Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e termos de uso.
Aceito
Vivente AndanteVivente AndanteVivente Andante
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Font ResizerAa
Vivente AndanteVivente Andante
Font ResizerAa
Buscar
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Paul Dano em cena de "O Mago do Kremlin"- Divulgação Imagem Filmes
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘O Mago do Kremlin’ – um retrato de poder tão inteligente quanto é vazio

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 2 de abril de 2026
5 Min Leitura
Share
Paul Dano em cena de "O Mago do Kremlin"- Divulgação Imagem Filmes
SHARE

Dirigido por Olivier Assayas, O Mago do Kremlin ambiciona atravessar quase três décadas de geopolítica russa, mas que, ao final, deixa uma sensação incômoda.

Existe uma curiosidade quase inerente sobre os bastidores do poder: os encontros secretos, as decisões tomadas longe do olhar público, os jogos de influência que moldam o mundo. A cultura pop já explorou isso de forma caricata, como em episódios de Pinky e o Cérebro (1994, Tom Ruegger), onde líderes globais agiam como vilões exagerados e infantis. Em contraste, produções mais recentes como Vice (2019, Adam McKay) buscaram o humor e a ironia como forma de humanizar essas figuras, aproximando-as do espectador por meio de linguagem acessível, ridículo e ritmo dinâmico.

É justamente nessa comparação que O Mago do Kremlin revela suas fragilidades.

Assim como o filme de Adam McKay, a obra de Assayas opta por retratar um líder político, no caso Vladimir Putin, a partir de um olhar indireto. Aqui, acompanhamos Vadim Baranov, um conselheiro fictício inspirado em figuras reais, que transita entre o teatro, a mídia e os bastidores do governo russo. No entanto, onde Vice encontra leveza e ironia para traduzir estruturas complexas de poder, O Mago do Kremlin se perde em sua própria densidade.

Paul Dano e Jude Law em cena de "O Mago do Kremlin"- Divulgação Imagem Filmes

Paul Dano e Jude Law em cena de “O Mago do Kremlin”- Divulgação Imagem Filmes

O filme é construído sobre uma base excessiva de narração. Ao longo de cerca de 150 minutos, Vadim guia o espectador por uma Rússia em transformação, dos anos 90 até 2019, misturando reflexões pessoais, contexto histórico e observações políticas. Há, sem dúvida, momentos interessantes, especialmente quando o longa aborda a relação entre política e espetáculo, ou a construção de narrativas públicas como ferramenta de poder.

Mas há um problema central: o filme fala muito sobre poder, e mostra pouco como ele realmente opera.

Vadim permanece uma figura opaca do início ao fim. Não compreendemos plenamente seu papel no governo, suas ações concretas ou seu impacto na ascensão de Putin. Em vez disso, o que temos é um fluxo constante de pensamentos que frequentemente parecem mais interessados em sugerir profundidade do que em desenvolvê-la. Essa ambiguidade poderia ser uma escolha narrativa instigante, mas aqui resulta em distanciamento e frustração.

Esse afastamento é reforçado pela estética do filme. A fotografia fria, a direção sóbria e a trilha pouco marcante contribuem para um tom deliberadamente distante, que raramente convida o espectador a se envolver emocionalmente. Soma-se a isso um ritmo irregular e uma estrutura repetitiva, que tornam a experiência ainda mais exaustiva.

Alicia Vikander em cena de "O Mago do Kremlin"- Divulgação Imagem Filmes

Alicia Vikander em cena de “O Mago do Kremlin”- Divulgação Imagem Filmes

Curiosamente, há momentos em que O Mago do Kremlin parece flertar com a sátira, afinal, temos um Putin com forte sotaque britânico, mas Assayas nunca abraça completamente essa possibilidade. Ao optar por tratar tudo com excessiva seriedade, o longa perde a oportunidade de explorar a ironia inerente ao próprio cenário que retrata.

O resultado é um filme que exige do público um repertório prévio considerável, mas que oferece pouco em troca. Ao final, resta a impressão de que acompanhamos uma longa exposição de ideias e eventos sem que se construa uma compreensão sólida de seus personagens ou de suas implicações.

O Mago do Kremlin tinha potencial para ser um retrato instigante sobre poder, imagem e manipulação, com uma possibilidade grande de estruturar uma crítica política direta. No entanto, ao se apoiar demais na verborragia literária e de menos na dramatização, acaba se tornando um exercício distante, e paradoxalmente, superficial.

Distribuído pela Imagem Filmes, O Mago do Kremlin chega aos cinemas no dia 09 de abril.

Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!

Leia mais

  • Crítica: ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ – uma jornada deslumbrante por um universo de ideias não exploradas
  • Crítica: ‘Rio de Sangue’ é um thriller de ação com viés ambientalista e boas ideias
  • Crítica: ‘A Última Ceia’ consegue trazer um novo olhar sobre a mesma história de sempre
Tags:adam mckay viceanalise o mago do kremlinbastidores do poder filmeCinemacinema autoral europeucinema europeu contemporaneocomparação vice filmecríticacritica de cinema 2026critica filme politicocritica o mago do kremlin 2026Destaque no Viventedrama politico cinemaestreia cinema abril 2026filme politico 2026filme sobre vladimir putinfilmes baseados em fatos reais politicafilmes densos e complexosfilmes sobre poder e politicafilmes sobre politicafilmes sobre russiao mago do kremlino mago do kremlin criticao mago do kremlin explicaçãoo mago do kremlin filmeo mago do kremlin vale a penaolivier assayas
Compartilhe este artigo
Facebook Copie o Link Print
PorAndré Quental Sanchez
Me Siga!
André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

Vem Conhecer o Vivente!

1.7KSeguidoresMe Siga!

Leia Também no Vivente

Pessoas usam roupas da franquia Satr Wars na foto. É o evento Jedicon.
CulturaCinema e Streaming

Jedicon, Red Hot, CCBB e Libertadores: confira as boas do Rio de Janeiro no feriadão

Alvaro Tallarico
5 Min Leitura
miyagi cobra kai karate kid
CulturaSéries

Cobra Kai: Saiba mais sobre a série do Sr. Miyagi, o mestre de ‘Karatê Kid’

Redação
4 Min Leitura
Max
Cinema e StreamingSéries

Max surpreende com releituras modernas de 6 clássicos do cinema

André Quental Sanchez
5 Min Leitura
logo
Todos os Direitos Reservados a Vivente Andante.
  • Política de Privacidade
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?