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Bobby Seale gets short shrift in The Trial of the Chicago 7. Niko Tavernise/Netflix 7 de chicago
Cinema e StreamingCríticaNotícias

Crítica: ‘Os 7 de Chicago’ provoca reflexões sobre tribunais, ideais e o sistema

Por Alvaro Tallarico
Última Atualização 22 de outubro de 2026
4 Min Leitura
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Bobby Seale em 7 de chicago - Niko Tavernise/Netflix
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Os 7 de Chicago (The Trial of the Chicago 7) vale a pena. Diversas cenas desse filme foram fundo no meu peito. Em especial uma com Bobby Seale (Yahya Abdul-Mateen II). O filme é sobre justiça. Ou melhor, sobre injustiça. Cartas marcadas. Mas também sobre estratégias. É triste. Você vai rir de muitas das piadas, mas não sairá feliz. Faz refletir. Tem como base os protestos que ocorreram contra a guerra do Vietnã que interromperam o congresso do partido Democrata em 1968. Aconteceram confrontos entre a polícia e os participantes e dezesseis pessoas foram indiciadas pelo ato.

A princípio, os cortes iniciais de Os 7 de Chicago entre as cenas são ótimos. São os raccords, brincando com a continuidade, onde a fala de um personagem acontece, outro termina a frase. Assim conhecemos alguns dos personagens principais e suas motivações. O uso do raccord dessa forma não é algo novo, mas fazia algum tempo que eu não via ter essa utilização com eficiência e objetividade para facilitar a apresentação do que virá a seguir. Ficou engraçado em diversos pontos e extremamente caracterizante. Ou seja, logo de início já conhecemos cada um dos que irão enfrentar as batalhas vindouras e como seus atos posteriores – e anteriores – ao acontecimento que gera o julgamento são relevantes na construção dos personagens e no andamento da película.

Os 7 de Chicago é redondo

Tecnicamente Os 7 de Chicago é redondo com cinematografia competente. A direção e o roteiro são de Aaron Sorkine e carregam o drama com desenvoltura, sem ser piegas, com a capacidade de nos indignar. É um bom filme de tribunal. Em seguida, vem todo o elenco de grandes atores como Eddie Redmayne (Oscar por “A Teoria de Tudo”) que vive Tom Hayden, figura central, e o carismático Sacha Baron Cohen como Abbi Hoffman brilha sempre que aparece. Frank Lagella como o juiz Julius Hoffman não deixa a desejar, com cinismo e autoritarismo fluindo pelos poros.

A participação de Michael Keaton em certo momento traz… hum, eu ia dizer um peso, mas não, mesmo que eu fosse usar no bom sentido, não é isso, não encaixa. A rápida participação magistral de Michael Keaton eleva a qualidade, pois ele chega fornecendo toda a vitalidade e a coragem necessária no que parece ser a hora da virada. O diretor coloca uma cena tão simbólica quando Ramsey Clark (Keaton) faz seu juramento de dizer somente a verdade. É uma das mais obviamente simbólicas, entre tantas outras mais sutis.

Os 7 de Chicago traz duas horas de cinema de boa qualidade falando sobre o mundo em que vivemos, do sistema que nos rodeia, de ideais, sonhos – e pesadelos.

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Afinal, se liga no trailer:

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PorAlvaro Tallarico
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Jornalista especializado em Jornalismo Cultural pela UERJ com experiência em Jornalismo Esportivo. Autor dos livros "O que é Arte? Com a palavra, o artista", "A Paulistana de Ganesha", e outros.

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