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Timothée Chalamet em cena de "Marty Supreme"- Divulgação Diamond Pictures BR
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Marty Supreme’ traz adrenalina em história tradicional demais

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 14 de janeiro de 2026
7 Min Leitura
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Timothée Chalamet em cena de "Marty Supreme"- Divulgação Diamond Pictures BR
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Dirigido por Josh Safdie, Marty Supreme abraça o caos em narrativa fragmentada fazem com que impede o verdadeiro potencial.

Quando uma produção é cercada por tanto falatório, é inevitável que expectativas sejam criadas. Desde o início, Marty Supreme reunia todos os elementos para atrair a atenção dos amantes de cinema ao redor do mundo: o selo da A24, o protagonismo de Timothée Chalamet, o retorno de Gwyneth Paltrow, a direção de Josh Safdie e um primeiro trailer, que utilizava de forma magistral Forever Young (1984, Alphaville). Somava-se a isso uma história de ambição e redenção que prometia uma jornada quase épica. Por isso, poucas sensações são piores do que sair da sessão com a pergunta inevitável: “É só isso?”.

Ao contar a história de Marty Mauser, um jogador de tênis de mesa que deseja provar ser o melhor do mundo, é impossível não traçar um paralelo com o próprio Timothée Chalamet. O ator já expressou publicamente sua ambição pelo Oscar e revelou medidas extremas adotadas para o papel, como contou no podcast This Past Weekend:

“Em Marty Supreme, eu uso lentes de contato porque [Safdie] queria que meus olhos fossem pequenos. Ele me deu óculos de verdade que estragaram meus olhos, e eu usei lentes de contato por baixo para compensar o efeito dos óculos. Minha visão estava basicamente prejudicada até ontem.” — Timothée Chalamet

Gwyneth Paltrow em cena de "Marty Supreme"- Divulgação Diamond Pictures BR

Gwyneth Paltrow em cena de “Marty Supreme”- Divulgação Diamond Pictures BR

Ambição, e o ego de seu protagonista, são o motor que conduz as 2 horas e 30 minutos de Marty Supreme. Acompanhamos Marty em uma sequência quase homérica de desgraças, uma após a outra, sempre em direção ao objetivo de se tornar o melhor de todos. No entanto, à medida que seu ego se sobrepõe a tudo, torna-se cada vez mais difícil criar empatia. Marty destrói a vida de todos que cruzam seu caminho, enganando, manipulando e deixando as pessoas piores do que estavam antes de conhecê-lo, tudo em nome de um propósito glorioso que beira a loucura e a obsessão.

Não por acaso, Marty Mauser apresenta olhos pequenos e um sobrenome que remete a “mouse”. O personagem pode ser enxergado como um verdadeiro rato, mas não no sentido nobre de um Aladdin. Trata-se de alguém que ameaça pessoas com uma arma, rouba o colar da própria parceira, engana um mafioso e toma decisões moralmente indefensáveis apenas para conseguir o que quer, sem qualquer preocupação com as consequências.

Ao longo da produção, diversos arcos narrativos surgem sem jamais encontrar resolução ou catarse, servindo apenas para empurrar a narrativa adiante. Um exemplo claro é a bolinha de ping-pong laranja, amplamente explorada no marketing do filme, mas que não possui qualquer consequência direta dentro da história. O mesmo vale para as relações de Marty com personagens como Rachel ou até mesmo Kay Stone.

A metalinguagem de Marty Supreme não se limita à relação entre Marty e Chalamet. Ela também se estende a uma Gwyneth Paltrow surpreendentemente apática no papel de Kay Stone, uma estrela em processo de esquecimento e reclusão, assim como a atriz que a interpreta. Apesar de ser interessante vê-la de volta às telas, a personagem carece da complexidade de uma Margot Tenenbaum ou da doçura de Viola De Lesseps. Kay é vazia, funcionando apenas como um espelho da própria carreira de Paltrow e mais um degrau na escalada de Marty rumo ao estrelato.

Odessa A’zion em cena de "Marty Supreme"- Divulgação Diamond Pictures BR

Odessa A’zion em cena de “Marty Supreme”- Divulgação Diamond Pictures BR

Esteticamente, o filme se sustenta principalmente pela fotografia. Enquanto o roteiro clássico oferece pontos de virada em pequena escala, que surpreendem por sua imprevisibilidade. Ainda assim, é impossível ignorar o quão tradicional Marty Supreme é em sua forma. O filme remete a Depois de Horas (1985, Martin Scorsese) pela sensação constante de “bola de neve” de desgraças. Também dialoga fortemente com Coração de Lutador (2025, Ben Safdie), especialmente pelo protagonista movido a ego, que precisa lidar com derrotas e com o desejo de reconhecimento.

A diferença crucial está na empatia. Em Coração de Lutador, Mark Kerr é um personagem que conseguimos compreender. Em Marty Mauser, não.

Grande parte disso se deve ao tratamento dado às personagens femininas. Em Coração de Lutador, Emily Blunt, como Dawn, funciona como um ponto de ancoragem emocional. É pelo olhar dela que sentimos empatia, medo e desejo de permanência. Já Rachel, interpretada por Odessa A’zion, é uma personagem que ama Marty, mas carece de desejos próprios e de uma construção narrativa consistente. Assim, sua fragilidade enquanto personagem apenas reforça o distanciamento emocional para com o protagonista.

No fim, Marty Supreme parece o filme ideal para a temporada de premiações e talvez finalmente entregue a Timothée Chalamet o Oscar que tanto almeja. No entanto, apesar de abraçar o caos e a bagunça, a produção se esvazia ao tentar ser mais grandiosa do que realmente é. Se tivesse assumido de vez a personalidade babaca de Marty Mauser, em vez de insistir em moldá-lo como um herói trágico que ele claramente não é, o filme poderia ter alcançado uma redenção — e se tornado algo muito mais interessante.

Distribuído pela Diamond Pictures, Marty Supreme já apresenta sessões especiais antes de sua estreia oficial no dia 22 de Janeiro.

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Tags:CinemacríticaDiamond PicturesJosh SafdieMartyMarty SupremeOscar 2026
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
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