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Rabia
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: Rabia mostra a dor silenciosa das esposas do Estado Islâmico

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 4 de agosto de 2025
6 Min Leitura
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Natacha Krief e Megan Northam em cena de Rabia- Divulgação Pandora Filmes
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Dirigido por Mareike Engelhardt, Rabia é um denso retrato da vida das mulheres que servem ao Estado Islâmico, sem autoridade, voz ou possibilidade de escape.

As Troianas, peça de Eurípides, retrata as consequências da Guerra de Troia sob o ponto de vista das mulheres derrotadas. Cassandra, Hécuba, Andrômaca, entre outras, são violentadas e entregues como troféus aos guerreiros gregos vitoriosos, que se julgam no direito de possuí-las, independente de muitos já serem casados, como é o caso de Agamemnon. Refletindo sobre isso, percebo que a peça continua sendo comentada até hoje porque reflete, de forma perturbadora, uma realidade que persiste: a das mulheres usadas como prêmio e recompensa em situações de guerra, como vemos no filme Rabia.

A trama acompanha Jéssica, uma jovem francesa de 19 anos que parte para a Síria em busca de uma nova vida, onde acredita que será valorizada. Ela é enviada para uma Madafa, espécie de casa onde mulheres solteiras ou viúvas aguardam para se casar com combatentes. Sob a vigilância estrita de Madame, uma figura ao mesmo tempo carismática e temida, Jéssica recebe o nome de Rabia e começa a experimentar o cotidiano de dor, crença cega e submissão que permeia esse núcleo feminino, quase sectário, em prol de sua “missão” como prêmio dos combatentes jihadistas.

Dado o tema, Rabia não poderia ser um filme leve. Sem momentos de respiro, a produção adota uma estética escura e opressora, intensificada por uma decupagem intimista, com planos fechados nas mulheres retratadas, o que acentua a sensação de aprisionamento. Com pouco mais de 90 minutos, o filme impacta o espectador, que sai da sala mais pesado, especialmente ao lembrar que essas situações ocorrem neste exato momento, muitas vezes longe de nosso conhecimento.

Rabia

Megan Northam em cena de Rabia- Divulgação Pandora Filmes

Apesar do subtítulo As Esposas do Estado Islâmico, os homens aparecem em apenas dois momentos na narrativa, e em ambos deixam uma péssima impressão: o primeiro tenta estuprar Jéssica; o segundo tenta forçar o retorno de sua esposa à vida de abusos que ela tentava fugir, levando ao suicídio desta.

Para não fetichizar a violência, Engelhardt opta pelo extracampo: o som, o silêncio e as marcas físicas são os recursos dramáticos escolhidos para tratar o impacto psicológico do ambiente. A direção de arte é mutável, acompanhando a adaptação de Jéssica à nova realidade. Figurino, iluminação e enquadramentos evoluem junto com a protagonista, que, apesar da opressão, passa a ter mais voz e determinação dentro da Madafa.

As mulheres desta casa se aproximam, neste sentido, de Natasha Rostova, de Guerra e Paz (1867, Liev Tolstói): mulheres que, por inocência ou desconhecimento, nutrem uma fé cega em algo terrível. Natasha acreditava na beleza da guerra; as esposas do Estado Islâmico acreditam estar cumprindo um dever sagrado como mulheres, e que, por isso, seriam respeitadas e valorizadas.

Rabia

Megan Northam em cena de Rabia- Divulgação Pandora Filmes

Ver essas mulheres, animadas, ansiosas para serem escolhidas, para, no fundo, serem violentadas e descartadas, é torturante. Quando Jéssica começa a ganhar respeito dentro da instituição, percebemos que o sistema é ainda mais profundo e enraizado do que parecia. Muitas vezes, não resta outra alternativa a não ser fugir, agarrando-se a uma centelha de esperança. No caso de Rabia, essa centelha é uma criança: símbolo de um possível novo mundo em um deserto que parece infinito e sem saída, mas que, em algum momento, pode chegar ao fim.

Rabia fará parte da 2º edição do Festival Filmes Incríveis que será realizado no Reag Belas Artes, em SP. Entre os dias 31 de Julho e 14 de Agosto, o festival passará 15 filmes de diferentes países como França, Geórgia, Turquia, Vietnã, entre outros, além de um filme surpresa que somente receberá informações no dia da projeção.

As informações sobre o festival Filmes Incríveis podem ser encontradas no site oficial, sendo R$12 reais a meia entrada, e R$24 reais a inteira, além da possibilidade de se comprar um passaporte para aqueles que desejam assistir a todos os filmes deste promissor espetáculo audiovisual.

Após este período, Rabia será lançado no dia 21 de Agosto, com distribuição da Pandora Filmes.

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Tags:CinemacríticaCrítica RabiaEsposas do estado IslâmicoEstado IslâmicoFestival Filmes IncriveisGuerra de Troiapandora filmesRabia
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