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Margaret Cho em cena de "Queens of The Dead"- Divulgação Imovision
CríticaCinema e Streaming

Crítica: ‘Queens of The Dead’ traz glitter, glamour e zumbis, mas esquece algo muito importante

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 27 de fevereiro de 2026
6 Min Leitura
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Margaret Cho em cena de "Queens of The Dead"- Divulgação Imovision
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Dirigido por Tina Romero, Queens of The Dead abraça mais do que consegue sustentar, se perdendo no caminho e não encontrando o rumo de volta.

É impossível falar de Queens of The Dead sem antes contextualizar sua diretora, Tina Romero, como filha de George A. Romero. Por bem ou por mal, esse sobrenome paira como uma sombra sobre sua mais recente produção. George Romero foi responsável por praticamente revitalizar o terror moderno com A Noite dos Mortos-Vivos (1968), obra que definiu os parâmetros para todos os filmes de zumbi que vieram depois, mesmo aqueles que reformularam sua estrutura, como Extermínio (2002), de Danny Boyle.

Acima de tudo, o cinema de Romero sempre foi um comentário direto sobre seu tempo. A Noite dos Mortos-Vivos dialogava com os turbulentos anos 60, e suas sequências nunca foram apenas filmes de zumbi, mas retratos sociais filtrados pelo olhar do horror. Muito além do entretenimento, seus filmes provocavam impactos monstruosos com recursos mínimos, gerando homenagens, releituras e cópias ao longo das décadas.

Romero faleceu em 2017, mas seu legado permanece vivo, e é justamente esse legado que Tina Romero tenta honrar com Queens of The Dead, um terrir queer no qual gays, lésbicas, drags e um homem hétero precisam sobreviver dentro de uma boate após o início de uma invasão zumbi no Brooklyn.

Katy O'Brian e Jack Haven em cena de "Queens of The Dead"- Divulgação Imovision

Katy O’Brian e Jack Haven em cena de “Queens of The Dead”- Divulgação Imovision

A premissa é, sem dúvida, interessante. Embora o gênero já tenha explorado ambientes urbanos e espaços festivos, o recorte queer e o tom assumidamente camp trazem um frescor bem-vindo. O isolamento dos personagens em um espaço fechado remete à filmografia de George Romero, enquanto o início do longa aposta em uma comédia de erros leve, exagerada e afiada, algo que o cinema queer historicamente domina com eficiência, como visto em filmes como A Gaiola das Loucas (1996, Mike Nichols).

O que torna Queens of The Dead cativante em seus primeiros momentos é o tratamento despretensioso de seus personagens. Eles são retratados com respeito, ainda que orbitando arquétipos reconhecíveis dentro do universo LGBT, e é justamente essa consciência que permite ao roteiro brincar com sarcasmo, exagero e liberdade. Há conforto na maneira como esses personagens existem na tela, seguros de si e de suas identidades.

O problema surge à medida que o filme avança e novos personagens continuam sendo introduzidos. Já é um desafio fazer o público se importar com um único protagonista; quando há mais de dez figuras disputando espaço, com momentos que vão do alívio cômico a arcos dramáticos mais densos, como os de Sam e Nico, a narrativa se dilui. Por consequência, o foco que deveria ser a sobrevivência em meio a uma invasão zumbi, é apagado, e onde deveria haver tensão, entrega um senso de perigo praticamente inexistente.

Personagens atravessam ruas em patinetes coloridos sem serem atacados. Um grupo de dez zumbis avança sobre uma personagem, que milagrosamente sobrevive. Pessoas se abraçam em meio ao caos, enquanto a cidade parece estranhamente esvaziada. Mesmo com indicações de que o colapso é generalizado, a sensação é de que há zumbis de menos para uma das maiores metrópoles do mundo, algo conveniente demais para a produção.

Dominique Jackson e Tomas Matos em cena de "Queens of The Dead"- Divulgação Imovision

Dominique Jackson e Tomas Matos em cena de “Queens of The Dead”- Divulgação Imovision

Nem mesmo a estética escapa dessa irregularidade. O início aposta em jogos de luzes vibrantes, cores plásticas e um cenário quase onírico, como um delírio coletivo, uma escolha que combina perfeitamente com a proposta camp. Porém, conforme a trama avança, Queens of The Dead adota uma estética mais “madura” e polida, justamente quando deveria mergulhar ainda mais no brega e no cafona. Ao tentar aprofundar conflitos e inserir dramaticidade forçada, a narrativa perde a organicidade e a diversão que marcavam sua primeira meia hora.

No fim, Queens of The Dead funciona melhor quando abraça o ridículo e o exagero: pessoas completamente despreparadas tentando sobreviver a uma invasão zumbi iminente. Contudo, ao insistir em conflitos dramáticos pouco desenvolvidos e ao não construir um contexto que sustente o perigo real da situação, o filme acaba se fragmentando. O resultado é uma produção que diverte em momentos isolados, mas que também evidencia o quanto George Romero foi marcante e influente para o gênero, e que apesar de uma forte tentativa, não existirá outro igual.

Distribuído pela Imovision, Queens of The Dead estreia nos cinemas no dia 05 de março.

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Tags:Cinemacinema queercríticaCritica Queens of The DeadimovisionQueens of the Deadterror queerzumbi
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
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