Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e termos de uso.
Aceito
Vivente AndanteVivente AndanteVivente Andante
  • Cinema
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Font ResizerAa
Vivente AndanteVivente Andante
Font ResizerAa
Buscar
  • Cinema
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Cena de "Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu"- Divulgação Imagem Filmes
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu’ retorna com a dupla após muitos anos, mas é bom?

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 20 de dezembro de 2025
6 Min Leitura
Share
Cena de "Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu"- Divulgação Imagem Filmes
SHARE

Dirigido por Gang Zhang, Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu coloca a dupla em um novo território, ironicamente, tornando-os personagens secundários do próprio filme.

Mais antiga do que duplas como Coyote e Papa-Léguas e Piu-Piu e Frajola, Tom e Jerry é uma das uniões mais icônicas da animação tradicional do século XX. Ao longo de seus 85 anos de existência, a franquia foi revisitada sob inúmeras óticas: desde Tom e Jerry: O Filme (1992, Phil Roman), que deu voz aos personagens, passando por produções híbridas com live-action, filmes animados e diversos curtas. Em todas essas versões, uma ideia central sempre se manteve: apesar de “inimigos”, um não funciona sem o outro, e esta longevidade garantiu sua relevância a ponto de permitir até mesmo uma releitura sob um olhar chinês, como acontece aqui.

Indo direto ao ponto, a produção utiliza Tom e Jerry principalmente como ferramenta de apelo comercial para alavancar o filme, estruturando uma homenagem à mitologia e cultura chinesa, da mesma forma que a apresenta para o público ocidental. Trata-se do uso de uma propriedade intelectual profundamente enraizada no imaginário coletivo para facilitar uma recepção mais calorosa, afinal, o nome “Tom e Jerry” carrega peso não apenas entre crianças, mas também entre adultos que cresceram acompanhando o desenho.

Apesar das inúmeras referências aos curtas clássicos, incluindo uma brincadeira com a música de abertura original e gags tradicionais da dupla, persiste, durante boa parte do filme, a sensação incômoda de que Tom e Jerry ocupam um papel secundário na narrativa.

Cena de "Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu"- Divulgação Imagem Filmes

Cena de “Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu”- Divulgação Imagem Filmes

A história começa com Jerry tentando entrar em um museu vigiado por Tom, que atua como segurança. Após uma perseguição pelo local, ambos ativam uma bússola mágica que os transporta para outra época, em um universo marcado por deuses, vilões e tradições milenares chinesas, bastante distante da Nova Iorque habitual da dupla. Nesse novo cenário, Tom é confundido com um deus, enquanto Jerry cruza o caminho de Ratalhão, um vilão amargurado que deseja o objeto para si. Ainda assim, o verdadeiro arco narrativo pertence ao Mestre Fênix, um deus condenado à forma humana, único personagem com desenvolvimento consistente ao longo da trama.

Tom e Jerry funcionam essencialmente como dispositivos de enredo: são eles que possibilitam a viagem temporal e movimentam a bússola ao longo da história. No terceiro ato, inclusive, acabam sendo deixados de lado em prol de Mestre Fênix, cujo arco, um ser poderoso aprendendo humildade, segue um modelo clássico e amplamente explorado em outras animações. Elementos como a farsa envolvendo Tom ser um deus ou a presença de uma criança que motiva o herói a agir reforçam essa sensação de previsibilidade, conduzindo a um desfecho já esperado, e já visto mais vezes do que deveria.

Durante o primeiro e o segundo atos, ainda acompanhamos diversas peripécias da dupla, e cenas aleatórias como dois números musicais que deixam a audiência desconfortável. No entanto, no arco final, o conflito cresce em escala de forma tão exagerada que o espectador quase se esquece de estar assistindo a um filme que deveria girar em torno de Tom e Jerry. Embora existam lampejos de criatividade, especialmente nas piadas metalinguísticas, quando a narrativa assume de vez o tom de fantasia épica e culmina em uma batalha entre criaturas gigantes, o resultado se torna denso e cansativo, inclusive para o público infantil.

Como homenagem à cultura e à tradição chinesa, o filme é competente. Há referências ao horóscopo, paisagens grandiosas e sequências visuais que, em alguns momentos, remetem diretamente a Kung Fu Panda (2008, Mark Osborne e John Stevenson), porém, Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu talvez funcionasse melhor se não carregasse o peso de personagens tão icônicos ou se a dupla tivesse maior protagonismo.

Cena de "Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu"- Divulgação Imagem Filmes

Cena de “Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu”- Divulgação Imagem Filmes

A produção teria resultados mais interessantes se apostasse com mais intensidade no caos e na anarquia que sempre definiram Tom e Jerry: corpos se deformando, violência cartunesca e consequências inexistentes. Em vez disso, opta-se por um arco dramático centrado em um personagem pouco envolvente, enquanto uma das duplas mais queridas da animação é colocada em segundo plano.

Tecnicamente, a animação 3D de baixo orçamento confere dinamismo ao filme, principalmente quando brinca com diferentes estilos em 2D. Há momentos visualmente criativos e interações memoráveis, que poderiam ter sido potencializados com um maior desenvolvimento de contexto e relações entre os personagens, levando a um resultado que diverte crianças e fãs ocasionais, mas é amplamente esquecível quando analisado especificamente como um filme de Tom e Jerry.

Distribuído pela Imagem Filmes, Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu estreia nos cinemas brasileiros em 8 de janeiro de 2026.

Siga-nos e confira outras dicas em @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!

Leia mais

  • Crítica: ‘Avatar: Fogo e Cinzas’ traz forte espetáculo em fórmula conhecida
  • Crítica: ‘Agentes Muito Especiais’ é sátira contida demais
  • Crítica: ‘Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada’ aposta no absurdo para reencontrar sua essência
Tags:CinemacriticaCritica Tom e Jerry: Uma Aventura no Museuimagem filmesTomTom e JerryTom e Jerry: Uma Aventura no MuseuWARNER BROS
Compartilhe este artigo
Facebook Copie o Link Print
1 comentário
  • Pingback: 'Jovens Mães' fica no limiar do retrato da maternidade adolescente

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Gravatar profile

Vem Conhecer o Vivente!

1.7KSeguidoresMe Siga!

Leia Também no Vivente

filme crítica Amigo Secreto
CríticaCinema e Streaming

Crítica | ‘Amigo Secreto’ mostra o outro lado da Operação Lava Jato

pedroflexa
3 Min Leitura
Corisco e Dadá - Cariri Filmes
Cinema e Streaming

Onde ver ‘Corisco e Dadá’: Sessão especial no Rio reúne estrelas

Redação
3 Min Leitura
Gloria!
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: Gloria! resgata talentos apagados pela história

André Quental Sanchez
6 Min Leitura
logo
Todos os Direitos Reservados a Vivente Andante.
  • Política de Privacidade
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?