Dirigido por Kirill Sokolov, Eles Vão te Matar une blaxploitation, Quentin Tarantino e Casamento Sangrento em produção cuja regra máxima é entreter.
Apesar de apresentar nomes de peso na produção, como Andy Muschietti e Barbara Muschietti, Eles Vão te Matar passa quase despercebido entre grandes lançamentos do mesmo período, como Devoradores de Estrelas (2026, Phil Lord e Chris Miller) e Super Mario Galaxy: O Filme (2026, Michael Jelenic e Aaron Horvath). Ainda assim, mesmo com um orçamento modesto para os padrões atuais, cerca de 20 milhões de dólares, Sokolov entrega alguns dos momentos mais despretensiosos e caóticos recentes no terror, justamente por abraçar o absurdo com gosto em uma história de vingança, satanismo e muito sangue.
As inspirações em Tarantino são evidentes, especialmente em Kill Bill (2003-4). Ao mesmo tempo que a produção também dialoga tematicamente com Casamento Sangrento (2019, Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett), com sua abordagem “kill the rich”, rituais satânicos e violência gráfica. No entanto, o nível de absurdo aqui é ainda mais elevado do que a produção de Radio Silence, o que já diz muito sobre o tom do filme.

Zazie Beetz e Paterson Joseph em cena de “Eles Vão te Matar”- Divulgação Warner Bros
No elenco, nomes como Tom Felton, Heather Graham e Patricia Arquette estão presentes, mas quem realmente rouba a cena é Zazie Beetz. Sua personagem assume uma postura de final girl herdeira direta do movimento blaxploitation, evocando uma espécie de Foxy Brown insana. Sua jornada de proteger a irmã enquanto lida com a culpa de tê-la abandonado, a coloca no centro de um culto satânico repleto de ricos que ressuscitam e absurdos como uma cabeça de porco falante, e é neste universo que o público deve aceitar. As coisas podem não fazer sentido, mas com certeza você vai se divertir.
Visualmente, o filme é inquieto e inventivo. Lentes teleobjetivas, analógicas e olho de peixe são combinadas em uma mesma cena para explorar um hotel que se torna quase um personagem: dos quartos luxuosos a corredores aparentemente infinitos, até um porão claustrofóbico dedicado a rituais. Câmera lenta, reviravoltas, direção de arte minimalista e efeitos práticos eficientes reforçam a proposta: mais do que construir grandes arcos, o filme quer entregar entretenimento puro, e consegue.
Eles Vão te Matar cresce conforme avança e, assim como as obras de Tarantino, utiliza a violência como catarse. Membros decepados, mortes criativas e situações absurdas, como ricos incapazes de morrer, acompanham a jornada de Asia Reaves. Diferente de Grace em Casamento Sangrento, Asia já começa preparada para o combate, o que torna sua trajetória ainda mais visceral e direta, sem perder tempo com contexto, e indo direto para a ação.

Tom Felton, Heather Graham e grande elenco em cena de “Eles Vão Te Matar”- Divulgação Warner Bros
Entre os coadjuvantes, é interessante ver rostos conhecidos fora do holofote recente, como Heather Graham e Tom Felton. Ainda assim, quem se destaca de fato é Patricia Arquette como Lilith, figura central que representa a verdadeira força do culto.
As cenas de luta são criativas e bem coreografadas, mas o que mais impressiona é a coragem do filme. Em um cenário onde produções com orçamentos muito maiores jogam seguro, Eles Vão te Matar arrisca, experimenta e homenageia suas influências enquanto constrói algo próprio. Mais do que uma simples cópia, o longa se estabelece como mais um filme curioso e ousado da cinematografia de uma jovem Kirill Sokolov.
Distribuído pela Warner Bros. Pictures, Eles Vão te Matar estreia nos cinemas no dia 26 de março.
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