Uma mulher de Hong Kong, uma influenciadora sul-africana, uma atriz portuguesa e uma ex-Miss Universo australiana cresceram em contextos completamente diferentes. Vieram de culturas distintas, tiveram referências de beleza próprias e viveram experiências particulares ao longo da vida. Ainda assim, ao participarem de uma conversa sobre autoestima e imagem corporal, descobriram que compartilhavam uma mesma sensação: a impressão constante de que seus corpos deveriam ser diferentes.
A conclusão chama atenção porque surge em um período marcado pelo fortalecimento de debates sobre diversidade, aceitação corporal e bem-estar feminino. Nos últimos anos, campanhas publicitárias, movimentos sociais e criadores de conteúdo passaram a questionar padrões de beleza historicamente impostos às mulheres. Mesmo assim, a insegurança em relação à aparência continua sendo uma realidade comum em diferentes partes do mundo.
A reflexão aconteceu durante uma iniciativa global promovida pela GoldIncision, empresa brasileira especializada em tratamentos para celulite e que atualmente amplia sua atuação internacional. O objetivo era entender como mulheres de diferentes continentes se relacionam com uma característica corporal presente na maioria da população feminina.
Segundo estimativas, entre 80% e 90% das mulheres desenvolvem algum grau de celulite ao longo da vida. Apesar disso, o tema ainda está cercado por estigmas, comparações e cobranças estéticas que atravessam fronteiras.
O resultado surpreendeu os organizadores. Em vez de encontrar diferenças profundas entre os relatos, a iniciativa revelou experiências bastante semelhantes.
A pressão estética também atravessa continentes
Na Ásia, Gloria Mak conta que cresceu em Hong Kong cercada por uma cultura que valoriza intensamente a aparência física. Durante anos, acreditou que precisava alcançar um padrão específico para ser aceita socialmente.
“Hong Kong é um lugar que dá muita importância ao corpo perfeito. Quando eu era mais nova, era extremamente insegura com isso”, afirma.
Com o passar do tempo, ela percebeu que boa parte da perfeição que perseguia estava mais presente nas imagens consumidas diariamente do que na vida real.
“Quase ninguém tem um corpo perfeito na vida real”, resume.

Na África do Sul, a influenciadora Ntandokazi Mzamo viveu experiências parecidas. Ela relembra que a comparação constante com outras mulheres afetava até mesmo momentos de lazer.
“Chegava a usar calças para ir à praia porque não gostava da forma como me via”, recorda.
Hoje, ela acredita que as redes sociais amplificam esse processo ao apresentar versões editadas e idealizadas da realidade.
“Não se comparem constantemente com o que veem online, porque grande parte disso não corresponde à realidade.”
A maturidade muda a relação com o espelho
Na Europa, a atriz portuguesa Teresa Tavares relata que sua relação com a própria imagem mudou significativamente ao longo dos anos.
Ao lembrar da juventude, ela afirma que a principal dificuldade não era exatamente sua aparência, mas a sensação permanente de inadequação.
“Quando tinha dezoito ou vinte anos, sentia que a minha imagem nunca era suficiente. Hoje recuso-me a voltar a esse lugar.”
Para Teresa, a ideia de beleza deixou de estar ligada à perfeição física.
“Beleza é presença, é confiança. Beleza é liberdade.”
O relato reforça uma percepção cada vez mais presente em pesquisas sobre autoestima feminina: a maturidade costuma trazer uma relação mais equilibrada com o corpo, reduzindo a influência de padrões externos sobre a autopercepção.
A celulite continua sendo uma das principais fontes de insegurança feminina
Embora seja considerada uma condição natural e extremamente comum, a celulite ainda aparece entre as principais causas de desconforto estético entre mulheres de diferentes idades e nacionalidades.
Para Nívea Bordin Chacur, CEO da GoldIncision, os relatos demonstram que o debate sobre estética precisa ser ampliado para além da aparência.
“A estética não pode ser vista apenas como consumo. Ela precisa estar conectada à saúde, ao equilíbrio e ao cuidado integral da mulher. O mais interessante foi perceber que mulheres de culturas tão diferentes relatavam sentimentos muito parecidos ao falar sobre seus corpos.”
Segundo ela, a experiência evidenciou que as inseguranças femininas ultrapassam barreiras geográficas e culturais.
Apesar dos avanços na discussão sobre diversidade corporal, os depoimentos revelam que a pressão estética continua presente em diferentes sociedades.
Os padrões mudam, as referências de beleza variam e os contextos culturais são distintos. Ainda assim, a sensação de inadequação permanece semelhante.
A distância entre Ásia, África e Europa não foi suficiente para criar experiências tão diferentes quanto se imaginava.
Em um mundo cada vez mais conectado, onde discursos sobre aceitação corporal ganham espaço diariamente, permanece uma contradição evidente: mulheres de diferentes continentes continuam compartilhando a mesma dúvida silenciosa diante do espelho — a sensação de que ainda precisam mudar alguma coisa para serem suficientes.
No Brasil, a relação das mulheres com a própria imagem também é marcada por uma combinação de valorização da estética e forte pressão social. O país figura entre os maiores mercados de beleza e procedimentos estéticos do mundo, ao mesmo tempo em que convive com padrões corporais amplamente difundidos pela publicidade, televisão e redes sociais.

Nesse cenário, questões como celulite, flacidez e medidas corporais continuam entre as principais fontes de insatisfação feminina, mesmo em um contexto de crescente valorização da diversidade e da aceitação do corpo real. Os relatos reunidos pela iniciativa mostram que as inseguranças observadas em países da Ásia, África e Europa também fazem parte da experiência de muitas brasileiras, reforçando o caráter global desse debate.
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