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Bolero
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Bolero: A Melodia Eterna tenta inovar e lembra ‘Os Sofrimentos do Jovem Werther’

Dirigido por Anne Fontaine, Bolero é longo e repetitivo, sem a mesma magia da música que o inspirou

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 14 de abril de 2025
6 Min Leitura
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Boléro, un film d’Anne Fontaine, avec Raphaël Personnaz (Ravel), Doria Tillier (Misia), Jeanne Balibar (Ida Rubinstein), Emmanuelle Devos (Marguerite Long), Vincent Pérez (CIPA), Anne Alvaro (la mère de Ravel), Sophie Guillemin (Mme Revelot), Alexandre Tharaud (Lalo) - Christophe Beaucarne DOP
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Bolero – A Melodia Eterna se encerra com o seguinte letreiro: “A cada 15 minutos, alguém no mundo está tocando o Bolero de Ravel”, se olharmos e ouvirmos os diferentes modos como este ballet é explorado nos dias de hoje, seja no campo musical ou cinematográfico, podemos perceber o alcance transcendental desta música, o modo como ela transborda emoção e nos cativa, uma pena que a produção de Anne Fontaine não segue pelo mesmo caminho.

Do mesmo modo que Amadeus (1984, Miloš Forman) conta a história de Wolfgang Amadeus Mozart e Minha Amada Imortal (1995, Bernard Rose) a de Ludwig Van Beethoven, Bolero – A Melodia Eterna se passa no século XX e conta a vida de Maurice Ravel, um homem que me lembra em grande parte um sofrimento exagerado presente em um grande livro da literatura romântica alemã.

Escrito por Johann Wolfgang Von Goethe, Os Sofrimentos do Jovem Werther é considerado um marco da literatura mundial e um símbolo do romantismo alemão, ao contar a história de um jovem obcecadamente apaixonado por uma mulher chamada Charlotte. Werther faz de tudo por ela, porém, a donzela está prometida à outro. A produção é recheada de um lirismo exagerado que, segundo a lenda popular, ocasionou uma onda de suicídios por amor na Alemanha, chamado de Efeito Werther.

A principal relação entre Werther e Maurice Ravel se encontra novamente em uma mulher, no caso de Bolero – A Melodia Eterna na forma de Misia, uma grande amiga de Ravel durante toda a vida, porém, também prometida. Ravel passa a vida sonhando com ela, a ponto de contratar prostitutas para conseguir se imaginar com sua amada, a segunda relação entre o protagonista de Goethe e o retratado de Anne Fontaine é que ambos são personagens insuportáveis.

Veja abaixo o trailer de Bolero-A Melodia Eterna e siga lendo

Em nenhum momento da produção existe uma grande catarse, o filme é morno, o tempo inteiro morno, uma marca de alguns filmes franceses, isto não é um problema, contato que o protagonista segure e entretenha, porém, Maurice Ravel não é um dele. Alguns adjetivos que podem classificá-lo são: teimoso, narcisista, reclamão, dramático, entre outros. Acompanhamos a sua jornada por meio de uma linha do tempo confusa, que nos leva desde seus tempos na guerra até a sua morte, e em nenhum momento consegue realmente emocionar, na medida que não apresentamos empatia para com o personagem.

A produção passa a mensagem que o ballet respectivo existe por conta das mulheres da vida do compositor, seja Misa, a amiga Marguerite, sua produtora Ida Rubinstein, ou a sua própria mãe. Prestes a fazer uma cirurgia no cérebro, Maurice Ravel revê todas elas dançando ao som de seu famoso ballet, um que ele criticou muito e se sentia perseguido por, afinal, não foi o que ele “originalmente envisionou”.

Em nenhum momento nos aproximamos dos personagens, mas, o fato do próprio Maurice ser um sofredor que se acredita injustiçado pelo mundo a todo momento, não auxilia em sua importância, um protagonista que se enxerga a todo momento como vítima do mundo, jamais será atraente.

Bolero

Raphaël Personnaz (Ravel) e Doria Tillier (Misia) em cena de Bolero- Foto de Christophe Beaucarne DOP

Além do roteiro vazio, a produção apresenta outras questões, como o design artístico que deveria remeter ao começo do século XX e aparenta, em certos momentos, ter saído de 2025, e a edição que tenta construir um panorama de toda a vida de Ravel, porém, somente origina algumas elipses temporais que mais confundem o espectador do que qualquer outra coisa.

Bolero – A Melodia Eterna apresentava potencial, porém, o modo como foi escolhido a sua execução, não auxilia a produção de nenhuma maneira, tornando-a chata, vazia, e pior de tudo: esquecível. Algo inadmissível em um filme que retrata a composição de um dos ballets mais famosos da humanidade, explorado com sua glória durante os créditos iniciais, aonde vemos todas as possibilidades e linguagens rítmicas que apresenta, por conta disso, não consigo parar de pensar como um documentário teria sido mais eficiente, algo que realmente poderia representar a importância e significância do Bolero, ao invés do filme vazio que temos no lugar.

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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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