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Ingrid Guimarães e Rafa Chalub em cena de Perrengue Fashion-Divulgação Festival do Rio
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Perrengue Fashion’ aposta no humor popular como forma de entretenimento

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 1 de outubro de 2025
6 Min Leitura
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Ingrid Guimarães e Rafa Chalub em cena de Perrengue Fashion-Divulgação Festival do Rio
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Dirigido por Flávia Lacerda, Perrengue Fashion entrega exatamente o que se espera de uma comédia popular brasileira, com seus acertos e tropeços.

Desde a Grécia Antiga, a comédia carrega o papel de satirizar e rebaixar figuras poderosas ao nível do cotidiano. Em Perrengue Fashion, essa função se desloca para um dos arquétipos mais populares de nosso tempo: o influenciador digital. Não como alvo de ofensa, mas como um personagem exagerado, que transforma trejeitos comuns em situações absurdas e cômicas, ocasionando humor por conta da superficialidade e imersão no próprio mundo, porém, sem nunca julgar a profissão. O resultado é um universo caótico e único, no qual reconhecemos “Paulas” e “Taylors” que habitam tanto o mundo real quanto o imaginário, e nos levam uma jornada única.

Inspirado em uma ideia original de Ingrid Guimarães, Perrengue Fashion acompanha Paula, uma influenciadora de moda que sonha com o estrelato. Em sua jornada, se mete no coração da Amazônia brasileira, juntamente com seu amigo e assistente Taylor, em busca do filho tão essencial para uma publicidade, e nesta jornada, reflete sobre seus desejos e sonhos.

Ingrid Guimarães e Filipe Bragança em cena de Perrengue Fashion-Div

Ingrid Guimarães e Filipe Bragança em cena de Perrengue Fashion-Divulgação Festival do Rio

A representação da floresta é propositalmente caricata, mosquitos exagerados, estereótipos e percepções distorcidas típicas de quem nunca saiu da bolha urbana do Sudeste. Assim como estrangeiros e parte do público nacional costumam enxergar a região, a Amazônia aparece filtrada por clichês, lembrando o que já vimos em Rio 2 (2014, Carlos Saldanha), e em tantas outras comédias brasileiras que caem no universo caricato. Apesar de trazer belas imagens e uma mensagem clara sobre a paz que se pode encontrar quando se desacelera do mundo, Perrengue Fashion não se aprofunda nesse universo, preferindo recorrer a soluções fáceis e até mesmo previsíveis.

O tratamento dado à comunidade ribeirinha reforça essa superficialidade. Diferente de O Rei da Feira (2025, Felipe Joffily), que retratava com dignidade trabalhadores populares, aqui a população local serve apenas como pano de fundo. Tirando uma mulher que sofre com as ideias de Paula e algumas crianças sem falas, não há protagonismo ou voz, sendo, tristemente, um recurso comum nas comédias brasileiras: rir a partir do estereótipo, mesmo que isso limite a riqueza do cenário escolhido, como no caso da cerimônia da Iowaska que serve mais como forma de humor do que ritualística.

Apesar da presença de Filipe Bragança, o destaque da produção é de Rafa Chalub, influenciador e humorista que estreia no cinema como coprotagonista. Seu personagem parte do arquétipo do “amigo gay”, mas ganha novas camadas graças ao carisma e ao humor natural do ator, se tornando um alívio cômico eficiente ao lado de Ingrid, equilibrando leveza e momentos dramáticos, despertando até a expectativa de um arco mais ousado para a relação entre ambos, que infelizmente não se concretiza.

Ingrid Guimarães e Rafa Chalub em cena de Perrengue Fashion-Div

Ingrid Guimarães e Rafa Chalub em cena de Perrengue Fashion-Divulgação Festival do Rio

O humor é constante e, muitas vezes, acelerado demais. São duas ou três piadas por minuto, misturando gags físicas, referências pop, sexualidade e improvisos típicos de Ingrid Guimarães. Algumas funcionam muito bem, principalmente no ambiente coletivo da sala de cinema, mas outras soam apressadas e poderiam se beneficiar de pausas maiores. Ainda assim, o filme entrega risadas frequentes, o que já garante sua função principal como forma de entretenimento para os amantes do gênero.

Como forma de diversão, Perrengue Fashion é eficiente, lembrando o ritmo de sucessos como De Pernas Pro Ar (2010, Roberto Santucci) e Fala Sério, Mãe! (2017, Pedro Vasconcelos). Ingrid Guimarães reafirma sua posição como uma das principais vozes da comédia popular brasileira, atraindo sempre o grande público, não por acaso que em coletiva recente para a divulgação do filme, revelou ter ouvido, após a morte de Paulo Gustavo, que caberia a ela “salvar” o gênero. É uma responsabilidade imensa, e mesmo que Perrengue Fashion não seja universal, é inegável que a atriz se encontra em uma de suas melhores formas.

Distribuído pela Paris Filmes em parceria com a Downtown Filmes, Perrengue Fashion terá sessões nos dias 06 e 07 de Outubro, como parte do 27º Festival do Rio, e em seguida estreará nos cinemas nacionais em 9 de outubro.

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Tags:amazôniaCinemacinema brasileirocinema nacionalcomédiacríticaInfluenciadoraIngrid GuimarãesPerrengue
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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