O cinema brasileiro ganhou um novo destaque no Festival do Rio 2026. O longa-metragem Maria de Maria, dirigido por Luiza Shelling Tubaldini e protagonizado por Nanda Costta, venceu o Prêmio Olhar Brasil de Melhor Longa-Metragem de Ficção. A produção aposta em uma abordagem feminista do faroeste, com uma protagonista que enfrenta a violência e busca reconstruir a própria vida em meio às transformações do Brasil dos anos 1940.
Criado pelo jornal Correio da Manhã, o Prêmio Olhar Brasil reconhece produções que transformam questões da realidade brasileira em linguagem cinematográfica. Na avaliação do júri, Maria de Maria se destacou pela atualização dos códigos do western, pela aproximação estética com os quadrinhos e pela atuação de Nanda Costta.
A comissão julgadora reuniu Paula Martinez Mello, César Monteiro, Gustavo Valente, Rodrigo Fonseca e Affonso Nunes, idealizador da premiação. O parecer também ressaltou a fotografia de Jacob Solitrenick e a maneira como o filme aborda os vínculos familiares e a afetividade.
Faroeste coloca uma mulher no centro da narrativa
Ambientado em 1940, Maria de Maria acompanha uma ex-cangaceira que perde seu bando e precisa fugir grávida para o Centro-Oeste brasileiro. A personagem atravessa esse período durante a chamada Marcha para o Oeste, política de ocupação e integração territorial promovida pelo governo de Getúlio Vargas.
Longe de encontrar tranquilidade, ela enfrenta uma natureza hostil e ameaças ligadas ao passado. Para sobreviver, precisa reunir forças e construir um novo caminho em um ambiente marcado por conflitos e incertezas.
A escolha de uma mulher como protagonista oferece outra perspectiva para o faroeste nacional. Em vez de concentrar a narrativa em figuras masculinas tradicionalmente associadas ao gênero, a produção coloca a experiência feminina no centro da ação.
O projeto nasceu do desejo de Luiza Shelling Tubaldini de desenvolver um western brasileiro liderado por uma personagem feminina. A proposta também homenageia a força das mulheres brasileiras diante de condições adversas.
Diretora conquista reconhecimento pelo segundo ano consecutivo
A vitória marca a presença de Luiza Shelling Tubaldini na Première Brasil pelo segundo ano consecutivo. Em 2025, Love Kills, seu primeiro longa-metragem solo como diretora, também participou do circuito de festivais, com passagem pelo Festival do Rio e pelo Festival de Sitges, na Espanha.
Com experiência na produção de filmes nacionais e internacionais, Luiza expandiu sua atuação para o roteiro e a direção. Seu trabalho se concentra em produções de gênero, como fantasia, thriller e western, com atenção à construção de universos próprios.
Além de dirigir, ela assina o roteiro de Maria de Maria ao lado de Pablo Padilla. O texto é livremente inspirado em uma ideia original de Danilo Beyruth.
O elenco reúne Nanda Costta, João Campos, César Ferrario, Iara Campos e Antonio Grassi. A direção de fotografia é de Jacob Solitrenick, enquanto Claudia Andrade assina o design de produção. Gabriela Monnerat e Joanna Ribas respondem pelo figurino.
Produzido pela Filmland Internacional, o longa conta com distribuição da O2 Play. O projeto recebeu apoio da ANCINE, da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, da Spcine e da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, por meio da Política Nacional Aldir Blanc.
A premiação coloca Maria de Maria entre os destaques brasileiros do Festival do Rio e reforça o espaço para narrativas que revisitam gêneros tradicionais a partir de novas perspectivas.
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