Saturday, November 28, 2020

Sneakerheads | A cultura dos tênis e o caminho da informalidade

A série conta a história de uma dupla de amigos, a começar por Devin, interpretado pelo ator Allen Maldonado, e seu parceiro-
escudeiro Bobby, pelo ator King Bach. Ambos são fanáticos, colecionadores e loucos por tênis. Eles iniciam uma jornada
meio que inusitada na busca por marcas, coleções e modelos ímpares. Porém, o passado já os havia colocado em algumas emboscadas e fez com que eles se distanciassem, sendo que “toda chama Sneakersheads um dia reascende”.

Ao se reencontrarem, o desejo de empreender ressurge. Sendo que dessa vez, para surpresa deles, vão encontrar
bastante adrenalina e emoções pelo caminho. A comédia foi criada por Jay Longino. Devin tem um casamento com Christine, interpretada pela atriz Yaani King, e o casal possui dois filhos. Isso torna o relacionamento um pouco mais turbulento, Devin se vê a todo momento dividido entre a busca pelos tênis com os quais sonha e as obrigações como chefe da casa.

Posteriormente, para compor o grupo de sneakerheads ou seja, pessoas que dominam toda a cultura dos tênis, isso vai, desde nomes, marcas, modelos, ano de lançamento, celebridades que já usaram os modelos, até chegar a história mais dois personagens que de forma um pouco acentuada acrescentarão mais tensão e humor a trama. Nori, pela atriz Jearnest Corchado e Stuey (Matthew Josten).

Roteiro

Inicialmente, o roteiro tem boa elaboração, é interessante. A temática sobre a cultura sneakerheads traz algo que agrega ou cria identidade com pessoas, principalmente as que aderem a essa cultura ou desejam iniciar ou se aprofundar nela. Inclusive, os personagens foram interpretados com bastante naturalidade o que trouxe certa leveza às cenas.

Na primeira temporada vemos um conjunto de seis episódios cada um beirando os seus vinte e cinco minutos com cenas bem
feitas, bem dirigidas. Porém, nas finalizações dos episódios e alguns momentos faltou um desfecho ou dar uma amarrada no
roteiro.

O apego doentio à mercadoria

A princípio, o apego excessivo e algumas renúncias feitas em favor dos tênis, para quem não é um sneakerhead, demora a fazer algum sentido. Mas, ao mesmo tempo, o seu efeito de imagem e estética se torna interessante, pois o movimento criado desde as falas aos deslocamentos dos personagens na procura ou busca por algo atrai o nosso olhar. Temos uma sensação curiosa ao ver pessoas buscando por algo de forma tão intensa.

Se original ou réplica parece que por um momento não cabia aos personagens ou não era de interesse tamanho conhecimento. Já que o que mais fazia sentido era desvendar mistérios que os levassem aos tesouros que tanto almejam. Apesar de todos os pares de tênis terem sido multiplicados industrialmente em série a relação dos personagens é do tipo: esse modelo foi o único produzido ou é o último dos que foram produzidos, etc.

Por fim, nota-se a ousadia do protagonista Devin ao largar seu emprego como designer de tênis, com carteira assinada, algo que talvez o desse mais estabilidade ou garantia, por algo meio que duvidoso, onde o lucro poderia não ser certo. Trocar o certo pelo duvidoso, o formal pelo informal. Em seguida, ele acaba lidando com mercadorias ilegais, sem notas fiscais ou alguma documentação que as reconhecessem, o que coloca sua vida, índole e dignidade em total risco. Afinal, uma série sobre uma subcultura.

Enfim, veja o trailer:

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