Os bastidores de A Casa do Dragão voltaram ao centro do debate após novas declarações de George R. R. Martin, que escancararam um racha profundo entre o autor e o showrunner Ryan Condal. Em entrevista recente ao The Hollywood Reporter, Martin descreveu a relação profissional entre os dois como “abismal” e deixou claro que há tempos não concorda com os rumos narrativos da série derivada de Fogo & Sangue.
Embora o autor aponte Condal como responsável pelo distanciamento criativo, parte do público e da crítica tem enxergado a situação como consequência direta de escolhas feitas pelo próprio Martin. Ao longo da entrevista, o escritor admitiu algo que se tornou central na controvérsia: foi ele quem indicou Condal para liderar a adaptação de A Casa do Dragão.
“Eu contratei o Ryan”, afirmou Martin, frase que rapidamente repercutiu entre fãs como uma admissão tardia de responsabilidade.
O caso remete a um trauma ainda recente para o autor: sua relação desgastada com David Benioff e D. B. Weiss durante os anos finais de Game of Thrones. Na época, a série ultrapassou o material publicado de As Crônicas de Gelo e Fogo, levando a decisões criativas que dividiram o público e culminaram em uma das conclusões mais controversas da história recente da televisão.

A diferença, agora, é que Martin reconhece que abriu mão de qualquer controle formal ao vender os direitos de suas obras. Mesmo assim, a HBO permitiu que ele tivesse influência direta na escolha dos showrunners — algo incomum em grandes produções.
Além disso, o autor tomou partido de Condal durante o conflito interno da primeira temporada de A Casa do Dragão com o então co-showrunner Miguel Sapochnik, o que, segundo críticos, fortaleceu ainda mais a autonomia criativa de Condal.
Para muitos fãs, o desgaste atual em A Casa do Dragão confirma uma percepção antiga: Martin continua confiando excessivamente em acordos informais. Como resumiu um usuário no Reddit, citado em análises recentes, o autor “ou precisa aceitar que a série não será uma adaptação fiel e deixar o show seguir, ou parar de aprovar projetos que ele sabe que não pode controlar”.
Outros foram ainda mais duros, afirmando que Martin só passou a criticar os rumos das adaptações depois que os roteiristas “estragaram” suas histórias, ignorando que ele próprio abriu mão desse poder ao negociar os direitos.
A tensão ganhou novos contornos quando veio à tona um texto publicado — e posteriormente apagado — no blog pessoal de Martin, no qual ele listava uma série de queixas sobre A Casa do Dragão. O material, que seria o primeiro de uma sequência de postagens críticas, teria sido barrado por decisões internas da HBO, reforçando a sensação de que o autor já não tem espaço para interferir publicamente no destino da obra.
Apesar do cenário turbulento, a expectativa agora se volta para O Cavaleiro dos Sete Reinos, nova adaptação do universo de Westeros baseada nas novelas de Dunk e Egg. Com estreia próxima, parte dos fãs espera que Martin tenha aprendido com os embates anteriores.
Ainda assim, o histórico recente sugere que, enquanto o autor continuar vendendo suas histórias sem garantias contratuais de controle criativo, os conflitos entre criador e adaptação seguirão sendo parte inevitável do legado televisivo de Westeros.
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