donas de si.

Marjorie Estiano e Emilio Dantas em cena de "Ângela Diniz- Assassinada e Condenada"- Divulgação Festival do Rio

Marjorie Estiano e Emilio Dantas em cena de “Ângela Diniz- Assassinada e Condenada”- Divulgação Festival do Rio

Com apenas seis episódios, Ângela Diniz: Assassinada e Condenada promete abrir novas frentes de debate sobre o feminicídio e o tratamento dado às mulheres vítimas de violência. O primeiro episódio já entrega momentos intensos, como um velório, carregado de indignação e dor, e questiona as mentiras perpetuadas por homens poderosos e uma sociedade que condena uma mulher até após a morte, mesmo tendo provado tantas vezes em vida o quão brilhante ela realmente era.

Ângela Diniz: Assassinada e Condenada estreia dia 13 de novembro na HBO Max.

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Tags:Andrucha Waddigntonângela dinizângela diniz assassinada e condenadaCinemacríticamarjorie estiano
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