Dirigido por Halder Gomes, C.I.C: Central de Inteligência Cearense é uma comédia popular brasileira que abraça o que pretende ser: uma sátira com potencial para ir além.
A parceria entre Halder Gomes e Edmilson Filho não é novidade. Juntos, já entregaram comédias que, mesmo sem fortes núcleos dramáticos, conquistam pelo humor leve e pela brasilidade pulsante, algo cada vez mais necessário no cinema nacional. Filmes como Cine Holliúdy (2012, Halder Gomes) e O Shaolin do Sertão (2016, Halder Gomes) já carregavam esse DNA, mas em C.I.C: Central de Inteligência Cearense o sentimento de pertencimento atinge um novo patamar, abrindo portas para um universo ainda maior.
Partindo da ideia de que o Brasil também merece seu próprio herói, assim como os EUA têm Batman ou Homem-Aranha, o filme mergulha na sátira do gênero de espionagem. Inspirado por produções como James Bond e paródias como Austin Powers – Um Agente Nada Discreto (1998, Jay Roach), assim, Halder constrói do zero não apenas o Agente Karkará, Edmilson Filho, mas toda uma mitologia que abrange o Brasil e a América Latina.

Edmilson Filho, Monique Hortolani e Nill Marcondes em cena de C.I.C: Central de Inteligência Cearense – Divulgação Paris Filmes
A trama acompanha Karkará, um agente secreto com braço biônico encarregado de recuperar um projeto ultra-secreto desenvolvido entre Brasil, Paraguai e Argentina, tão sigiloso que nem a própria agência sabe do que se trata. Essa premissa absurda conduz a narrativa por cenários vibrantes e personagens carismáticos, como o Espírito Santo, Nill Marcondes, e Cortez, o capanga tribiônico, André Segatti, todos paródias exageradas de arquétipos do gênero de espionagem, com direito à cicatrizes e animais felpudos que o vilão acaricia, porém, com um toque único graças à direção afiada de Halder Gomes.
Visualmente, o filme abraça um estilo próximo ao de desenhos animados como Animaniacs (1993): gags em sequência, som não diegético que leva a efeitos cômicos, cortes rápidos e até variações de frames por segundo nas cenas de luta, criando uma fluidez cartunesca e extremamente rápida, algo necessário em uma produção ousada, e gravada em somente 30 dias. O enredo segue uma lógica simples, acontecimento A leva a B, que leva a C, até desembocar num final heróico e bem-humorado. Apesar da diversão garantida, a produção não deixa marcas emocionais profundas, algo que pode vir a ser explorado em futuras sequências.
O ponto fraco, quando inevitavelmente comparado a outros filmes semelhantes, é a ausência de um núcleo dramático sólido. Mesmo produções cômicas como Austin Powers mantinham uma linha emocional que ancorava a trama, e os recentes James Bond de Daniel Craig exploravam dramas pessoais que davam peso à narrativa. Aqui, a tentativa de criar algo semelhante, a origem de Karkará envolvendo um burro mutante que arranca seu braço, ou a história pregressa de Micaela, não conseguem atingir o mesmo impacto. Ao final, C.I.C: Central de Inteligência Cearense se destaca por meio de personagens carismáticos, interpretados por atores que caíram maravilhosamente no papel, mas que carecem de conflitos internos que os tornem dignos de lembrança, e não somente alívio cômico.

Edmilson Filho e Gustavo Falcão em cena de C.I.C: Central de Inteligência Cearense – Divulgação Paris Filmes
Ainda assim, o grande trunfo de C.I.C está na brasilidade que injeta dentro deste cenário absurdo, e destes personagens malucos. Cada piada, cada expressão nordestina, cada interação de Karkará com personagens latinos, carrega um DNA cultural que aproxima a audiência de forma maior do que qualquer produção estrangeira conseguiria. E isso, por si só, é uma vitória significativa para o cinema nacional, e para o público como um todo.
Distribuído pela Paris Filmes, C.I.C: Central de Inteligência Cearense estreia em 28 de agosto de 2025, em cinemas de todo o país.
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