A nova adaptação de Ramayana chega cercada de expectativa, ambição e polêmica. Considerada uma das histórias mais importantes da cultura indiana, a obra agora ganha uma versão cinematográfica em duas partes que pretende ultrapassar fronteiras e alcançar o público global — uma decisão que já gera debate entre fãs e especialistas.
Dirigido por Nitesh Tiwari, o projeto aposta em uma combinação de espetáculo visual, tecnologia de ponta e, principalmente, emoção para recontar uma das narrativas mais antigas e reverenciadas da humanidade.
Ao assumir que o filme não é feito apenas para a Índia, mas para o mundo, Tiwari deixa clara a intenção de transformar Ramayana em um evento cinematográfico internacional. Ele falou com o Collider.
“Ramayana vai levar você a uma montanha-russa de emoções de uma forma muito envolvente e interessante, que será comovente e também avassaladora. Além disso, o público será presenteado com visuais absolutamente espetaculares e, acima de tudo, com lições de vida muito valiosas.”
A fala reforça o posicionamento do projeto como algo além de uma adaptação tradicional — e é justamente aí que surge a polêmica. Até que ponto uma obra sagrada pode ser “globalizada” sem perder sua essência?
Apesar da escala grandiosa e do investimento em efeitos visuais, o diretor insiste que o coração da história permanece intacto.
“No fundo, tudo gira em torno das emoções. Ramayana é uma história sobre moral, princípios, relações e pessoas, e isso continuará sendo o núcleo.”
“Os efeitos visuais e o espetáculo vão tornar tudo mais bonito, mais envolvente, mas a essência continua sendo uma história profundamente emocional.”
Essa abordagem tenta equilibrar tradição e modernidade, evitando que o filme se torne apenas um espetáculo vazio.
Um Ramayana com fidelidade ao texto original, mas com liberdade criativa
Um dos pontos mais sensíveis da produção é a adaptação de um texto considerado sagrado por milhões de pessoas. Tiwari afirma que houve cuidado extremo nesse processo.
“Existem mais de 300 versões de Rama na Índia, mas como criador você sabe muito bem o que pode e o que não pode fazer.”
“Quando não era permitido usar criatividade, nós não usamos. Mas onde era possível dar um salto de fé, nós fomos em frente.”
A declaração evidencia o principal risco do projeto: equilibrar respeito cultural com inovação cinematográfica.
Outro ponto relevante da adaptação é a abordagem do antagonista Ravana, interpretado por Yash. Em vez de um vilão unidimensional, o filme pretende explorar sua complexidade.
“Ravana tinha muitos aspectos. Era um grande guerreiro, músico, estudioso e um rei benevolente.”
“Você pode ter todas essas qualidades, mas se for guiado pelo ego e pela vingança, o resultado será inevitável.”
A escolha indica uma tentativa de aprofundar a narrativa e dialogar com o público contemporâneo.
A produção aposta pesado em tecnologia, incluindo filmagens para IMAX e uso avançado de efeitos visuais, além de uma trilha sonora assinada por Hans Zimmer e A.R. Rahman.
“Eu não consegui acreditar quando soube. É o tipo de coisa que você nunca imagina que vai fazer na vida.”
O diretor também destaca o papel da tecnologia na narrativa.
“O VFX está dando asas à narrativa. Hoje, o diretor só precisa imaginar e isso pode ser feito.”
A cena mais aguardada
Entre os momentos mais importantes do filme, Tiwari destaca um em especial.
“A cena que mais quero ver com o público é quando Rama parte para o exílio. É um momento extremamente emocional. A cidade inteira está ali, chorando, e isso sempre me emociona.”
Com estreia marcada para o período do Diwali de 2026, Ramayana: Parte 1 já se posiciona como uma das maiores apostas do cinema indiano. A segunda parte chega em 2027.
A promessa de um épico global pode transformar a obra em um marco histórico — ou reacender discussões sobre até onde a indústria pode ir ao reinterpretar histórias sagradas.
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