O avanço dos planos de assinatura com anúncios em streaming consolida o setor como uma das maiores vitrines publicitárias do mundo digital e sinaliza tendências para 2026. Especialistas apontam que esse modelo híbrido — que combina acesso a conteúdos premium e inserções publicitárias — está redesenhando a publicidade digital ao ampliar significativamente o alcance de marcas em ambientes de grande engajamento e dados qualificados.
A tendência vem se consolidando com força desde 2024 e ganhou impulso ao longo de 2025, conforme mostra a pesquisa Digital i, divulgada pelo Deadline. O estudo abrangeu 12 meses, entre o quarto trimestre de 2024 e o final do terceiro trimestre de 2025, em 20 mercados onde os serviços de streaming atuam globalmente.
Anúncios em streaming em números
Um dos achados mais expressivos da pesquisa é o crescimento consistente de usuários que optam por planos com anúncios. Entre as plataformas avaliadas, a Netflix destacou-se com a maior taxa de crescimento desse modelo:
– 40% das contas ativas usam planos com anúncios — ante 26% no mesmo período do ano anterior.
Embora não lidere o percentual absoluto, esse crescimento coloca a Netflix à frente de outros serviços em termos de aceleração do uso de planos publicitários.
O Prime Video segue como plataforma com maior proporção de uso de planos com anúncios:
– 82% dos usuários adotam esse modelo, mesmo com uma redução em relação aos 88% anteriores.
Outros serviços analisados têm presença menor, mas significativa:
– Disney+ – 44%
– HBO Max – 28%

Para Eduardo Sani, CEO da ADSPLAY — hub de mídia especializado em soluções publicitárias — os anúncios no streaming “deixaram de ser uma aposta para se tornarem um pilar da publicidade digital”. Segundo ele, as plataformas de streaming hoje estão entre os ambientes estratégicos para marcas que buscam dialogar com públicos amplos e diversificados.
“Os serviços de streaming reúnem audiência em expansão, dados qualificados e tecnologia que permite construir campanhas com escala, relevância e performance”, afirma Sani.
Anúncios em streaming trariam engajamento e segmentação
Os anunciantes que utilizam planos com anúncios no streaming encontram diferenciais que não são tão presentes em mídias tradicionais:
Alto engajamento:
Usuários de serviços de streaming passam longos períodos consumindo conteúdo audiovisual, o que aumenta a atenção às mensagens publicitárias em ambientes menos fragmentados do que redes sociais ou páginas web.
Segmentação avançada:
As plataformas conseguem criar segmentos com base em dados demográficos, comportamentais e de interesse, permitindo campanhas mais assertivas e alinhadas aos perfis desejados pelas marcas.
Contextualização e formatos integrados:
Anúncios no streaming são exibidos de maneira contextualizada ao perfil do usuário, favorecendo uma percepção mais positiva e menos intrusiva. Além disso, a diversidade de formatos — como vídeos adaptados a múltiplas telas — amplia a efetividade das campanhas.

Métricas em tempo real:
A publicidade em streaming oferece métricas que podem ser monitoradas e otimizadas em tempo real, o que possibilita ajustes rápidos e mensuração precisa de resultados.
Segundo Sani, quando os anúncios em streaming são combinados com mídia programática, o potencial de performance cresce de forma exponencial. Isso ocorre porque a automação do processo publicitário, aliada aos dados ricos das plataformas de streaming, permite um melhor uso de recursos e segmentação ainda mais refinada.
“É um ambiente com audiência qualificada, alto engajamento e dados robustos, combinação que permite às marcas se conectarem de forma eficiente e mensurável”, diz o executivo.
A consolidação dos planos com anúncios aponta para um futuro em que o mercado publicitário será cada vez mais orientado por dados, automação e eficiência, segundo analistas. Marcas e anunciantes que incorporarem o streaming em suas estratégias estarão melhor posicionadas para alcançar públicos diversificados e para competir em um ambiente onde o digital domina a atenção.
O crescimento dos planos híbridos também representa uma oportunidade para serviços de streaming diversificarem sua base de usuários, atraindo consumidores que talvez não pagariam por um plano totalmente premium, mas que aceitam a presença de anúncios em troca de acesso a conteúdo de qualidade.
Anúncios em streaming viram alvo de decisão judicial e levantam debate sobre LGPD
Entretanto, há um outro lado nessa história. Especialistas em direito do consumidor vêm alertando para os impactos jurídicos da adoção de anúncios em serviços originalmente contratados como livres de publicidade. A mudança de modelo, feita de forma unilateral por algumas plataformas, é apontada como possível violação da legítima expectativa do consumidor, que passa a receber publicidade em um serviço pago que antes não a exibia.

O tema já chegou ao Judiciário. Uma decisão da 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais da Bahia considerou abusiva a inserção de anúncios em conteúdo contratado sem publicidade e manteve indenização a um consumidor, ao entender que houve alteração unilateral do contrato e violação à boa-fé objetiva.
Além da discussão contratual, especialistas destacam reflexos na área de dados pessoais. A publicidade em streaming depende do uso de informações comportamentais dos usuários, como hábitos de consumo e preferências, o que levanta questionamentos à luz da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) quando esse tratamento passa a ocorrer sem escolha clara ou consentimento específico para a nova finalidade.
O debate reforça que a consolidação do modelo com anúncios no streaming não envolve apenas estratégia de mercado, mas também desafios regulatórios e de proteção ao consumidor que devem ganhar espaço nas discussões jurídicas e institucionais nos próximos anos.
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