A ideia de que existe um “tipo ideal” de beleza volta ao centro do debate após um levantamento indicar a preferência majoritária por mulheres loiras, jovens e magras em relações sugar. Ou seja, o padrão eurocêntrico. Mais do que um dado de comportamento, o resultado expõe a permanência de um padrão estético que ainda molda desejos, escolhas e dinâmicas sociais.
Segundo a pesquisa do MeuPatrocínio, 79,6% dos homens entrevistados afirmam preferir mulheres loiras, com aparência natural, manequim 38 e menos de 30 anos. Os dados fazem parte de um estudo realizado com 2800 daddies.
Embora apresentado como uma tendência de mercado, o recorte revela uma lógica antiga: a valorização de traços associados à branquitude e à juventude como referência dominante de beleza.
A predominância desse perfil não surge de forma isolada. Historicamente, padrões de beleza foram construídos a partir de referências europeias, reforçadas por décadas de mídia, publicidade e indústria cultural.
O ranking ainda traz que, após a liderança das loiras, morenas e ruivas surgem em sequência entre as preferências dos usuários, com apenas 12,3% e 8,1%, respectivamente. Outro ponto é que 68,9% dos entrevistados afirmam aprovar mulheres que realizaram procedimentos estéticos leves, desde que o resultado “mantenha uma aparência natural”.
Nesse contexto, características como cabelo loiro, corpo magro e aparência jovem passam a ser associadas não apenas à estética, mas também a status, valor social e desejabilidade. O problema não está na preferência individual em si, mas na repetição massiva de um único modelo como ideal dominante.

Quando quase 80% de um grupo aponta para o mesmo perfil, a questão deixa de ser gosto pessoal e passa a refletir um padrão estrutural.
Padrão eurocêntrico: impacto nas relações e na autoestima
Esse tipo de recorte contribui para a invisibilização de outras formas de beleza, especialmente de mulheres negras, indígenas e de corpos fora do padrão tradicional. Ao estabelecer um “perfil ideal”, cria-se também um sistema de exclusão simbólica.
Além disso, a valorização de uma aparência “natural” muitas vezes esconde um ideal estético altamente construído, que ainda assim exige adequação a traços específicos.
Mesmo quando o estudo aponta que características como ambição, objetivos de vida e comunicação são relevantes, esses atributos aparecem como secundários em relação ao filtro inicial baseado na aparência.
O levantamento também reforça a ideia de que atração é algo subjetivo. No entanto, especialistas apontam que preferências não são formadas no vazio — elas são influenciadas por contextos culturais, sociais e históricos.
Ao naturalizar determinados padrões como “gosto pessoal”, corre-se o risco de ignorar como esses mesmos padrões são reproduzidos e reforçados ao longo do tempo.
Padrão eurocêntrico: diversidade ainda é desafio
Embora o próprio estudo reconheça que autenticidade e personalidade são essenciais para relações duradouras, o dado principal evidencia que o primeiro filtro ainda é profundamente visual — e pouco diverso.
O debate, portanto, não é sobre restringir preferências, mas sobre ampliar referências. Questionar por que certos perfis continuam sendo mais valorizados é parte de um processo maior de revisão de padrões que, por décadas, limitaram a representação da beleza.
Em um cenário cada vez mais plural, a permanência de um único ideal revela menos sobre atração e mais sobre o quanto ainda há a avançar em termos de diversidade e inclusão.
Em um país como o Brasil, marcado pela diversidade étnica e pela forte presença de populações negras, pardas e indígenas, a manutenção desse padrão é ainda mais cruel. Ao privilegiar traços eurocêntricos como referência de beleza, reforça-se uma lógica que historicamente marginaliza a maioria da população, criando um distanciamento entre identidade real e ideal valorizado. Isso impacta diretamente a autoestima, as oportunidades e até a forma como mulheres são percebidas socialmente. Em vez de refletir a pluralidade brasileira, esse tipo de preferência reproduz hierarquias estéticas que têm raízes profundas na desigualdade racial e social do país.
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