Uma série registra aumento expressivo de audiência nas plataformas digitais quase uma década após seu encerramento, reacendendo o interesse por histórias marítimas e inevitavelmente evocando comparações com Sandokan, marco televisivo das aventuras de capa e espada.
Exibida entre 2014 e 2017 pelo canal Starz, Black Sails teve quatro temporadas e foi criada por Jonathan E. Steinberg e Robert Levine, com produção executiva de Michael Bay. A série funciona como prelúdio do romance A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, expandindo o universo literário e explorando as origens de figuras lendárias da pirataria.
Dados recentes apontam que Black Sails voltou a figurar entre os títulos mais assistidos em plataformas de compra e aluguel digital. O movimento coincide com o lançamento de novas produções do gênero, como The Bluff, do Prime Video, estrelado por Priyanka Chopra Jonas e Karl Urban.
Enquanto o novo filme tenta inaugurar uma possível franquia, é a série encerrada em 2017 que parece capturar novamente a atenção do público. Durante sua exibição original, Black Sails foi elogiada pela ambição narrativa, produção cinematográfica e complexidade política, mantendo aprovação superior a 80% em agregadores de crítica.
De Sandokan ao realismo contemporâneo
A comparação com Sandokan surge quase naturalmente. A produção baseada nos romances de Emilio Salgari e eternizada na televisão europeia com Kabir Bedi como protagonista marcou gerações com seu romantismo aventureiro. Ali, o pirata era herói trágico, símbolo de honra e resistência contra impérios coloniais.
Ainda por cima, sem grande campanha de marketing, a nova versão de Sandokan começou a ganhar força na Netflix e rapidamente se transformou em um dos sucessos internacionais mais curiosos do início de 2026. A produção italiana de oito episódios, exibida originalmente na Rai 1 no fim de 2025, já vinha registrando forte audiência na TV e em plataformas europeias antes de chegar ao streaming global.
Estrelada por Can Yaman, a série combina aventura, romance e conflitos coloniais com estética cinematográfica e elenco internacional. Após entrar no catálogo da Netflix, figurou no Top 10 dos Estados Unidos — como a única produção não falada em inglês na lista — e alcançou posições de destaque em países como Brasil, México, Reino Unido e Argentina, consolidando seu alcance global e ampliando as expectativas por uma nova temporada.
Black Sails, por outro lado, adota uma abordagem mais crua. Ambientada nas Bahamas do século XVIII, apresenta personagens históricos e fictícios como o Capitão Flint e Charles Vane, além de Barba Negra — interpretado nas temporadas finais por Ray Stevenson. A série privilegia disputas políticas, alianças frágeis e violência explícita, explorando temas como colonialismo, ambição e construção de poder.
Se Sandokan representava o imaginário aventureiro clássico, Black Sails traduz o mito pirata sob uma lente moderna, marcada por ambiguidade moral e realismo estratégico.
O vácuo deixado por outras franquias
O ressurgimento da série também ocorre em um momento de indefinição para a franquia Piratas do Caribe, da Walt Disney Pictures. Após o desempenho abaixo do esperado do quinto filme em 2017 e controvérsias envolvendo Johnny Depp, o futuro da saga permanece incerto, com rumores de reboots e reformulações.
Nesse cenário, o público parece revisitar obras que já entregaram uma visão consistente e madura do gênero. O novo ciclo de popularidade de Black Sails sugere que o interesse por histórias de piratas permanece vivo — desde que ofereçam densidade dramática e ambição estética.
Quase dez anos após o último episódio, a série prova que algumas embarcações nunca afundam. Elas apenas aguardam a próxima maré favorável.
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