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Ladrões
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: Em ‘Ladrões’, Aronofsky troca terror psicológico por humor e ação

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 27 de agosto de 2025
5 Min Leitura
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Austin Butler em cena de Ladrões- Copyright 2024 CTMG, Inc. All Rights Reserved.
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Dirigido por Darren Aronofsky, Ladrões é um thriller ágil e cheio de reviravoltas, com um elenco afiado e entretenimento puro, algo incomum na filmografia do diretor.

Darren Aronofsky é um mestre em thrillers e terrores psicológicos, tendo demonstrado esta capacidade em produções como Réquiem para um Sonho (2000), Cisne Negro (2010) e Mãe! (2017), entregando diferente cenas traumatizantes e desconfortáveis, além de um estudo minucioso sobre a psicologia de seus personagens, muitas vezes inundados por metáforas e sentimentos controversos, marcando o público por mais maneiras do que ele poderia imaginar.

Na Masterclass realizada no México em 11 de agosto de 2025, e transmitida ao vivo para a América Latina, um momento marcou: uma jovem mexicana revelou ao diretor que Réquiem para um Sonho a ajudou a ficar sóbria, prova do impacto profundo de sua obra. Entretanto, com sua mais nova produção, Ladrões, a proposta era diferente: divertir. Tanto que os créditos finais exibem uma animação fofa de gatinho, suavizando um filme que, mesmo com violência, sexo, e marcas autorais clássicas do diretor, é mais acessível ao grande público, que busca somente um entretenimento.

Ladrões

Austin Butler, Liev Schreiber, Vincent D’Onofrio em cena de Ladrões- Copyright 2024 CTMG, Inc. All Rights Reserved.

A trama acompanha Hank Thompson (Austin Butler), alcoólatra, ex-jogador de beisebol e barman sem perspectivas, que se vê no meio de uma caça ao tesouro na Nova York dos anos 90. Perseguido por figuras que vão de irmãos judeus, russos com cicatrizes, até um perigoso personagem vivido por Bad Bunny, assim, Hank deve assumir o controle da própria vida, na medida que seus dias se transformam um inferno privativo. Entre pancadas, perdas e um trauma mal resolvido, sua jornada se torna inevitável, amadurecendo de uma maneira única, e gostosa de se acompanhar.

Os primeiros dez minutos acumulam mais piadas do que toda a carreira de Aronofsky, e durante a produção percebemos como Ladrões se aproxima, em diversos momentos, do estilo frenético de Guy Ritchie, algo presente desde a utilização de Should I Stay or Should I Go (1981, The Clash), em seu trailer. A fotografia e o mise-en-scène seguem impecáveis, como todo filme do diretor, sustentados por uma edição fluida que não dá descanso ao herói trágico, e por personagens extremamente marcantes.

O elenco é um dos grandes trunfos. Matt Smith e o próprio Butler estão ótimos, mas os destaques ficam para Liev Schreiber, Vincent D’Onofrio, e para a própria cidade de Nova Iorque, um ambiente sujo, claustrofóbico e opressor, a ponto de diversas vezes ao longo da produção, ser discutido o conceito de como a cidade está mudando rapidamente, e não necessariamente para melhor. Após passar tanto tempo oprimido por tantos prédios, Hank somente encontra paz no oceano, cenário que permitiu a paz para iniciar um caótico e divertido terceiro ato.

Ladrões

Austin Butler, Zoë Kravitz em cena de Ladrões- Copyright 2024 CTMG, Inc. All Rights Reserved.

O roteiro, assinado por Charlie Huston, autor do livro homônimo que inspirou o filme, é o outro pilar de Ladrões. A narrativa oferece múltiplos pontos de virada e mantém o espectador alerta, provando que Aronofsky sabe conduzir um espetáculo ágil e divertido, que talvez seja mais esquecível do que suas outras produções, porém, mantém afiado o seu olhar de autor.

Distribuído pela Sony Pictures, Ladrões estreia nos cinemas brasileiros em 28 de agosto de 2025.

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Tags:Austin ButlerCinemacríticaDarren AronofskyLadrõesthriller
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