Um dos grandes nomes do cinema morre aos 95 anos. Robert Duvall faleceu de forma pacífica em casa, cercado pela família, segundo comunicado divulgado por sua esposa, Luciana Duvall, que destacou o legado artístico do ator e sua dedicação em buscar a verdade humana em cada personagem; a família pediu privacidade para o luto e agradeceu o apoio do público ao longo da carreira.
Antes de se tornar um rosto conhecido do grande público, Robert Duvall já era considerado entre atores e diretores como um intérprete raro: alguém capaz de transformar cenas simples em momentos de tensão dramática sem elevar o tom de voz. Sua trajetória não foi marcada por personagens expansivos, mas pela precisão — um estilo que ajudou a moldar o naturalismo no cinema americano moderno.
Ao longo de mais de sete décadas, Duvall construiu uma filmografia baseada na observação humana. Em vez de protagonismos tradicionais, muitas vezes escolheu papéis secundários e os transformou no eixo emocional das histórias.
Do teatro ao cinema dos anos 70
Formado no Actor’s Studio e colega de geração de nomes como Al Pacino e Dustin Hoffman, Duvall iniciou carreira no teatro e na televisão ainda nos anos 1950 e 1960. Seu primeiro papel de destaque no cinema veio em O Sol é Para Todos, onde já demonstrava uma característica recorrente: presença marcante mesmo com pouco tempo em cena.
Essa habilidade se consolidou na década seguinte. Em O Poderoso Chefão, interpretando Tom Hagen, o ator criou um conselheiro mafioso contido e cerebral — contraponto direto à impulsividade dos Corleone. Não era o personagem mais explosivo do filme, mas era quem sustentava o equilíbrio dramático da narrativa.
Poucos anos depois, em Apocalypse Now, Duvall entregaria talvez sua atuação mais icônica como o tenente-coronel Kilgore. A performance misturava absurdo e serenidade, transformando um militar obcecado pela guerra em figura ao mesmo tempo cômica e perturbadora.
O auge dramático e o Oscar
Nos anos 1980, Duvall passou a assumir protagonismo. Em Tender Mercies, vive um cantor country em decadência tentando reconstruir a vida. O papel lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator e sintetizou sua abordagem: atuação econômica, baseada em silêncio, olhar e ritmo interno.
A partir daí, alternou grandes produções com projetos autorais. Em O Apóstolo, que também dirigiu, investiu em um estudo psicológico profundo de fé e culpa, reforçando seu interesse por personagens moralmente ambíguos.
O ator dos diretores
Duvall se tornou conhecido em Hollywood como “ator de diretor”. Francis Ford Coppola, George Lucas e outros cineastas frequentemente destacavam sua capacidade de compreender o tom de um filme e ajustar a performance ao conjunto, não ao estrelato.
Essa postura explica por que muitos de seus papéis mais lembrados não são protagonistas clássicos. Em vez de dominar a cena, ele organizava o espaço dramático — técnica valorizada em produções corais e dramas psicológicos.
Últimas décadas e legado
Mesmo em idade avançada, seguiu ativo em produções como O Juiz e em projetos independentes. Com o tempo, passou a interpretar figuras patriarcais ou mentores, papéis que dialogavam com sua própria trajetória no cinema.
Mais do que um ator de grandes monólogos, Robert Duvall ficou associado a um tipo específico de presença: a atuação invisível. Aquela em que o público não percebe o esforço técnico, apenas a humanidade do personagem.
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