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O Bom Professor
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘O Bom Professor’ causa desconforto

Dirigido por Teddy Lussi-Modeste, O Bom Professor é bem executado tecnicamente

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 20 de março de 2025
5 Min Leitura
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Existe uma expressão, hoje podendo ser considerada de mau gosto, mas que cabe perfeitamente para explicar o filme O Bom Professor:

“Não se chuta um cachorro morto”.

Esta expressão induz a uma situação que já chegou ao seu final, ou que já foi compreendida pelos seus envolvidos, de forma que não precise ser melhor explorada pois o espectador já perdeu o interesse na história como um todo.

O Bom Professor é baseado em fatos reais que ocorreram com o diretor e roteirista Teddy Lussi-Modest. A produção conta a história de Julien, François Civil, um jovem professor que após uma constatação inocente e mal compreendida referente à sua aluna Leslie, Toscane Duquesne, é acusado de assédio sexual e sofre as consequências disso em sua sala de aula, em sua relação com seus colegas de ensino e em sua própria vida social.

A primeira cena do filme já nos mostra Julien dando aula de literatura e ensinando seus alunos sobre a análise sintática de um poema, ao discutir o modo como as pessoas conseguem criticar por meio de elogios, Julien usa de exemplo o cabelo de Leslie, a partir disso, começa a tocar um tenso trecho da sinfonia de Outono de Antonio Vivaldi, também usado na cena final de Retrato de Uma Jovem em Chamas (2020, Céline Sciamma), com o mesmo intuito de atordoar o espectador.

A partir desta cena, acompanhamos a decadência da vida de Julien, com a música de Vivaldi em nossa cabeça, por uma hora e meia, sem descansos. Vemos esta grave acusação levar o irmão de Leslie à ameaça-lo de morte, seus colegas o abandonarem, seu próprio relacionamento romântico com seu parceiro, Walid, sofrer as consequências, porém, O Bom Professor foca tanto nos impactos terríveis que Julien sofre, e esquece de desenvolver o essencial para uma boa narrativa: nuâncias de tensão.

O Bom Professor apresenta poucos, senão quase nenhum, momentos de alívio, me levando a refletir que Teddy Lussi-Modeste desejava primeiros expurgar seus demônios, e depois construir uma narrativa complexa no estilo de Monster (2023, Hirokazu Koreeda), por exemplo.

Mallory Wanecque e Toscana Duquesne em cena de O Bom Professor- Divulgação Oficial

Tudo o que Modeste consegue é cansar o espectador, já entendemos que Julien está sofrendo, porém, por que não explorar outros lados desta história? Qual a história de Leslie e seu irmão violento? Por que Océane e colegas estão numa vendeta pessoal à Julien? Qual o limite que deve ser imposto entre ser professor e ser amigo? Entre outras perguntas que poderiam ter sido exploradas, mas, morrem na praia em pró de uma retratação de “pobre coitado” que Julien exala.

Em O Bom Professor, Julien realmente cometeu o assédio sexual? A priori acreditamos que não e foi alvo de crianças maldosas, afinal, nenhuma delas pode ser considerada boa ao longo do filme, mas, na medida que a produção avança, o espectador cansa de somente enxergar um lado da história, ainda mais quando ele é tratado o filme inteiro como vítima, sem jamais termos acesso ao outro lado, afinal, ao retratar sua própria história, Teddy Lussi-Modeste quer se mostrar como o herói, e nada menos, trazendo um desconforto ao espectador.

Este desconforto é auxiliado pela fotografia simples e pela estética pastel e fria de O Bom Professor, tecnicamente o filme pode ser considerado “clean”, é em sua narrativa que realmente poderia se tornar algo de destaque, porém, caímos na mesmice de um retrato repetitivo e unilateral, algo que não atrai o espectador, principalmente o atual, ao discutir algo tão importante e pesado quanto uma acusação de abuso sexual dentro de uma escola.

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Tags:Bom professorCinemacinema francêsCritica o bom professorFrançois Civil
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
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