Dirigido por Saeed Roustayi, Mãe e Filho parte de uma proposta potente, mas se perde ao transformar sua escalada dramática em um desgaste contínuo.
Grandes dramas costumam equilibrar altos e baixos para conduzir o espectador por uma jornada emocional. Isto não ocorre em Mãe e Filho, que opta por construir um platô: uma sucessão de tragédias que apenas se acumulam, sem variação ou respiro, com desastre levando a outros desastres. O impacto inicial e interessante com um duplo protagonismo entre a mãe “ética” e o filho “delinquente” se dilui, e após 50 minutos de filmes, abre margem para um sofrimento constante que deixa de comover para apenas cansar.
Mãe e Filho foca em Mahnaz, uma mãe viúva que deseja se casar novamente, e Aliyar, seu filho, moldado pela esperteza e pelas mentiras como forma de sobreviver após a morte do pai. O que se inicia como um espelho que intercala momentos mais leves com situações tensas, é rapidamente abandonado quando um acontecimento desencadeia uma espiral de desgraças que domina toda a narrativa.

Parinaz Izadyar, Arshida Dorostkar, Sahar Goldoost e Sinan Mohebi em cena de “Mãe e Filho”- Divulgação Diaphana Distribution
A partir daí, a obra mergulha em um melodrama de tom quase novelesco: reviravoltas, segredos e conflitos familiares se acumulam enquanto Mahnaz se afunda cada vez mais na dor. Em vez de aprofundar esse processo, o roteiro insiste na repetição, assim, fazendo com que a mãe tome decisões equivocadas que sucedem decisões equivocadas, esvaziando a complexidade emocional e comprometendo a empatia pela personagem.
O que poderia ser um retrato contundente sobre luto, raiva e silenciamento feminino se fragmenta. A crítica social está presente, especialmente na forma como o filme evidencia a opressão sobre as mulheres, mas surge mais como consequência do sofrimento do que como eixo estruturado. A ausência de figuras masculinas positivas reforça essa leitura, ainda que de maneira pouco aprofundada.
Tecnicamente, há méritos claros: a mudança no design de produção durante o segundo e terceiro ato, o uso da iluminação que se torna mais claustrofóbica, e a alternância entre planos estáticos zenitais que trazem um sentimento de opressão e vigília, e uma câmera na mão que cria momentos de imersão e confusão para a audiência. Ainda assim, essas escolhas reforçam o excesso dramático digno de uma novela, ao invés de modulá-lo, ou equilibrar o excesso dramático com acontecimentos mais leves e interessantes, do que uma repetição sisífica de desastres.

Parinaz Izadyar em cena de “Mãe e Filho”- Divulgação Diaphana Distribution
A atuação de Parinaz Izadyar sustenta o filme com intensidade, mas não é suficiente para compensar um roteiro que tenta abraçar muitos temas sem desenvolver plenamente nenhum. Existem muitos olhares que poderiam ter sido trabalhados, incluindo uma relação de mãe e filha que é abandonada por grande parte da produção, e somente retomada ao final como uma forma de concluir o filme de uma forma que pode ser vista como forçada.
No fim, Mãe e Filho almeja falar mais sobre a condição das mulheres no Irã do que sobre o luto ou a relação entre mãe e filho. A imagem final, três gerações de mulheres em contraste com uma figura masculina ao fundo, sintetiza bem essa ideia. O caminho até ela, porém, não tem a força, ou o enfoque necessário para transformar essa potência em impacto real.
Distribuído pela Retrato Filmes, Mãe e Filho estreia em 30 de abril.
Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!



