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Chris Pratt em cena de "Justiça Artificial"- Divulgação Sony Pictures
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Justiça Artificial’ transforma a IA em juíza e provoca debate atual

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 21 de janeiro de 2026
5 Min Leitura
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Chris Pratt em cena de "Justiça Artificial"- Divulgação Sony Pictures
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Dirigido por Timur Bekmambetov, Justiça Artificial surpreende com sequências de ação e uma reflexão sobre IA mais profunda do que aparenta

No momento em que Justiça Artificial entrou no meu radar, a primeira lembrança que me veio à mente foi Minority Report (2002, Steven Spielberg). A produção estrelada por Tom Cruise também se passa em um futuro próximo, envolve uma inteligência artificial, antes mesmo de o termo se tornar tão onipresente quanto hoje, e acompanha um detetive que precisa lutar contra o próprio sistema que ajudou a implantar, descobrindo uma conspiração que muda sua visão de mundo. No entanto, apesar das semelhanças, o filme de Timur Bekmambetov se mostra muito mais do que uma simples adaptação para a geração Z.

Adaptando livremente o filme espanhol homônimo, Justiça Artificial (2024, Simón Casal), a produção apresenta um julgamento em tempo real entre um detetive investigativo que precisa provar sua inocência e uma juíza de inteligência artificial que opera exclusivamente com base em fatos. Nesse sistema judiciário, a IA atua como juiz, júri e executora, tornando advogados obsoletos e se apoiando em uma vasta interconexão entre câmeras, celulares e outros dispositivos tecnológicos capazes de registrar praticamente todos os aspectos de nossas vidas.

Kali Reis e Chris Pratt em cena de "Justiça Artificial"- Divulgação Sony Pictures

Kali Reis e Chris Pratt em cena de “Justiça Artificial”- Divulgação Sony Pictures

A premissa é instigante, especialmente pelo recurso narrativo do cronômetro em contagem regressiva exibido no canto superior direito da tela, que intensifica a ansiedade e a preocupação com a sobrevivência do protagonista. Interpretado por Chris Pratt, o personagem é prejudicado por conta de uma atuação forçada e pouco compatível com o tom do filme, muito por conta do estilo de Pratt que destoa da produção. Ainda assim, a ação constante, a tensão crescente e a presença marcante de Rebecca Ferguson compensam as limitações do protagonista.

Remetendo a produções independentes como Buscando… (2018, Aneesh Chaganty), em que a audiência é imersa em diferentes aplicativos e reflexões tecnológicas, o longa questiona o quanto de nossas vidas realmente expomos ao mundo. Com isso, torna-se mais ágil e envolvente do que aparenta inicialmente, construindo um quebra-cabeça investigativo, repleto de reviravoltas imprevisíveis. As interações emocionais se mantêm eficientes ao se apoiarem em relações universais, como o amor entre pai e filha, além da angústia de um homem falsamente incriminado que sabe que será morto em 90 minutos, enquanto o público conhece seu passado ao mesmo tempo que a juíza artificial.

No aspecto cinematográfico, Justiça Artificial se destaca pelo uso de múltiplos pontos de vista, conferindo maleabilidade e dinamismo à narrativa. Câmeras residenciais, perspectivas em primeira pessoa, câmeras corporais, chamadas de celular e até sensores tecnológicos criam uma experiência que remete à sensação investigativa de videogames. Em meio a esse mosaico visual, a discussão central do filme nunca se perde: o embate entre o homem e a máquina.

Rebecca Fergunson em cena de "Justiça Artificial"- Divulgação Sony Pictures

Rebecca Fergunson em cena de “Justiça Artificial”- Divulgação Sony Pictures

Diferentemente de muitas produções que tratam a inteligência artificial como a grande vilã, o filme segue um caminho oposto. Sua principal mensagem enfatiza que homem e máquina não funcionam de forma isolada. A IA surge como ferramenta de auxílio, enquanto o ser humano permanece como aquele que ensina, coordena e define limites, já que, sem comandos e direcionamentos, a tecnologia é incapaz de operar por conta própria.

Ao final, Justiça Artificial se consolida como um filme de ação que certamente agradará pais e avós que apreciam uma produção de ação ao final do dia, com sequências tensas, ritmo acelerado e um olhar sobre a sociedade contemporânea por meio de possibilidades que apenas a ficção científica é capaz de explorar. Mesmo sem apresentar uma abordagem inédita sobre o futuro tecnológico, o longa se mostra relevante ao estimular debates, aquelas clássicas “discussões de boteco”, enquanto entretém com simplicidade e eficiência ao longo de seus 100 minutos.

Distribuído pela Sony Pictures, Justiça Artificial estreia nos cinemas no dia 22 de janeiro.

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Tags:Chris PrattCinemacríticaIAJustiça Artificialsony picturesTimur Bekmambetov
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
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