Remakes sempre fizeram parte da ficção científica televisiva. Clássicos frequentemente retornam com efeitos especiais atualizados e novas leituras — às vezes com sucesso, como aconteceu com Battlestar Galactica. Ainda assim, algumas produções atingiram um status raro: são vistas como obras impossíveis de recriar sem perder identidade. Stranger Thing é uma. Um levantamento recente destaca dez séries “intocáveis”, seja pela influência cultural, pela estética muito ligada à época ou por histórias difíceis de repetir.
Lexx (1996–2002)
A produção canadense-alemã, pouco conhecida no Brasil, mistura humor absurdo, erotismo e aventura espacial em tom propositalmente exagerado. Seu visual barato e estilo “série B” são parte essencial do charme — justamente o que tornaria um remake artificial. Reproduzir imperfeições intencionais costuma ser mais difícil do que modernizar efeitos.
Lost (2004–2010)
Lost tornou-se um fenômeno cultural global nos anos 2000. O debate semanal, teorias de fãs e química do elenco ajudaram a criar um evento televisivo específico daquele período. A conclusão ainda divide opiniões, mas o impacto coletivo dificilmente poderia ser repetido em um cenário atual dominado pelo streaming sob demanda.
Farscape (1999–2003)
Coproduzida pela Jim Henson Company, a série combinava ficção científica com bonecos e efeitos práticos elaborados. A estética artesanal contribuiu para o apego do público — algo que um remake provavelmente substituiria por CGI, eliminando a característica mais marcante.
Stargate SG-1 (1997–2007)
Stargate SG-1 expandiu o universo iniciado no cinema e consolidou uma das franquias militares de ficção científica mais duradouras da TV. O equilíbrio entre humor, drama e temas políticos, além da química do elenco, é apontado como difícil de replicar. Novas histórias nesse universo seriam aceitas; refazer a original, não.
The Expanse (2015–2022)
The Expanse ganhou reputação pela precisão científica e narrativa sem episódios descartáveis. Como a série ainda parece atual tecnicamente, uma atualização estética não teria função clara — e mexer na trama arriscaria quebrar sua coerência.
Babylon 5 (1993–1998)
Planejada desde o início como uma história de cinco anos, antecipou o modelo de narrativa seriada moderna. Mesmo décadas depois, continua funcionando exatamente por ter sido concebida como um romance televisivo fechado, não episódico.
Dark (2017–2020)
Dark ficou conhecida pela trama de viagem no tempo extremamente calculada. A precisão estrutural — cada detalhe conectado — torna difícil imaginar outra equipe replicando a lógica narrativa sem alterar completamente a obra.
Battlestar Galactica (2004–2009)
Curiosamente, já é um remake de uma série de 1978. O sucesso da reinvenção foi tão definitivo que refazê-la novamente soaria redundante. Tornou-se a versão “definitiva” da história.
Stranger Things (2016–2026 )
Stranger Things combina nostalgia dos anos 1980 com narrativa contemporânea. A série depende justamente desse equilíbrio entre época e momento cultural atual — um eventual remake perderia o contexto histórico que sustenta a proposta.
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O que torna essas séries “irremakeáveis”
Os casos variam, mas seguem padrões: fenômenos culturais específicos do tempo de exibição, química de elenco difícil de repetir, estética artesanal ou narrativas perfeitamente fechadas. Em comum, todas mostram que tecnologia moderna nem sempre melhora uma história — às vezes apenas remove aquilo que a tornava única.



