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Pacto da Viola
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: Pacto da Viola fala do Diabo, música e Conflitos do Sertão Brasileiro

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 28 de julho de 2025
6 Min Leitura
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Pacto da Viola_dirigido por Guilherme Bacalhao_com o ator Wellington Abreu
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Dirigido por Guilherme Bacalhao, Pacto da Viola usa de um regionalismo do sertão brasileiro para contar sobre família, desejos e ambições

Em um país tão grande como o Brasil, não é de se estranhar o fato que cada região tenha suas próprias lendas urbanas, desde o bairro do Anhangabaú em SP e sua relação com o mito indígena do Anhangá, até ritos folclóricos muito presentes no interior de SP, desde os mais comuns como o lobisomem e a mula-sem-cabeça, tão presentes em histórias do Chico Bento, quanto histórias que moldam relações e culturas pequenas cidades do interior, como aquela retratada em Pacto da Viola e histórias do diabo que permeia toda a produção.

Muito antes de Edgar Allan Poe, Robert Louis Stevenson e Machado de Assis escreverem contos literários sobre esta figura tão impotente, o diabo já estava presente no imaginário popular, seja pelo seu retrato na Bíblia como a serpente que tentou Adão e Eva, ou durante a Idade Média e sua afiliação como algo sempre ruim, afetando o homem e o impedindo de agir perante a norma do senhor Deus, podendo realizar desejos, porém, exigindo um preço alto por isso, geralmente a alma daquele que faz o pedido.

Sendo uma das maiores inspirações narrativas dentro do cinema, literatura, e até mesmo músicas em composições como The Devil Went Down to Georgia (1979, Charles Daniels), e neste contexto de mistério, horror e intriga se existe ou não uma presença diabólica, somos agraciados com uma bela fotografia, uma arte de abrir os olhos, e interações que discutem desde o sonho da cidade grande como uma forma de escape, principalmente para Joyce, até a opressão dos trabalhadores pelos grandes fazendeiros.

Pacto da Viola

Wellington Abreu em cena de
Pacto da Viola- Guilherme Bacalhao- Divulgação Trombone Comunicação

Para um filme independente, Pacto da Viola surpreende com sua meticulosa Mise-en-scène, e um cuidado à detalhes que produções com o dobro de seu orçamento, não apresentam, construindo por meio de pequenos detalhes uma dualidade que não impõem uma crença em cima do espectador, deixando ele tomar a própria decisão se acredita ou não em toda a história sobre um diabo que desceu o rio em um balsa cantando as mulheres, e que ocasionou toda a desgraça para Alex, Wellignton Abreu, e seu pai Lázaro, Sérgio Vianna.

Por conta da relação encontrada entre música e uma força maligna que atrai o protagonista independente de todas as contraindicações apresentadas, Pacto da Viola me lembrou Pecadores (2025, Ryan Coogler), porém, de um modo bem mais pé no chão. Segundo o diretor, Guilherme Bacalhao: “A Viola é um instrumento que pode conectar os músicos tanto ao sagrado quanto ao profano. Isso abre espaço para uma narrativa cheia de mistério e espiritualidade, mas que também está profundamente enraizada nas tradições do sertão”.

Este conflito entre tradição e modernidade é uma das premissas básicas de Pacto da Viola, e uma das mais interessantes também, na medida que Alex explora os limites entre os santos e o diabo, e conceitos regionais como o fechamento do corpo, e arrependimentos da vida, tudo enquanto luta contra si mesmo e o receio de aonde se encaixa no mundo.

Pacto da Viola

Gabriela Correa e Wellignton Abreu em cena de Pacto da Viola- Guilherme Bacalhao- Divulgação Trombone Comunicação

Apesar de apresentar um excelente roteiro, Pacto da Viola somente incomoda na medida de enganar o espectador e fazê-lo esperar algo que somente chega nos minutos finais, não era necessário mostrar o pacto em si, porém, diversas vezes me peguei pensando: “é agora”, “agora vai”, “chegou a hora”, e não acontecia, repetindo na cena seguinte o mesmo raciocínio e momentos que vimos anteriormente: a relação de Alex com a prima, Alex tentando ganhar dinheiro como músico, o pai que se fechou após a morte da mãe, entre outras questões.

Na medida que disserta sobre herança familiar e legado de pai para filho, sejam nas benções ou nas maldições, a produção é um hino regionalista e à brasilidade do sertão brasileiro, não podendo ser realizada a produção em nenhum outro lugar que não fosse no interior de Brasília, trazendo inclusive um senso de nostalgia em determinadas cenas, ao compararmos esta vida tão diferente das grandes cidades, e ao mesmo tempo tão mais opressora, colocando novamente em cheque o tradicional e o moderno.

Vencedor de Melhor Longa Metragem no Cordillera De Los Andes International Film Festival, realizado no Equador, Pacto da Viola é uma produção 400 filmes e estreia 07 de Agosto nos cinemas de todo o país.

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Tags:Cinemacinema brasileirocinema nacionalcriticaCrítica O Pacto da ViolaEdgar Allan PoeO Pacto da ViolaTradição
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