Série da HBO faz uma de suas maiores alterações em relação a Fogo & Sangue ao criar trama inédita e ampliar o protagonismo de dois personagens
A terceira temporada de A Casa do Dragão (House of the Dragon) continua demonstrando que não pretende seguir à risca os acontecimentos narrados em Fogo & Sangue, livro de George R.R. Martin que serve de base para a produção da HBO. No sexto episódio da temporada, a série promove uma das mudanças mais significativas desde sua estreia ao alterar completamente a trajetória de Corlys Velaryon, conhecido como a Serpente do Mar.
O desvio em relação ao material original surpreendeu até mesmo os leitores da obra, já que cria um suspense inédito sobre o futuro de um dos personagens mais importantes da Dança dos Dragões.
Ao longo da terceira temporada de A Casa do Dragão, a adaptação já vinha expandindo o arco de Corlys além do que foi apresentado por Martin.
A série mostrou o personagem afastado de Porto Real e em conflito com Rhaenyra Targaryen, especialmente por causa da demora em reconhecer oficialmente Alyn e Addam como integrantes da Casa Velaryon. Essa tensão não acontece da mesma forma em Fogo & Sangue, mas serviu para aprofundar os conflitos familiares do personagem.
A seguir há spoilers do sexto episódio da série A Casa do Dragão, quando a HBO foi além.
Após decidir retornar a Porto Real para reforçar as forças de Rhaenyra, Corlys é surpreendido pelos homens de Ormund Hightower, liderados por Jon Roxton. Em vez de seguir sua trajetória conhecida nos livros, ele acaba capturado, encerrando o episódio em um grande suspense.
Como essa situação simplesmente não existe em Fogo & Sangue, nem mesmo os leitores conseguem prever qual será o destino da Serpente do Mar.
Na obra de George R.R. Martin, Corlys nunca é capturado nesse momento da guerra.
Durante boa parte da Dança dos Dragões, ele permanece em Porto Real atuando como um dos principais conselheiros de Rhaenyra, tentando conter decisões impulsivas da rainha.
Mais tarde, quando ela decide perseguir os chamados “sementes do dragão”, Corlys se opõe à medida e ajuda Addam Velaryon a fugir, atitude que faz com que seja acusado de traição.
Ao alterar completamente essa sequência de acontecimentos, a série cria uma linha narrativa inédita que pode mudar significativamente os próximos episódios.
A alteração também parece ter outro objetivo: fortalecer personagens que tiveram participação mais discreta no livro.
Sem Corlys presente, Alyn Velaryon passa a ocupar um papel de maior destaque junto ao conselho de Rhaenyra, assumindo funções políticas que originalmente pertenciam ao seu pai.
A série também amplia a importância de Baela Targaryen, uma das principais cavaleiras de dragão do lado dos Negros.
Além da responsabilidade militar, a possível missão de resgatar Corlys pode aproximar ainda mais Baela e Alyn, romance que a adaptação vem desenvolvendo de forma mais evidente do que o livro.
A Casa do Dragão segue ampliando diferenças em relação aos livros
Desde a primeira temporada, House of the Dragon vem reinterpretando diversos acontecimentos de Fogo & Sangue.
Entre as mudanças mais comentadas estão o aprofundamento da amizade entre Rhaenyra e Alicent Hightower, alterações na cronologia da gravidez de Helaena Targaryen e a criação de conflitos inéditos para diversos personagens.
Ao transformar Corlys em um personagem de destino imprevisível, a HBO reforça que a adaptação utiliza o livro como base, mas não como um roteiro definitivo, mantendo inclusive os leitores em dúvida sobre o que acontecerá a seguir.
Qual a história de Harrenhal, a origem sombria
Além de alterar acontecimentos importantes de Fogo & Sangue, a terceira temporada de House of the Dragon também aproveita para aprofundar uma das lendas mais assustadoras do universo criado por George R.R. Martin.

O quinto episódio revela detalhes sobre a construção de Harrenhal, considerado o castelo mais assombrado de Westeros, e reforça que sua fama vai muito além das superstições.
A sequência amplia uma história que apenas havia sido mencionada nos livros e ajuda a explicar por que tantos personagens enfrentam experiências sobrenaturais ao passar pela fortaleza.
Durante o episódio, Alys Rivers relembra a origem de Harrenhal para intimidar homens enviados para matar Aemond Targaryen.
Segundo a narrativa apresentada, o castelo foi erguido por Harren, o Negro, que levou cerca de quarenta anos para concluir a construção.
Nesse período, milhares de trabalhadores morreram devido às condições brutais da obra.
A lenda afirma ainda que Harren teria misturado sangue humano à argamassa das muralhas e ordenado a derrubada de um antigo bosque de árvores Weirwood, consideradas sagradas pela Antiga Religião.
Essa profanação teria despertado a ira dos chamados Velhos Deuses, dando origem à famosa maldição de Harrenhal.
Ao longo da história de Westeros, Harrenhal ficou marcada por tragédias sucessivas.
Logo após ser concluída, a fortaleza foi parcialmente destruída pelo fogo dos dragões durante a Conquista de Aegon.
Desde então, praticamente todas as casas nobres que assumiram seu controle sofreram mortes violentas, guerras, assassinatos ou quedas políticas, alimentando a crença de que o local é realmente amaldiçoado.
Enquanto Game of Thrones tratava Harrenhal principalmente como um castelo em ruínas, A Casa do Dragão enfatiza seu aspecto sobrenatural.
Na segunda temporada, Daemon Targaryen já havia enfrentado visões perturbadoras dentro da fortaleza.
Agora é a vez de Aemond experimentar a atmosfera inquietante do local, sob a influência de Alys Rivers, personagem cercada por mistérios e frequentemente associada à magia.
Ao explorar essas lendas, a série reforça que o sobrenatural continua desempenhando um papel importante em Westeros, tornando Harrenhal um dos cenários mais enigmáticos e perigosos de toda a franquia.
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